Hugo Motta surpreende ministros ao recorrer no caso Ramagem

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), não esperou nem o Supremo Tribunal Federal (STF) publicar o acórdão da decisão da Primeira Turma que manteve ativa a ação penal do golpe contra o deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ). As informações são do blog do Valdo Cruz.

Recorreu, ainda ontem, da decisão, entrando com uma ADPF (Ação Direta de Inconstitucionalidade por Preceito Fundamental) diretamente no plenário. A medida foi celebrada por bolsonaristas e surpreendeu ministros do STF – que não contavam com um recurso da parte de Hugo Motta.

Mesmo assim, ministros destacam que é uma questão pacífica no Supremo que não se pode recorrer por meio de ADPF de decisão de uma das turmas. Ou seja, a ação impetrada pelo presidente da Câmara dos Deputados deve ser rejeitada.

Além disso, magistrados acharam estranha a mensagem divulgada pelo presidente da Câmara dos Deputados, de que o STF não respeitou a independência entre os poderes ao rejeitar a resolução aprovada por 315 deputados.

Segundo os ministros, a independência dos Três Poderes, Legislativo, Executivo e Judiciário, não confere a um deles o poder de aprovar ou editar propostas inconstitucionais.

O recurso de Hugo Motta mostra que a tensão entre Legislativo e Judiciário segue elevada. Parlamentares que estão em Nova York para a ‘Brazil Week’ disseram, ontem, os presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, e do Supremo Tribunal Federal, Luís Roberto Barroso, trocaram “gentilezas” por causa dos atritos entre os dois poderes.

Traduzindo: trocaram alfinetadas em tom civilizado, ao estilo dos dois.

Hugo Motta mandou o recado durante sua fala reclamando que a pacificação do país não ficar nas costas apenas do Congresso Nacional, mas também do Judiciário e Executivo.

Segundo ele, “cada poder tem que fazer sua autocrítica para colaborar com essa harmonia”, acrescentando que não será “só um poder que vai conseguir harmonizar o país”.

Na saída do encontro, questionado por jornalistas sobre a crítica de Hugo Motta, o presidente do STF devolveu com gentileza as alfinetadas. “O presidente Hugo Motta conduz muito bem a Câmara dos Deputados, e nossas relações com a Câmara são muito boas. O Supremo desempenha seu papel de interpretar a Constituição, e acho que o faz na medida adequada. Nós temos um arranjo institucional no Brasil que faz com que uma grande quantidade de matérias chegue ao Supremo, mas as relações com os poderes são institucionais e extremamente cordiais”, devolveu Barroso.

MPF pede bloqueio das redes sociais do governador do Pará, Helder Barbalho

O Ministério Público Federal (MPF) apresentou, na última segunda-feira, uma manifestação à Justiça Federal pedindo que os perfis do governador do Pará, Helder Barbalho (MDB), nas redes sociais sejam bloqueados. A solicitação reitera um pedido da Defensoria Pública da União (DPU) e tem como base o não cumprimento de uma ordem judicial. A multa pelo descumprimento desta ação é de até R$ 500 mil.

“Em 25 de abril de 2025, a DPU informou ao juízo o descumprimento da decisão judicial por parte do Estado do Pará e do governador, por ausência de manifestação quanto à inserção do vídeo do direito de resposta”, consta na ação civil pública. As informações são do portal Estadão.

A origem do caso remonta à ocupação da sede da Secretaria de Estado de Educação do Pará (Seduc), entre 14 de janeiro e 14 de fevereiro, por lideranças indígenas, quilombolas, representantes de outros povos e comunidades tradicionais. O protesto tinha como objetivo barrar o que as lideranças entendiam como retrocessos no acesso à educação pública no Estado, representados pela lei estadual nº 10.820/24. Segundo o MPF, a manifestação foi encerrada tão logo ficou acordada a revogação da lei.

Contudo, declarações do governador em vídeos publicados nas redes sociais, classificando o movimento como motivado por “desinformação e fake news”, levaram a DPU e o MPF a acionarem a Justiça. As instituições solicitaram a remoção dos conteúdos e a concessão de espaço para que os povos indígenas se manifestassem.

Atendendo aos pedidos do MPF e da DPU, a Justiça Federal determinou, em fevereiro, que as postagens fossem retiradas do ar e que fosse assegurado o direito de resposta às comunidades, por meio da publicação de um vídeo nas redes de Helder Barbalho.

A decisão previa multa diária de R$ 10 mil em caso de descumprimento, limitada a R$ 500 mil tanto para o governador quanto para o estado do Pará. Em março, nova decisão estipulou o prazo de dez dias para que o vídeo permanecesse disponível nos perfis oficiais.

Entretanto, conforme relatado pela DPU em abril, o vídeo com o direito de resposta não foi publicado dentro do prazo determinado pela Justiça, caracterizando descumprimento da sentença.

Diante disso, o MPF solicitou a execução das multas estabelecidas, com destinação dos valores às comunidades indígenas impactadas. O órgão também pediu o bloqueio imediato das redes sociais do governador até que o conteúdo exigido pela Justiça seja devidamente publicado.

Trump “queria minha reeleição”, diz Bolsonaro

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) declarou que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Republicano), era a favor de sua reeleição em 2022. Em entrevista ao portal UOL, hoje, ele afirmou que conversaram sobre a relação entre os 2 países.

“O Brasil vivia um excelente relacionamento com os Estados Unidos”, disse. De acordo com Bolsonaro, discutiram o estabelecimento de acordos comerciais, apesar de competirem na exportação de commodities. “Tive muita conversa com o Trump. Tínhamos tudo para fazer um bom governo juntos. Ele queria a minha reeleição”.

Bolsonaro também falou sobre seu encontro com o ex-presidente dos Estados Unidos Joe Biden. Afirmou ter conversado sobre “coisas simples” com o democrata. “A gente não pode culpar porque a idade pegou”, afirmou o ex-presidente.

Questionado sobre seu estado de saúde, Bolsonaro disse estar “pronto” e que vai recomeçar suas “atividades”. Também declarou que não costuma respeitar as orientações médicas. O ex-chefe do Executivo deixou o hospital em 4 de maio depois de passar 22 dias internado, sendo 20 deles na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Foi submetido a uma laparotomia exploradora para desobstruir o intestino e reconstruir a parede abdominal. Foi sua 7ª cirurgia por complicações decorrentes da facada que levou em 2018.