Revelações mexem com campanha

  Jose Cruz/ABR

O ministro Edison Lobão, das Minas e Energia – pasta à qual a estatal é ligada, aparece nas citações de Roberto Costa
Ainda sob o impacto das revelações da revista Veja, segundo as quais dezenas de políticos ligados ao governo Dilma Rousseff – governadores, ministros, senadores e deputados federais – participariam de um mega esquema de propina na Petrobras, tanto o Palácio do Planalto quanto a oposição já executam suas estratégias para o caso.

Ontem, a presidente e candidata à reeleição disse que não recebeu informações sobre as denúncias, em regime de delação premiada, feitas pelo ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa. As denúncias, portanto, para a petista, não existiriam. Pelo menos, oficialmente.

“Ao ter os dados eu tomarei todas as providências cabíveis, tomarei todas as medidas, inclusive, se tiver que tomar medidas mais fortes”, afirmou a presidente.

A tese de Dilma foi reforçada pelo ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria-Geral da Presidência. Para ele, o que foi publicado até o momento sobre o caso é “boataria” que tenta mudar os rumos das eleições e destacou que o episódio reforça a necessidade de uma reforma política.

De acordo com reportagem da Veja, Costa cita como beneficiários de propina o ministro das Minas e Energia, Edison Lobão (PMDB-MA), e os presidentes do Senado e da Câmara, Renan Calheiros (PMDB-AL) e Henrique Alves (PMDB-RN). Estariam envolvidos também políticos do PT e do PP, segundo Costa.

A reportagem não traz detalhes, documentos nem valores sobre o esquema. Os três rechaçam as acusações e alegam que as citações são mentirosas. As revelações da revista repercutiram, de imediato, na campanha eleitoral.

Costa entregou os nomes aos procuradores da força-tarefa da Operação Lava Jato, deflagrada em março com a prisão do doleiro Alberto Youssef, acusado de liderar o esquema de lavagem que movimentou R$ 10 bilhões.

Aécio: Dilma sabia

O candidato à Presidência da República pelo PSDB, Aécio Neves, cobrou uma manifestação mais contundente da presidente. O tucano voltou a chamar o episódio de “mensalão 2”.

“Não dá para a presidente Dilma dizer que não sabia o que vinha acontecendo. A marca mais perversa do governo do PT é o aparelhamento do Estado. Eles têm um plano para se perpetuar no poder, causando situações como esta da Petrobras. Os cargos de direção precisam ser ocupados por pessoas sem ligação com partidos políticos e não por pessoas que negociem, troquem favores”, afirmou. (da Folhapress)

Números

 50 anos de prisão é a estimativa da pena total que ele poderia pegar

11/6 foi o dia em que Paulo Roberto Costa foi preso pela última vez

Serviço

Sede da Petrobras

Av. República do Chile, 65 -Centro, Rio de Janeiro. petrobras.com.br
Saiba mais

1. “Degradante”

Após ver o nome do ex-governador Eduardo Campos (PSB), morto em 13 de agosto em um acidente aéreo, envolvido no escândalo, a candidata do PSB, Marina Silva, partiu para o ataque e acusou o PT e o PSDB de se unirem em um “degradante espetáculo político inédito” para tentar desconstruir sua candidatura.

2. Destruição

A candidata do PSB afirmou que a estatal está sendo destruída pelo uso político, o apadrinhamento e a corrupção”.

3. Montagem

Marina disse que seus adversários montaram uma central de boatos e mentiras para desqualificar suas propostas e disparar ataques pessoais contra ela.

4. Na rede

A preocupação do PSB é que há uma militância do PT e PSDB atuando contra a ex-ministra do Meio Ambiente nas redes sociais. “O PT e o PSDB estão juntos numa campanha desleal”.

5. Acesso

Mesmo sendo sigiloso o processo de delação do ex-diretor da Petrobras, o PSB pediu para ter acesso ao material para fazer a defesa de Campos e blindar Marina.

6. Investigação

O governador e candidato à reeleição de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), cobrou uma “investigação profunda” do caso. “É muito grave”, afirmou.

7. Questão menor

Para o tucano, o fato de as revelações terem vindo à tona em plena campanha eleitoral é uma “questão menor”. Ele diz não querer fazer prejulgamento.

8. Reforma política

Para Gilberto Para Carvalho, o episódio é “mais um incidente” que demonstra a necessidade de uma reforma política no país.

9. Financiamento

Gilberto Carvalho afirma que com o financiamento privado de campanha, “não há quem controle a corrupção”.