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O executivo Julio Camargo fechou acordo de delação premiada no caso Lava Jato.

 Segundo os investigadores, Camargo é o controlador de três pessoas jurídicas – Treviso, Piemonte e Auguri –, grupo que mais repasses fez para empresas de fachada do doleiro Alberto Youssef, operador da lavagem de dinheiro e corrupção na Petrobras.

Camargo agia em nome de uma das 14 empresas que formaram um cartel na Petrobras, segundo o ex-diretor de Abastecimento da estatal Paulo Roberto Costa. Ele fazia o elo com pelo menos duas gigantes da construção civil que teriam sido beneficiadas com contratos bilionários da Petrobrás.

O acordo de Camargo causou forte impacto em algumas das principais empreiteiras do País porque fura o pool que elas formaram. Há três semanas essas empresas se fecharam em uma estratégia única, que acabou frustrada – foram ao Ministério Público Federal propor um acordo coletivo de leniência, o que foi rejeitado.

Em uma “planilha de contribuições”, produzida em 2010 e apreendida pela Polícia Federal com o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, o nome do executivo aparece ao lado da anotação “começa a ajudar a partir de março”.

Na campanha eleitoral de 2010, Camargo ficou entre os maiores doadores de pessoa física – repassou R$ 1,12 milhão para dez candidatos ao Senado, à Câmara dos Deputados e às Assembleias Legislativas de São Paulo e de Mato Grosso do Sul.

O maior beneficiário das doações foi o então candidato a senador do PT do Rio Lindbergh Farias, com R$ 200 mil.

No fluxograma do dinheiro movimentado por Youssef na GFD Investimentos (um total de R$ 78 milhões) de janeiro de 2009 a dezembro de 2013 a Piemonte foi a segunda que mais colocou dinheiro – R$ 8,5 milhões. A Treviso foi a quarta, com R$ 4,4 milhões.

Os extratos anexados a um laudo pericial do Ministério Público Federal mostram que as contas das duas receberam de volta da GFD no mesmo período R$ 2,6 milhões para Treviso e R$ 500 mil para a Piemonte.

O conluio das empreiteiras foi denunciado pelo ex-diretor de Abastecimento da estatal.

A Lava Jato já contava duas delações premiadas, a do próprio Costa e a do doleiro Alberto Youssef. O ex-diretor da Petrobrás apontou pelo menos 32 parlamentares, entre deputados e senadores, e quatro partidos (PT, PSDB, PMDB e PP) que teriam sido contemplados com propinas e aportes para caixa 2 de campanha.

O doleiro Alberto Youssef está depondo. Seu relato segue praticamente a mesma linha das revelações de Costa. Ambos disseram que Camargo “falava em nome de uma empresa do setor petroquímico”. A criminalista Beatriz Catta Preta, que representa Camargo, não se manifestou sobre a delação. (Fausto Macedo e Ricardo Brandt/AE)

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