Se você morrer, eu te mato!

 Não basta ter sido um jornalista que virou soldado que virou cineasta: Samuel Fuller reúne também adjetivos tão fortes e diversos como anarquista, primitivo, iconoclasta e gênio. Considerado um dos diretores mais originais e subversivos da história do cinema, Fuller ganha uma retrospectiva de sua obra na mostra Se você morrer, eu te mato!, que acontece no Centro Cultural Banco do Brasil até o dia 5 de maio.

Fuller, que viveu de 1912 a 1997, já era repórter policial em Nova Iorque aos 17 anos, quando cobria assassinatos e brigas de gângsteres. Serviu no exército norte-americano na Segunda Guerra Mundial. Essas experiências marcaram sua produção quando passou a se dedicar ao cinema. Chamado de “poeta dos tabloides”, Fuller realizou filmes de faroeste e de guerra, policiais noir e dramas sangrentos que influenciaram de Godard a Wim Wenders.

O crítico André Barcinski destaca a influência da estética inovadora e das temáticas exploradas pelo cineasta: “[Fuller] odiava a assepsia do cinema comercial, que julgava “coisa de criança”. Influenciou a Nouvelle Vague (Godard o escalou para uma ponta em Pierrot Le Fou), Scorsese (os closes das lutas de boxe em Touro Indomável são puro Fuller) e Wim Wenders (Fuller fez um papel em O Amigo Americano). No Brasil, Rogério Sganzerla era fullermaníaco de carteirinha, e O Bandido da Luz Vermelha, com sua estética de Notícias Populares, é a maior prova disso”.

De acordo com Renata Saavedra, do site da secretaria de Estado de Cultura do Rio, na mostra, que tem curadoria de Julio Bezerra, serão exibidos 23 longas dirigidos por Fuller – produções realizadas entre os anos 1930 e 1990. Além disso, haverá a exibição de Tigrero: a Film That Was never Made, longa de Mika Kaurismaki que mostra Fuller no Mato Grosso planejando um roteiro sobre os índios Carajá que nunca saiu do papel; e os documentários Fuller à mesa e Samuel Fuller, Cineasta Independente, de André Labarthe. Um debate sobre a obra do homenageado completa a programação, com participação dos críticos Ruy Gardnier e Luiz Carlos Oliveira Júnior.

 Raridade: Desenhos de Di Cavalcanti ganha exposição em SP

 Um raro álbum de desenhos do artista brasileiro Di Cavalcanti (1897-1976) está exposto na Casa Guilherme de Almeida, na zona oeste de São Paulo. A exposição “Fantoches da Meia-Noite” apresenta 16 gravuras do artista pintadas à mão, em um caderno, de mesmo nome, que pertenceu ao poeta e escritor modernista Guilherme de Almeida.

Almeida foi grande amigo de Di Cavalcanti, com quem trabalhou e colaborou principalmente durante a Semana de Arte Moderna de 1922. Esse exemplar único da publicação Os Fantoches da Meia-Noite, que faz parte do acervo do poeta, apresenta as 16 gravuras com intervenções de cor incluídas pelo próprio Di Cavalcanti, diferente dos exemplares que foram publicados pela Monteiro Lobato & Cia., em 1922. 

“É um álbum que teve uma baixíssima tiragem e, neste caso específico do exemplar que pertenceu ao poeta Guilherme de Almeida, foi personalizado por Di Cavalcanti. Ele coloriu as gravuras especialmente para o poeta. Por isso é um exemplar único”, disse Marcelo Tapia, diretor do museu Casa Guilherme de Almeida, em entrevista à Agência Brasil.

Nas gravuras estão retratadas figuras boêmias do Rio de Janeiro do início do século 20. Cada uma delas apresentando um diferente personagem da noite carioca, todos sustentados por linhas e representados como marionetes. As gravuras apresentam prostitutas, músicos, varredores de rua e até animais, como o gato e a coruja.

A Casa Guilherme de Almeida funciona na antiga residência do poeta e abriga um importante acervo de arte, contando com diversas telas, desenhos e gravuras de Di Cavalcanti. Coube ao artista, por exemplo, a criação da capa e ilustrações do livro de poemas A Dança das Horas, publicado por Guilherme de Almeida, em 1919. “Este livro ainda mostra a relação dele (Di Cavalcanti) com a art nouveau, estilo anterior a este que seria o do Fantoches da Meia-Noite, que inicia a fase modernista do artista”, explicou Tapia.

Aqui é uma casa que vive o espírito modernista. Então, expor essa obra de Di Cavalcanti à qual pouca gente teve acesso – já que é extremamente rara – é uma oportunidade não só de apreciar o belo trabalho de Di Cavalcanti, como também de ver este trabalho inserido no contexto de um outro modernista importante que foi Guilherme de Almeida“, disse o diretor do museu.

A exposição, com entrada gratuita, fica em cartaz até o dia 15 de julho. Mais informações sobre a exposição podem ser consultadas no site www.casaguilhermedealmeida.org.br .

fonte:LAM/DR

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