OAB-PE aciona CNJ e pede efetivo acesso da advocacia ao Judiciário estadual

Em resposta às dificuldades enfrentadas pela advocacia e pelos jurisdicionados, a OAB-PE, sob a liderança do presidente Fernando Ribeiro Lins, apresentou um Procedimento de Controle Administrativo (PCA) ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) pedindo a adoção de medidas imediatas pelo Tribunal de Justiça do Estado de Pernambuco (TJPE). A ação surge após a implementação da Central Judiciária de Processamento Remoto do 1º Grau (Cenjud), cujo objetivo é a centralização e agilização no cumprimento de decisões judiciais. No entanto, a prática tem se mostrado ineficaz, gerando dificuldades no contato entre a advocacia e o Judiciário.

Segundo informações do próprio TJPE, as Diretorias de Processamento Remoto de 1º Grau deveriam funcionar diariamente, de segunda a sexta-feira, das 7h às 19h, promovendo a uniformização e padronização dos procedimentos. Na realidade, a nova sistemática tem gerado dificuldades no acesso ao Judiciário, como apontado em recente enquete realizada pela OAB-PE, que contou com a participação de mais de 1.400 advogados e advogadas de todo o estado. Na consulta, 90% dos profissionais afirmaram não conseguir contato telefônico com as diretorias, enquanto 87% relataram dificuldades para acessar os serviços por WhatsApp ou e-mail.

“A centralização tem se mostrado um retrocesso no acesso ao Judiciário Estadual. A advocacia e a sociedade não podem ficar refém de uma estrutura que não oferece os meios básicos de comunicação. O amplo acesso ao Judiciário é um direito fundamental de todos”, declarou o presidente Fernando Ribeiro Lins.

O PCA protocolado pela OAB-PE solicita que o TJPE adote, de forma imediata, as providências necessárias para garantir o pleno atendimento à advocacia e aos cidadãos, inclusive com a implementação de canais de atendimento eficazes, com prazos de resposta de até 24 horas. “Estamos firmes na defesa de uma justiça célere e acessível. O atual modelo não atende às necessidades da advocacia e prejudica o jurisdicionado”, completou o presidente.

A OAB-PE também destacou que a eficiência no serviço público deve ser uma premissa básica, conforme estabelece a Constituição Federal. A entidade reiterou que a ausência de respostas rápidas e a falta de contato com as diretorias violam o princípio da eficiência administrativa, que visa garantir uma prestação jurisdicional de qualidade com rapidez e presteza.

A OAB-PE aponta que as dificuldades enfrentadas pelas diretorias de processamento remoto não são novas, mas se intensificaram com a implantação das novas normativas do TJPE. A centralização de funções acabou por desestruturar a comunicação entre o Judiciário e a advocacia. Além dos problemas de atendimento, quase metade dos advogados e advogadas que responderam a pesquisa relataram não conseguir atendimento em plantões judiciários, tanto nos dias úteis quanto em finais de semana e feriados.

A entidade mantém reuniões quinzenais com a Presidência e a Corregedoria do TJPE, na tentativa de buscar soluções para os problemas de comunicação. Entretanto, até o momento, os esforços empreendidos pelo Tribunal não resultaram em uma melhora significativa, diz a OAB-PE.

O documento protocolado junto ao CNJ busca, além de uma correção imediata, a criação de um protocolo de atendimento objetivo, garantindo que os servidores sejam escalados de forma adequada para atender às demandas. “Nosso objetivo é garantir que a justiça estadual funcione de maneira ininterrupta, eficaz e transparente”, finalizou Fernando Ribeiro Lins.

Frente Popular ganha direito de resposta e tira mais tempo de Gilson Machado na TV

Depois de obter na Justiça a suspensão da propaganda eleitoral de Gilson Machado (PL) por 24 horas em rádio e TV, a Frente Popular do Recife, do prefeito João Campos (PSB), conseguiu, nesta segunda-feira (9), nova decisão favorável, desta vez para veicular um direito de resposta. A peça vai abordar a gestão da rede de creches da cidade, terá duração de um minuto e será veiculada na televisão, ocupando parte do tempo que seria destinado a Gilson no guia eleitoral do período diurno.

A decisão foi proferida pelo juízo da 4ª Zona Eleitoral do Recife e também mantém suspensa a veiculação de novas peças publicitárias que contenham informações inverídicas sobre o assunto, com previsão de multa de R$ 20 mil em caso de descumprimento por parte da campanha de Gilson Machado. A Justiça Eleitoral entendeu que “o candidato Gilson Machado acusa o candidato João Campos de praticar um crime, que seria a utilização de recurso público para benefício eleitoral próprio, sem que haja qualquer prova a respeito”, e, por isso, julgou procedente o pedido da Frente Popular do Recife pelo direito de resposta.

“Peço a devida vênia para divergir do voto do representante do Ministério Público Eleitoral. Embora a parte representada tenha a intenção de demonstrar a veracidade dos fatos por ela abordados, e que apenas foram realizadas críticas, utilizando-se de palavras ‘ácidas’, entendo que o conteúdo apresentado extrapola a tentativa de levar ao eleitorado uma reflexão e posicionamento crítico em relação a atual gestão”, constatou a Justiça Eleitoral.

A divulgação de informações falsas sobre as creches do Recife na campanha eleitoral já havia resultado, no domingo (8), na suspensão da propaganda de Gilson Machado, por 24 horas, em rádio e TV. Desde então, nos horários destinados às inserções do candidato, uma mensagem vem sendo exibida com o seguinte texto: “A propaganda eleitoral do candidato Gilson Machado está suspensa pelo prazo de 24 horas em consequência dos reiterados descumprimentos das determinações judiciais”. O guia eleitoral de Gilson não foi exibido nesta segunda-feira, dando lugar a essa mensagem e a informes institucionais da Justiça Eleitoral.

Tornozeleira e proibição de usar redes sociais: veja medidas que Justiça impôs para Deolane sair da cadeia

Diario teve acesso à decisão do desembargador Eduardo Guilliod Maranhão, do TJPE, que concedeu prisão domiciliar para influenciadora e negou liberdade para mãe dela

Deolane foi alvo de uma mandado de prisão preventiva na quarta-feira (4) e passou cinco dias na cadeia (Foto: Rafael Vieira/DP Foto)
Deolane foi alvo de uma mandado de prisão preventiva na quarta-feira (4) e passou cinco dias na cadeia (Foto: Rafael Vieira/DP Foto)
Beneficiada por um habeas corpus, a advogada e influenciadora Deolane Bezerra, de 36 anos, suspeita de participar de esquema de lavagem de dinheiro por meio de empresa de apostas,  deixou a cadeia no Recife, na tarde desta segunda-feira (9).
A mãe dela,  Solange Alves Bezerra, de 56 anos, presa durante mesma investigação, teve o pedido negado e seguirá na prisão. As duas alegam inocência.
O Diario de Pernambuco teve acesso à decisão do desembargador Eduardo Guilliod Maranhão, da 4ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), que acatou parte dos pedidos da defesa de Deolane e Solange.
Mãe e filha tiveram a prisão preventiva decretada na Operação Integration, deflagrada pela Polícia Civil na semana passada.
No caso de Deolane, o desembargador entendeu que a influenciadora é mãe de uma menina de 8 anos, que dependeria dela, e decidiu conceder prisão domiciliar, com uso de tornozeleira eletrônica.
A medida que beneficia mãe de menores de idade é prevista em habeas corpus coletivo concedido pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
A influenciadora também não poderá sair de casa aos finais de semana ou feriados. Além disso, o magistrado determinou outras cautelares: não se manifestar em redes sociais ou na imprensa, não ter contato com outros investigados e comparecer a todos os atos do processo para os quais for intimida.
“De fato, segundo consta dos autos, a paciente é primária, possui bons antecedentes, seu trabalho é o sustento da sua família, bem como é mãe de uma criança com 8 anos”, escreveu o magistrado, na decisão.
 
Mãe segue presa
Por sua vez, a mãe da influenciadora alegou à Justiça ser portadora de doença cardíaca. Ao analisar o habeas corpus, o desembargador entendeu não estar “configurado o iminente risco de vida” e negou a soltura.
Na investigação, Solange é suspeita de movimentar “valores acima de sua capacidade financeira, com alta fragmentação nas contrapartes e rápida evasão de recursos”.
Também estaria ligada a transações de “valores frequentemente arredondados” – entre elas, de R$ 10 mil, R$ 15 mil e R$ 20 mil.
Na delegacia, Solange declarou renda mensal de R$ 20 mil. Questionada sobre as transações, no entanto, alegou “não se lembrar” ou “não ter informações” na maioria dos casos.
Investigação
Deolane foi alvo de uma mandado de prisão preventiva na quarta-feira (4) e passou cinco dias na cadeia.
Na ordem para prendê-la, assinada pela juíza de primeiro grau, pesa contra a influenciadora o fato de ter comprado e revendido um veículo de luxo em um curto período. Os negócios envolveram uma empresa investigada no esquema.
A compra e venda rápida de um bem de alto valor é um método clássico de lavagem de dinheiro, e neste caso, a associação com a mãe de Deolane Bezerra, Solange Bezerra, apenas reforça os indícios.”
O esquema investigado envolve mais de 30 pessoas físicas e empresas. O pivô é a empresa Esportes da Sorte, com sede no Recife, com quem Deolane alega ter contratos de publicidade.
“As circunstancias concretas dos fatos narrados como crime, evidenciam a periculosidade dos réus, que conforme as informações prestadas nos autos, formam um complexo esquema de conluio criminoso (organização criminosa) destinado à prática de crimes de lavagem de capitais, ocultação de bens, sonegação de impostos, referentes aos valores provenientes da exploração ilegal dos jogos de azar, promovendo, constituindo, financiando e integrando, pessoalmente e por interpostas pessoas e empresas, organização criminosa”, registra do mandado de prisão.