Rousseau era um canalha, Marx pegava dinheiro dos outros e era muito ingrato. Por Luiz Felipe Pondé – Folha de São Paulo

Paul Johnson, o intelectual que criticava os intelectuais

Por Luiz Felipe Pondé
Folha

Paul Johnson foi um traidor do campo progressista, migrando para posições conservadoras com o passar do tempo. Jornalista e historiador amador britânico, livre-pensador, Johnson escreveu, entre outros títulos, “Intelectuais, de Marx e Tolstói a Sartre e Chomsky”, publicado em 1988, que é uma pérola de ironia sobre certos intelectuais que tiram das suas cabeças receitas radicais de como a humanidade deveria ser.

Qual a sua definição de intelectual? Um arrogante que julga ruim tudo o que houve antes dele e que, a partir de suas brilhantes ideias, salvará o mundo. E mais —têm dissociação psíquica. Normalmente “amam a humanidade, mas detestam seus semelhantes”, máxima de Edmund Burke, britânico do século 18.

GRANDE DÚVIDA – O que é um conservador? Talvez um dos maiores equívocos quanto ao mundo das ideias, um conservador não é alguém que berra, necessariamente, contra a escolha de realizar a interrupção voluntária da gravidez ou que lambe as botas de Jair Bolsonaro.

É bem mais complicado do que isso. Talvez seja essa mesma complicação que torna a inteligência pública média tão incapaz de acompanhar o raciocínio de quem tem uma “disposição conservadora”, como dizia Michael Oakeshott, filósofo, também britânico, do século 20.

Tal disposição pode “evoluir” ao longo da vida ou da carreira profissional para diferentes posições políticas ou morais. Pode tornar-se nostálgico de um passado que nunca existiu —adentrando um território de clara contaminação romântica.

RESISTENTE – O conservador pode tornar-se um resistente furioso incapaz de perceber que mudanças são inevitáveis, principalmente na modernidade, que só existe enquanto despreza a si mesma na duração do seu tempo histórico —todo o passado não vale nada para os modernos.

Pode tornar-se um “tory anarchist” —anarquista conservador, no jargão britânico—, como dizia de si o escritor, também britânico, George Orwell, na primeira metade do século 20.

Pode tornar-se alguém que valoriza o hábito como forma de reconhecer o fato inegável de que nossos ancestrais, imperfeitos como sempre, foram capazes de nos legar um mundo, coisa que talvez não consigamos fazer. Essa posição específica foi típica de céticos como o britânico David Hume, no século 18.

POLÍTICA E MORAL – O ceticismo, politicamente, deságua em posições políticas conservadoras devido ao fato que a disposição conservadora se alimenta de uma dúvida epistêmica profunda com relação às especulações da razão política e moral. O intelectual conservador duvida, acima de tudo, fato este absolutamente desconhecido pela inteligência pública média, que nesse assunto, é de uma estupidez ruidosa.

Parafraseando o brilhante historiador austríaco, radicado no Reino Unido, no século 20, Tony Judt, “um intelectual liberal é alguém que ama a imperfeição”. Eu diria o mesmo do intelectual conservador.

Tanto os liberais quanto os conservadores partilham desse “amor” à imperfeição porque temem a perfeição buscada pelos “progressistas” como sendo movida, a priori, por uma intenção de violência, mau-caratismo e arrogância.

PROGRESSISTAS – No livro “Intelectuais”, Johnson disseca a personalidade de vários intelectuais “progressistas”, revelando sua hipótese de fundo, que as ideias de alguém são fruto, na verdade, de sua personalidade —diria Oakeshott, de sua disposição.

Vale dizer que o problema desse tipo de intelectual “progressista” é sua presunção de bondade de alma. Isso os põe a perder porque toda bondade autopresumida é sempre falsa. Essa vaidade moral escondia personalidades mentirosas, cruéis e antissociais.

Rousseau era um canalha, Marx um porco que vivia pegando dinheiro dos outros e sendo ingrato, Ibsen um feminista “fake” que odiava mulheres reais, Tolstói um monstro de arrogância, Hemingway um mentiroso contumaz, Brecht um oportunista.

BUSCA DA VERDADE – O caso da escritora Lilian Hellman —interpretada por Jane Fonda no filme “Julia”, falsamente autobiográfico—, stalinista, uma mentirosa pior do que Hemingway, chama a atenção. Johnson se pergunta:

“Até que ponto os intelectuais como classe esperam e exigem a verdade por parte daqueles que eles admiram?”.

Ao final, ele cita Orwell como um intelectual íntegro. O traço de integridade, para Johnson, nesta profissão, é a busca da verdade, nunca a vaidade, a ideologia ou querer agradar o público. No século 21, os vícios apontados por Johnson pioraram muito.

Poupada: Marta Suplicy é a vice menos presente em agendas

De 110 agendas de Boulos, petista esteve ao lado dele em apenas 10, segundo portal

Marta Suplicy Foto: Pedro França/Agência Senado

A ex-prefeita de São Paulo e candidata a vice-prefeita de São Paulo na chapa encabeçada pelo deputado federal Guilherme Boulos (PSOL), Marta Suplicy (PT) estaria sendo poupada pelo núcleo duro da campanha do pesolista.

Apesar de suas raras aparições públicas ao lado de Boulos, Marta Suplicy é vista como um ativo importante da campanha dele a fim de conquistar votos nas classes.

De 110 agendas de Boulos, excluindo entrevistas e sabatinas, Marta esteve ao lado dele em apenas 10.

Segundo a campanha, a petista cumpre agendas paralelas como parte da estratégia de ampliar a “capilaridade” da chapa pela cidade.

Para Boulos, a chapa com Marta representa “a união da coragem com a experiência”.

Alguns aliados disseram que, aos 79 anos, a petista não tem condições físicas de acompanhar Boulos em todas as agendas, priorizando plenárias, carreatas e atos fechados, que exigem menor esforço físico. As informações são do Metrópoles.

Missão da SpaceX para resgatar astronautas no espaço decola hoje

Espaçonave irá com dois assentos vazios para receber Suni Williams e Butch Wilmore

Nick Hague e Alexandre Gorbounov Foto: EFE/EPA/CRISTOBAL HERRERA-ULASHKEVICH

Empresa do bilionário Elon Musk, a SpaceX lança neste sábado (28) uma missão para trazer de volta à Terra junto à Nasa os dois astronautas que ficaram “presos” no espaço. Para isso, a espaçonave Crew Dragon irá com dois assentos vazios, a fim de receber Suni Williams e Butch Wilmore no retorno à Terra.

A missão chama-se Crew-9 e terá como tripulantes o astronauta da Nasa Nick Hague e o cosmonauta russo Alexandre Gorbounov. Apesar de embarcarem neste sábado, a volta está prevista para fevereiro do próximo ano.

Williams e Wilmore estão há meses na Estação Espacial Internacional (ISS) após o sistema de propulsão do foguete Falcon 9 apresentar falhas, as quais a NASA julgou como arriscadas para as vidas dos astronautas em um possível retorno. A principal dúvida era se a Starline conseguiria ter impulso suficiente para sair de órbita e chegar à Terra.

Butch Wilmore e Suni Williams Foto: Frame de vídeo / YouTube / Nasa

Após semanas de testes, a agência espacial norte-americana decidiu trazê-los de volta na missão da SpaceX, que já estava prevista para acontecer, até então com quatro passageiros, o que teve de ser revisto a fim de dar espaço a Williams e Wilmore. Dessa forma, as tripulantes Zena Cardman e Stephanie Wilson foram excluídas da missão.

Outra mudança foi que a Crew-9 ocorreria em agosto deste ano, mas acabou adiada para dar mais tempo para a Nasa analisar o caso. O furacão Helene que pôs a Flórida em alerta nesta semana também ocasionou em mais um adiamento.

A expectativa é de que Hague e Gorbounov permaneçam cinco meses na Estação Espacial Internacional. Junto de Wilmore e Williams, eles devem realizar aproximadamente 200 experiências científicas.

Administrador associado da Nasa, Jim Free disse nesta sexta-feira (27) em coletiva de imprensa que esse é um “lançamento único” e agradeceu à SpaceX pelo “apoio e flexibilidade”.