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Bruno admite morte de Eliza para tentar diminuir pena

  • Ele não confessou crime. Estratégia da defesa é tentar enquadrar atleta no crime de homicídio simples
  • Segundo o goleiro, o amigo Luiz Henrique Romão, o Macarrão, ajudou a matar a modelo
  • Ex-goleiro do Flamengo não respondeu a nenhuma pergunta da acusação
Goleiro Bruno conversa com seu advogado durante o julgamento no Fórum de Contagem Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo
Goleiro Bruno conversa com seu advogado durante o julgamento no Fórum de Contagem Fabiano Rocha / Agência O Globo

 Para fugir de uma pena de mais de 40 anos de cadeia, o que sepultaria de vez qualquer chance de retorno aos gramados, o goleiro Bruno Fernandes, 28 anos, partiu para um ataque calculado. Falou até quando foi conveniente no terceiro dia de julgamento dele e de sua ex-mulher, Dayanne Rodrigues sobre a morte da modelo Eliza Samudio. Depois, ficou calado diante do bombardeio de perguntas do Ministério Público (MP). Quando resolveu quebrar o silêncio, admitiu a morte da modelo, mas jogou a culpa do assassinato, ocorrido em 2010, no colo de Luiz Henrique Romão, o Macarrão, transferindo para ele todas as ações em sua carreira e até na vida particular.

– Ele arcava com as despesas, administrava meu dinheiro, minhas contas bancárias. Ele tinha as senhas das minhas contas. Eu pedia dinheiro para o Macarrão para sair ou fazer festas. Nossa relação era de amizade forte, quase irmãos. Quando parei de conversar com Eliza, ele (Macarrão) passou a conviver com ela – disse Bruno.

O goleiro deu, ainda, detalhes do crime e disse que Eliza foi enforcada e, em seguida, teve o corpo esquartejado e jogado para os cachorros, segundo relato de Jorge Luiz Rosa, o primo que era menor na época:

– Fiquei desesperado uma hora e meia, chorei muito. “Macarrão o que você fez?”, eu perguntei. Ele falou que resolveu o problema, porque a menina estava “demais”. Ele disse que ela estava incomodando demais, atrapalhando seus projetos, seus planos. Naquele momento senti medo.

Pela primeira vez, Bruno envolveu o ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola. Ao envolver Bola no crime, a estratégia da defesa é tentar enquadrar Bruno no crime de homicídio simples, excluindo o motivo torpe e ocultação de cadáver:

– Não sabia, não mandei, mas aceitei. Mandar eu jamais mandei. O Macarrão falou que contratou o Bola. Então, eu aceitei. Meu compromisso com ela foi pagar os R$ 30 mil (valor acordado entre Bruno e Eliza para ela deixar de procurá-lo) – disse.

Em coletiva após o terceiro dia de julgamento de Bruno e de sua ex-mulher Dayanne Rodrigues, o advogado Lucio Adolfo, que defende Bruno, afirmou:

– O Bruno pode ter mentido ou omitido algo – e continuou. – Acredito na redução de pena. O Macarrão ganhou a redução. O Bruno teve participação elementar. Ele reconhece que poderia ter feito algo. Nos vamos levar essa realidade para os jurados amanhã (quarta). Caindo as qualificadoras vamos trabalhar para ser condenado homicídio simples, pena de 6 a 20 anos, pode sair com um sexto da pena.

Em sua versão, o réu confesso narrou o momento que Macarrão chegou ao sítio de Esmeraldas, na Grande BH, com Bruninho no colo e sem a mãe.

– Estranhei que a criança estava nas mãos dele, chorando. Perguntei: ‘Poxa, cadê Eliza, pelo amor de Deus, o que vocês fizeram com ela?’ Neste momento, o Macarrão falou assim: ‘Resolvi o problema que tanto te atormentava’. Naquele momento, peguei o Bruninho no colo e o entreguei para Dayanne, porque precisava conversar com os meninos sobre o que tinha acontecido – E continuou. – Cheguei perto do Jorge, que disse que o Macarrão ajudou matar a Eliza.

Durante seu depoimento, o goleiro disse ainda que Jorge contou que Macarrão deixou Eliza perto do estádio do Mineirão, parou para conversar com uma pessoa pelo telefone. Nesse momento, uma moto apareceu. Bruno disse que o carro seguiu, e ela foi entregue numa casa para um homem conhecido como Neném.

– Lá, ele perguntou se ela era usuária de drogas e cheirou a mão dela em seguida. Nessa hora, o homem pediu para o Macarrão amarrar a mão dela, e ela foi enforcada. Depois, Macarrão chutou Eliza, que depois teve o corpo esquartejado e jogado para os cachorros.

Bruno disse, ainda, que Dayanne – acusada de sequestrar o filho de Eliza – não foi pressionada por ele para cuidar de Bruninho depois que Eliza morreu e que ela foi de própria vontade. Além disso, o goleiro disse que tem medo de Bola.

Após as perguntas da juíza, o promotor Henry Vasconcelos iniciou o interrogatório, mas a defesa de Bruno já havia dito que o réu não responderia às perguntas do MP. Bruno seguiu em silêncio.

Bruno afirma que se sente culpado pela morte de Eliza

O goleiro negou ser o mandante da morte da modelo Eliza Samudio, mas declarou que se sentia culpado.

– Como mandante dos fatos, não, eu nego. Mas de certa forma, me sinto culpado – disse ele, emendando que desejava falar mais.

Bruno contou que, na sua casa no Recreio dos Bandeirantes, Zona Oeste do Rio, chegou a morar com Ingrid Calheiros, sua atual mulher, por quatro meses. Mas ela teria saído por causa da presença constante de Macarrão.

– Ela saiu porque estava perdendo a liberdade naquela casa – disse Bruno.

Na noite em que Bruno tentava se reconciliar com Ingrid, Macarrão, segundo o goleiro, ligou insistentemente para o celular dos dois. Segundo o réu, ele dizia que precisava do amigo para “resolver um problema”. Macarrão encontrou com Bruno no hotel onde estava concentrado com o Flamengo, que se preparava para uma partida contra o Goiás. Lá, ele disse que o problema era Eliza.

– Eu falei para ele, eu já estou respondendo processo, já até paguei por isso, e você está me trazendo mais problemas – disse Bruno para o amigo, que, no encontro, não teria dito que a mulher estava machucada.

Justiça nega pedido de habeas corpus ao goleiro

O terceiro dia de julgamento do caso Bruno começou com a leitura das acusações contra o goleiro. Enquanto a juíza Marixa Fabiane Lopes Rodrigues lia o docimento, o ex-goleiro do Flamengo se manteve cabisbaixo. A defesa iniciou os trabalhos da tarde desta quarta-feira, declarando que o réu não ia responder às perguntas do promotor Henry Wagner.

– O silêncio dele é uma determinação – afirmou o criminalista Lúcio Adolfo.

Também na tarde desta quarta-feira, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais informou que os desembargadores negaram o pedido de habeas corpus ao goleiro Bruno Fernandes. A decisão foi unânime entre os magistrados da 4ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. O julgamento do ex-atleta e de sua ex-mulher dele, Dayanne Rodrigues, foi retomando na tarde desta quarta-feira, com 10 minutos de atraso. No terceiro dia de júri, Bruno chegou ao Fórum de Contagem, em Minas Gerais, às 12h. Ele deixou a Penitenciária Nelson Hungria por volta de 11h30m.

O ex-goleiro do Flamengo é acusado de ser o mandante do assassinato da modelo, ex-amante do atleta, em junho de 2010. Ele responde por homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver e sequestro e cárcere privado de Bruninho, filho da jovem com ele. Dayanne é acusada de sequestro e cárcere privado da criança. Ela foi ouvida por cerca de quatro horas nesta terça-feira.

Se tudo ocorrer conforme planejado pelo Tribunal de Justiça, quinta-feira a juíza Marixa Fabiane deve bater o martelo após o debate da defesa e acusação. Ministério Público (MP) e defesa prometem um duelo de nove horas no último dia do julgamento.

Segundo o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJ-MG), não houve sessão na parte da manhã para que os jurados possam descansar, já que, nesta terça-feira, Dayanne foi ouvida até as 22h30m. O momento mais revelador do depoimento da ex-mulher do atleta foi quando ela envolveu o policial aposentado José Lauriano de Assis Filho, o Zezé, na trama do crime. Dayanne admitiu ter recebido orientação de Macarrão para não atender nenhum policial, com exceção de Zezé, alvo de uma nova investigação da polícia do Ministério Público (MP). Foi Zezé quem teria apresentado o ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, para Macarrão, até então o braço direito de Bruno.

fonte:oglobo

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