Depois, a explosão

 Começam, formalmente, as campanhas eleitorais, quando  os candidatos a presidente da República e a governador deveriam ter apresentado seus programas, ou seja, o que  pretendem na hipótese de ser eleitos. Não apresentaram senão arremedos de falsos propósitos.  Fazer o quê?

Fora a enganação de que prometem desenvolver o país, impedir a corrupção, extirpar a miséria e a pobreza e reduzir a  alta taxa de impostos pagos pela classe média, nenhum deles disse  como alcançar tais objetivos.

Nem eles nem ela, por sinal. Falta um roteiro de ação, para os candidatos. Um elenco de propostas claras, objetivas, sobre como proporcionar à população avanços sociais, políticos e econômicos que ela reclama.

Ao trabalhador, de que forma multiplicar esse ridículo salário mínimo que o humilha e envergonha,  transformando-o  num objeto de assistencialismo e de esmolas atiradas da mesa do banquete dos poderosos. 

Ao empresário, como deixar de importuná-lo com exigências burocráticas cada vez maiores, impedindo sua liberdade de atuar conforme as tendências  da economia?

Ao estudante, fornecendo condições para  aprimorar o saber  a que ele tem direito em meio ao vertiginoso desenvolvimento da ciência. Ao camponês, meios para  participar da produção cada vez mais  concentrada nos beneficiários dos frutos da terra.

Ao operário, a devolução de seus direitos  surripiados ao longo das últimas décadas. E quanta coisa a mais,  destinada a alargar o horizonte de uma sociedade   dominada pelas elites e hoje em perigoso  ponto  de ebulição.

Numa palavra, os pretendentes a gerir a  nação deveriam, primeiro, conhecê-la. Inteirar-se de  seus pontos de asfixia para poder equacionar soluções. Por enquanto, nada. Apenas exortações genéricas que  nem ilusões despertam no eleitorado.  Quanto mais esperanças.

Dilma Rousseff dá a impressão de nada ter a oferecer porque, se reconhecesse as necessidades da oferta,  estaria assinando atestado de incompetência por sua performance nos últimos quatro anos. Aécio Neves  imagina a saída no retorno ao modelo neoliberal naufragado nos tempos do  tucanato. Eduardo Campos perde-se na contradição de representar a antítese do programa do avô. Quanto aos demais, em busca de fugazes minutos de glória na televisão, nem  merecem citações.

A verdade é que teremos eleição sem  candidatos aptos a  disputá-la.  Mera encenação de um  Brasil Formal em decomposição,  preparado para  aumentar ainda mais o fosso com  o Brasil Real, abandonado e prestes a pedir para sair.    Esta pode ser a última oportunidade de resolvermos nossos conflitos através de mecanismos institucionais ortodoxos. Depois, será a explosão.