Morre Alberto Fujimori, ex-presidente do Peru, aos 86 anos

Morreu ontem aos 86 anos o ex-presidente peruano Alberto Fujimori confirmou. Ele lutava contra um câncer na língua.

“Após uma longa batalha contra o câncer, nosso pai, Alberto Fujimori, acaba de partir para o encontro com o Senhor. Pedimos a quem o apreciou que nos acompanhe com uma oração pelo eterno descanso de sua alma. Obrigado por tudo, papai!”, anunciaram os filhos Keiko, Hiro, Sachie e Kenji Fujimori nas redes sociais.

Fujimori governou o Peru entre 1990 e 2000, e com apenas dois anos de mandato aplicou um autogolpe dissolvendo o Congresso do país. Ele passou a controlar o país e contava com o apoio de 80% da população do Peru e das Forças Armadas.

O ex-presidente foi preso duas vezes após deixar à presidência por crimes contra humanidade, além de receber acusações de corrupção e abusos dos direitos humanos. A condenação ocorreu em 2009, quando ele foi sentenciado a 25 anos de prisão por dois massacres contra civis perpetrados por um esquadrão do Exército peruano no início da década de 1990. Ele ficou preso por 16 anos.

Fujimori foi liberado da prisão em 2023, após uma decisão do Tribunal Constitucional do Peru. Ele tratava de um câncer na língua e estava sob cuidados médicos na casa de uma das filhas.

Do Correio Braziliense.

Túlio Gadêlha pede escolta armada e aciona a Polícia Legislativa após ameaças

O deputado federal Túlio Gadêlha (Rede-PE) acionou a Polícia Legislativa Federal e a presidência da Câmara dos Deputados ontem, após receber uma série de ameaças — a maioria delas, contra a sua integridade física. O parlamentar requer que seja concedida escolta armada para protegê-lo.

Gadêlha se tornou alvo de ataques após discursar na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa contra o projeto de lei que trata da anistia aos condenados pelos atos do 8 de janeiro. A sessão era acompanhada por bolsonaristas e por familiares de pessoas presas por causa do episódio.

O deputado disse lamentar que os envolvidos nos ataques às sedes dos Três Poderes tenham sido usados por terceiros e que agora suas famílias sofram as consequências. “Eu fico com o coração partido quando olho essas senhoras, quando vejo aqui placas [dizendo] ‘liberdade ao meu esposo Jorginho’”, afirmou.

“Essas pessoas que estavam lá foram presas por tentativa de golpe de Estado. Agora, esses deputados que estão aqui estimularam [os ataques]”, acrescentou, sendo interrompido por gritos de Edjane Duarte, viúva Cleriston Pereira da Cunha, réu do 8 de janeiro que morreu no Complexo Penitenciário da Papuda.

“A culpa é desses colegas que estimulam, minha querida”, rebateu Túlio, ainda sob protestos da viúva e de outros colegas de Câmara.

Vídeos do bate-boca foram replicados nas redes sociais por parlamentares e por perfis bolsonaristas, e uma série de mensagens com ameaças começaram a ser enviadas para o WhatsApp funcional e para o email do gabinete do deputado da pernambucano.

“Contrata segurança que o pau vai torar”, “gastaria meu réu primário com muito orgulho e te mandava para o colo do capeta”, “tu merece umas porradas nessa cara de veado”, “tua hora vai chegar’”, “você deveria levar um pau e ser quebrado no meio da rua. Quem sabe isso acontece”, dizem alguns dos textos.

O parlamentar afirma que essa é a primeira vez em que faz um pedido por segurança e que a gravidade das ameaças são inéditas para ele. Túlio ainda diz estar se sentindo inseguro.

“A gente não dispõe de nenhuma proteção, e as pessoas estão muito à flor da pele quando se discute política e polarização”, afirma o deputado à coluna. “Existe um sentimento de insegurança, mas também o sentimento que a gente precisa combater a desinformação”, completa.

O parlamentar diz que não faria nenhum reparo ao seu discurso na CCJ e que as ameaças que tem recebido reforçam a importância de que as pessoas tenham mais consciência política —para ele, lideranças da extrema direita são vistas como “grandes líderes espirituais” por uma parcela de seguidores.

“O que eu acho de mais absurdo e covarde é ver que esses caras manipulam essas famílias. Eles são os grandes culpados pelo que aconteceu, mas não são eles que pagam esse preço”, diz o parlamentar.

“A extrema direita tem utilizado essas mulheres e essas famílias politicamente para jogá-las contra outros parlamentares. Como se nós fôssemos responsáveis pela prisão desses que atentaram contra a democracia”, segue.

“Essas pessoas que chegam aqui, chegam completamente desinformadas, alheias ao que está acontecendo na política, ao que as leis determinam, e acreditam que tudo isso é perseguição política. Isso é muito triste”, completa.

Túlio ainda afirma que é preciso discutir com profundidade o papel de plataformas digitais em democracias e no Brasil. “Esse ambiente não pode se perpetuar como ambiente de desinformação, de ódio, de ataque a reputações.”

As ameaças foram registradas em boletim de ocorrência junto ao Departamento de Polícia Legislativa Federal.

Ao presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), o deputado requereu “veemente investigação, apuração e incriminação de todos aqueles que estiverem desferindo quaisquer ameaças contra mim e meus familiares”.

Da Folha de São Paulo.

Boulos fica 6 anos sem ser encontrado pela Justiça e processo prescreve

“Melancolicamente se trabalhou pela confecção da Justiça, mas o criminoso conseguiu fugir por manobra jurídica, de modo muito semelhante a outro personagem mais famoso que pretende ser o mandatário maior. Muito triste e lamentável esta constatação.”

O desabafo do promotor João Carlos de Camargo Maia, membro do Ministério Público paulista, está em um documento no qual é obrigado a reconhecer a extinção da ação movida contra o hoje candidato à Prefeitura de São Paulo Guilherme Boulos (PSOL) por acusação de dano ao patrimônio público. O documento é de 5 de outubro de 2022.

Segundo Maia, uma prescrição obtida por meio de “alto investimento em escritórios, chicanas jurídicas, fuga de oficiais de Justiça, recursos mirabolantes, habeas corpus”.

Já o advogado Alexandre Pacheco Martins, da defesa de Boulos, afirma que é injusto culpá-lo pelos erros do Ministério Público.

O defensor afirma que o hoje deputado avisou durante seu depoimento que mudaria de residência (de Osasco para o bairro paulistano de Perdizes), indicando o novo local, e que, no processo, constam telefones dos advogados, sendo que esses nunca foram procurados para ajudar a localizá-lo.

“Só procuraram o Boulos em endereços sem sentido. Ele trabalhava na Faculdade Mauá e foram no Instituto Mauá. O inquérito ficou jogado por anos. Não teve tentativa nenhuma de escapar, o Boulos nem sabia do processo nesses seis anos. Foi o Ministério Público que abusou do direito de errar”, diz o advogado.

Boulos foi processado por envolvimento no episódio conhecido como a desocupação do Pinheirinho, em janeiro de 2012, quando foi preso em flagrante sob a suspeita de ter atirado pedra contra uma viatura da Guarda Municipal de São José dos Campos (SP) e incitado famílias desalojadas a danificarem o ginásio de esportes da cidade, onde ocorria atendimento oferecido pelo município.

O agora candidato, que na ocasião se apresentou como professor universitário da Faculdade de Mauá, foi solto após fiança de R$ 700. Em depoimento, Boulos negou ter danificado ou provocado alguém para destruir patrimônio público e disse ter sido agredido por guardas.

A desocupação do Pinheirinho, uma das ações mais violentas da PM nessa área, chegou à campanha do psolista na semana passada, com uma versão de Boulos sobre a participação dele no episódio. Em vídeo, ele diz ter ficado por um tempo na delegacia e que o processo foi extinto.

Isso de fato ocorreu, mas passou por um longo caminho.

Em nota, Boulos disse se tratar de caso de ineficiência da Justiça, no qual foi o mais prejudicado ao ser processado por anos sem conhecimento. “Guilherme Boulos nunca foi condenado a cumprir sentença e jamais fugiu da Justiça”, afirma.

“No processo em questão, ele apenas foi notificado em 22 de abril de 2019, devido a uma sucessão de erros do promotor responsável, que indicou endereços incorretos para efetuar a intimação, sem verificar os documentos que já estavam juntados aos autos”, diz ainda a nota.

Conforme processo ao qual a Folha teve acesso, a Promotoria denunciou Boulos em 27 de maio de 2013, ação aceita pela Justiça em junho do mesmo ano. Ele foi denunciado sob acusação de crime de dano qualificado ao patrimônio público, com pena máxima prevista de três anos de detenção.

Em 2 de setembro de 2012, a Justiça já havia mandado citar Boulos. No endereço fornecido por ele à polícia, em janeiro daquele ano, em Osasco, ninguém foi encontrado.

Da Folha de São Paulo.