Marília rebate Sileno e denuncia autoritarismo no PSB

Após ter confirmado que iria abrir mão de disputar uma vaga na Câmara dos Deputados, informação divulgada em primeira mão por este blog no início da manhã desta sexta-feira (6), a vereadora recifense Marília Arraes (PSB) explicou os motivos que a levaram a tornar de conhecimento do grande público sua insatisfação com o comandando da cúpula socialista.

Em primeiro lugar, a vereadora negou, com veemência, as declarações do presidente estadual da sigla, Sileno Guedes, de que não ocorrera qualquer tipo de interferência para que João Campos, filho do ex-governador Eduardo Campos, assumisse um dos postos na Juventude Socialista Brasileira (JSB), que assegura assento na executiva estadual. Segundo ela, esse tipo de episódio não é um fato isolado no partido, fazendo assim parte de um contexto maior que não permitiria a apresentação de posições divergentes na agremiação.

“Havia sim algo fora de ordem, já que poucos dias depois houve o recuo da imposição que denunciamos [via Facebook] e o processo voltou a correr livre como deveria ter sido desde o princípio, e eu espero que assim continue. Para mim, Marília Arraes, esse episódio foi a gota d’água para fazer o copo transbordar. Essa história na JSB não é um fato isolado. Ele está dentro de um contexto muito maior e que todos nós do estado vínhamos percebendo nos últimos tempos”, afirmou.

Marília disse que um exemplo claro de que não haveria espaço para opiniões críticas ou diferentes das apresentadas pelo comando do partido foi o fato de ela ter precisado recorrer às mídias sociais para expor o que pensava sobre esse processo. E questionou como são observados quem não corresponde às determinações partidárias.

“Se eu preciso recorrer à imprensa ou a redes sociais é porque eu e muitos não temos acesso a opinar ou discordar. Nos raros fóruns de discussão democrática, é ainda mais raro uma crítica ser tomada como construtiva. Ou é simplesmente desconsiderada ou é tomada como subversão. E quem critica já é visto como opositor ou do contra”, destacou.

A vereadora ainda ressaltou que esse processo tem levado o PSB a bater de frente com posições históricas do partido. “Há algum tempo percebo que os conceitos e os ideais do PSB não estão sendo colocados em prática pela sua cúpula. Isso se reflete em todo partido. As minhas observações apontam que o movimento interno do PSB é oposto ao da democracia que tanto pregamos. Existe uma tendência a uma imposição de ideias e lugar de diálogo. Existem pessoas que são ungidas. E as que não são escolhidas para receber essa benção, essas são impedidas de participar do processo”, sapecou.

Com informações do Blog da Folha.