Bolsonaro e Motta discutem sozinhos a anistia, mas não chegam a consenso

Já levei facada na barriga, e hoje foi nas costas', diz Bolsonaro após  decisão do TSE | Jovem Pan

Bolsonaro confirma a reunião com Motta, fora da agenda

Marianna Holanda
Folha

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), esteve na tarde desta quarta-feira (9), o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para uma conversa sobre o projeto de lei que dá anistia aos presos no 8 de janeiro.

O encontro ocorre em meio à força-tarefa do PL para alcançar as 257 assinaturas do requerimento de urgência para levar o projeto direto para análise do plenário. Hoje há o apoio de 246 deputados, mas aliados de Motta dizem que isso por si só não é garantia de que ele coloque a proposta para votação.

CARA A CARA – Só os dois estiveram presentes na reunião, que não se sabe onde ocorreu. Bolsonaro confirmou o encontro no podcast Direto de Brasília.

“Desde a campanha, ele fala ‘a maioria dos líderes querendo priorizar uma pauta, nós vamos atender à maioria’. Ele não participa da votação, tanto é que o voto foi pela abstenção. Não precisa lembrá-lo disso aí, ele sabe bem o que está acontecendo. Se a gente conseguir assinatura, ele vai botar em votação, tenho certeza disso”, disse.

Como mostrou a Folha, o PL decidiu recuar da estratégia de emparedamento após uma semana de obstrução de votações na Câmara, do ato na avenida Paulista, em São Paulo, com discursos mirando o presidente da Casa e da promessa de divulgação dos nomes de indecisos.

LISTA DE APOIO – A mudança de rota teria ocorrido com o aval de Bolsonaro, que bateu martelo em reunião da oposição na última terça-feira (8). A lista de apoio seria uma forma de aumentar a pressão da militância em cima desses parlamentares —algo que desagrada muito os deputados.

Segundo relatos, o ex-presidente e os parlamentares receberam avaliações de que a obstrução da semana passada deixou contrariados muitos deputados que poderiam ter assinado o requerimento de urgência, sobretudo pela paralisação nas comissões. Os presidentes de colegiados também demonstraram muita irritação.

A obstrução consiste no uso de manobras regimentais para impedir ou protelar votações no Congresso.

PEDINDO APOIO – Assim, a leitura é de que é preciso adotar uma estratégia menos ostensiva e mais no varejo. Cada parlamentar tem feito um esforço de buscar deputados de sua bancada estadual que ainda não estão convencidos para pedir apoio.

Para isso, contam também com o apoio dos governadores que estiveram presentes no ato de domingo (6). Bolsonaro, no encontro, elogiou o discurso de Altineu Côrtes (PL-RJ), vice-presidente da Casa, que afirmou no ato que Motta “será pautado pela maioria da Câmara dos Deputados”.

Depois, o parlamentar chamou um a um dos sete governadores no carro de som para perguntar se os seus partidos apoiavam à pauta, ao que todos responderam “sim”. Em outra frente, o líder do PL, Sóstenes Cavalcanti (RJ), foi ao aeroporto recepcionar os parlamentares que chegavam a Brasília na terça para pedir apoio ao requerimento de urgência.

CHARGE

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Do Blog do Flávio Chaves

Habemus Trumpus – Entre Bênçãos e Marketing Celestial

Na sacada sagrada do Vaticano, eis que surge uma cena improvável: o recém-eleito Papa Leão XIV divide os holofotes com o mais midiático dos cardeais – Donald Trump, agora em traje escarlate, mitra ideológica e cruz dourada pendurada sobre o ego.

É o casamento entre a liturgia e o espetáculo, entre a fumaça branca e o marketing político. A charge brinca, mas não brinca em serviço: revela o quanto os bastidores da fé, da diplomacia e da propaganda global se entrelaçam nos corredores do poder contemporâneo.

No alto da sacada, a multidão aplaude. Mas no fundo, o que ecoa é uma pergunta: até onde vai o teatro da política quando se veste com os paramentos da religião?

A resposta talvez esteja no sorriso do Papa e no silêncio empolado do cardeal Trump. Ou, quem sabe, no pombo que foge com um tufo de cabelo presidencial no bico.

INSS: Gayer pede prisão de irmão de Lula à PGR após escândalo

Frei Chico é diretor de um dos sindicatos que estão sob investigação da Polícia Federal

Gustavo Gayer Foto: Zeca Ribeiro / Câmara dos Deputados

O deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO) protocolou um pedido junto à Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitando a prisão preventiva de José Ferreira da Silva, conhecido como Frei Chico, irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A ação está relacionada ao envolvimento de entidades sindicais em um esquema de desvios no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Frei Chico é diretor do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi), uma das 11 organizações que estão sob investigação. Gayer alega que a prisão preventiva se justifica pelo “grave risco à ordem pública” que o investigado representaria caso continue em liberdade.

Em declaração ao Estadão, Frei Chico negou qualquer irregularidade:

– Eu espero que a Polícia Federal investigue de fato toda a sacanagem que tem. No nosso sindicato, tenho que certeza de que não temos nada – afirmou.

A investigação sobre o escândalo do esquema de corrupção no INSS segue em curso sob responsabilidade da Polícia Federal.