Nova ministra de Lula pagou R$ 10 mil em acordo para encerrar 13 ações de improbidade em MG

A deputada estadual Macaé Evaristo (PT-MG), nova ministra dos Direitos Humanos do governo Lula (PT), assinou em 2022 um acordo de R$ 10,4 mil com o MP-MG (Ministério Público de Minas Gerais) para encerrar um conjunto de ações de improbidade administrativa.

A reportagem da Folha de São Paulo encontrou ao menos 13 processos que se referem ao seu período como secretária estadual de Educação do governo Fernando Pimentel (PT), de 2015 a 2018. As ações da Promotoria investigavam a aquisição de carteiras escolares durante o período de Macaé à frente da pasta.

Macaé também é ré na Justiça de Minas Gerais sob a acusação de superfaturamento na compra de kits de uniformes escolares quando ela era secretária de Educação de Belo Horizonte em 2011, no governo do ex-prefeito Márcio Lacerda, então no PSB.

Procurada, a assessoria da deputada afirmou que, enquanto foi secretária estadual, foram realizadas licitações para a compra de mobiliário e kits escolares, que posteriormente foram alvo de investigações do Ministério Público. Ela ainda afirmou que cumpriu todas as obrigações impostas no acordo.

“Esses processos pelos quais respondi resultaram na celebração de acordos para resolução célere e eficiente sobre questões ligadas à administração pública. Destaco ainda que sempre colaborei com a Justiça de forma engajada, reafirmando meu compromisso com a transparência, responsabilidade e defesa do interesse público”, disse, em nota.

Em uma das decisões antes de celebrado o acordo, o juiz Rogério Santos Araujo Abreu, da 5ª Vara da Fazenda Pública e Autarquias da Comarca de Belo Horizonte, determinou o bloqueio de bens de Macaé e das empresas envolvidas.

Ele também afirmou que havia “prova satisfatória de que houve o superfaturamento no contrato para aquisição de carteiras escolares” para todo o estado.

Com o acordo de não persecução civil assinado com a Promotoria, os processos contra ela foram extintos e os recursos antes apreendidos foram disponibilizados à ré.

No acordo, o MP-MG afirmou que foi comprovado no inquérito civil a ocorrência de sobrepreço na licitação e contratação de fornecimento de carteiras escolares pela secretaria.

O órgão também considera que Macaé, professora estadual de carreira e, na época, vereadora de Belo Horizonte, “não possui capacidade econômica para suportar compromissos financeiros de elevado valor, destacando-se que seu patrimônio sequer inclui a propriedade de bens móveis ou imóveis”.

O promotor Leonardo Barbabela ainda afirma que o acordo cumpre aos critérios de artigo da lei de atos de improbidade administrativa, que prevê “considerar a personalidade do agente, a natureza, as circunstâncias, a gravidade e a repercussão social do ato de improbidade, bem como as vantagens, para o interesse público, da rápida solução do caso”.

O valor de R$ 10.440,45 previsto pelo acordo referia-se à remuneração de Macaé como secretária e foi destinado ao fundo estadual do MP-MG. Procurada, a Promotoria confirmou o acordo, mas não quis comentá-lo.

Diferentemente do que ocorre na esfera criminal, as ações de improbidade não visam a prisão, mas sim o ressarcimento de recursos públicos e sanções, como a perda de função pública. Esses processos abordam, entre outros casos, situações de dano ao erário e de violação dos princípios da administração pública.

Da Folha de São Paulo.

Candidatos à Prefeitura do Recife já receberam R$ 20,5 milhões para campanhas

Por Pupi Rosenthal
Do Blog da Folha

Os candidatos à Prefeitura do Recife já informaram ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE-PE) que, juntos, já receberam poucos mais de R$ 20,5 milhões para a campanha. A origem da maioria dos recursos é o próprio fundo eleitoral administrado por cada partido.

Os dados estão disponíveis no o portal Divulgação de Candidaturas e Contas, mantido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Desde ontem, foi iniciado o prazo para que candidatos e partidos participantes das Eleições Municipais de 2024 enviarem as prestações de contas parciais das respectivas campanhas à Justiça Eleitoral. Eles devem fazer isso até a próxima sexta-feira (13).

Entre os candidatos à Prefeitura do Recife, a grande maioria já enviou as primeiras informações.

A documentação deve ser registrada no Sistema de Prestação de Contas Eleitorais (SPCE) e deve incluir todas as movimentações de dinheiro realizadas desde o começo da campanha até o dia 8 de setembro.

Montantes

Quem recebeu o maior montante até agora foi Daniel Coelho (PSD): R$ 7,8 milhões enviados pela legenda do candidato. Ele também já declarou ter realizado despesas, até agora, no total de R$ 340,9 mil.

Em segundo lugar, está Gilson Machado (PL) que declarou o recebimento de R$ 6 milhões do próprio partido. Até a publicação desta matéria, não há nenhuma informação sobre as despesas realizadas pelo ex-ministro do Governo Bolsonaro.

O atual prefeito e candidato à reeleição, João Campos (PSB), ficou em terceiro, tendo recebido R$ 4,83 milhões, também da sua legenda. João também já apresentou parte das despesas realizadas desde o início da campanha eleitoral que somaram R$ 640,7 mil.

Já a candidata Dani Portela, da Federação PSOL/Rede, recebeu R$ 1,38 milhão, divididos entre R$ 1,2 milhão do PSOL, 180 mil da Rede e R$ 5 mil repassados pela própria candidata. No portal das candidaturas, ainda não há dados sobre as despesas de Dani.

Vaquinha

Técio Teles, do Partido Novo, declarou que já entrou no seu caixa de campanha R$ 445,2 mil. Desse total, R$ 440 mil vieram da legenda. Além disso, ele arrecadou R$ 2,7 mil através de uma vaquinha eleitoral, além de um contribuinte pessoa física. Os gastos do candidato até agora somam R$ 27,18 mil.

Indicada pelo PSTU, Simone Fontana informou que o seu caixa de campanha conta com R$ 75,4 mil oriundos do partido. Não consta ainda relatório de gastos da candidata.

No caso de Ludmila Outtes (UP), o único registro de recebimento foi de R$ 199 doados por ela própria. E Victor Assis do PCO não repassou qualquer informação na área de contas de campanha.

Operação apura suspeitas de fraudes em licitações e contratos em prefeitura do Sertão de Pernambuco

A Polícia Federal, com o apoio da Controladoria-Geral da União (CGU), deflagrou, nesta terça-feira (10), a Operação Mãos Fechadas, com a finalidade de investigar crimes contra a administração pública e lavagem de dinheiro no Sertão de Pernambuco. Os suspeitos são agentes públicos, servidores, empresários e particulares.

Estão sendo cumpridos 12 mandados de busca e apreensão nos municípios pernambucanos de Ipubi e Bodocó, além de medidas como quebra de sigilos bancário e fiscal, afastamento parcial do exercício de função pública e impedimento de contratação com a prefeitura investigada.

Na ação, foram empregados 50 policiais federais e três auditores da CGU.

As investigações tiveram início em 2021, a partir do recebimento de informações de que empresas específicas, relacionadas a agentes públicos locais, estariam sendo beneficiadas indevidamente, e habitualmente, com contratações para o fornecimento de alimentos, materiais de limpeza e de escritório à Prefeitura.

O trabalho de apuração abrange contratos públicos firmados entre os anos de 2017 e 2023, por meio dos quais foram repassados às empresas investigadas aproximadamente R$ 12 milhões.

Os crimes investigados têm previsão de penas máximas, que podem ultrapassar 42 anos de reclusão.

O nome da operação é uma alusão ao comportamento de “reter” os recursos para determinadas pessoas escolhidas e indicadas.

A metáfora “mãos fechadas” remete à ideia de retenção ou apropriação ilícita dos recursos.

Do Diario de Pernambuco.