Moraes se curva diante da lei e aceita que Silveira passe para o semiaberto

Daniel Silveira é preso menos de 24 horas após encerrar mandato - Money  Report

Silveira ficou preso ilegalmente durante vários meses

André Richter
Agência Brasil

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou nesta segunda-feira (7) o ex-deputado federal Daniel Silveira a progredir para o regime semiaberto de prisão. Nesse regime, o preso pode deixar o presídio para trabalhar durante o dia e deve retornar à noite.

Silveira foi condenado pelo STF a oito anos e nove meses de prisão pelos crimes de tentativa de impedir o livre exercício dos poderes e coação no curso do processo ao proferir ofensas e ameaças contra os ministros da Corte.

EXECUÇÃO DA PENA – Em maio do ano passado, Moraes determinou a execução imediata da pena de Daniel Silveira. A medida foi tomada após o Supremo anular o decreto de graça constitucional concedido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro ao então deputado federal para impedir o início do cumprimento da pena.

Na decisão proferida hoje, Moraes entendeu que Silveira preenche os requisitos legais para progressão de regime prisional. O ministro também ressaltou que a medida contou com parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR).

“Diante do exposto, defiro a progressão para o regime semiaberto ao sentenciado Daniel Lúcio da Silveira e determino à Secretaria Estadual de Administração Penitenciária do Estado do Rio de Janeiro, a adoção das providencias cabíveis para a realização de sua transferência para colônia agrícola, industrial ou estabelecimento similar”, decidiu. O pedido de progressão foi feito pela defesa de Silveira. Para os advogados, o ex-parlamentar estava preso ilegalmente além do prazo legal para progressão.

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NOTA DA REDAÇÃO
– Parabéns à Procuradoria-Geral da República, que não aceitou que Moraes continuasse mantendo Daniel Silveira ilegalmente na prisão. Ele deveria ter progredido para o regime semiaberto já vários meses. Em julho, os advogados fizeram o primeiro pedido a Moraes, que desde então vem inventando uma série de exigências que nada têm a ver com o benefício previsto em lei. A Procuradoria estão passou a insistir, alertando Moraes para a ilegalidade que estava cometendo ao manter na prisão um detento com ótimo comportamento e que já tem convites para trabalhar. Demorou até Moraes se curvar diante da lei. (C.N.)

Da janela do apartamento de Tom, podia se ver o Corcovado e sonhar…

A Felicidade - Tom Jobim e Vinícius de Moraes | Letra e Musica

Tom com Vinicius, seu maior parceiro

Paulo Peres
Poemas & Canções

Antonio Carlos Jobim expressa na letra de “Corcovado”, título de uma de suas mais famosas canções, um retrato do Rio de Janeiro visto da janela onde morava Tom, em Ipanema, na Rua Nascimento Silva, 107, de onde se podia avistar o Corcovado e se podia sonhar em encontrar um grande amor e, consequentemente, fazê-lo conhecer o que é a felicidade, depois de sonhos, tristezas e descrenças deste mundo.

A música “Corcovado”, estilo bossa-nova, foi gravada por Nara Leão, em 1985, pela PolyGram.

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CORCOVADO
Tom Jobim

Um cantinho, um violão
Esse amor, uma canção
Pra fazer feliz a quem se ama

Muita calma pra pensar
E ter tempo pra sonhar
Da janela vê-se o Corcovado,
O Redentor que lindo!

Quero a vida sempre assim
Com você perto de mim
Até o apagar da velha chama

E eu que era triste
Descrente deste mundo
Ao encontrar você eu conheci
O que é felicidade meu amor

Na era da impaciência e da vingança, recomenda-se a volta do misticismo

Para aliados, Alexandre de Moraes não apressará decisão sobre o X | Blogs | CNN Brasil

Moraes precisa se livrar desse sentimento de vingança

Vinicius Mota
Folha

Drogas sintéticas, apostas online, pornografia, guloseimas ultraprocessadas, influenciadores hedonistas, memes, mensagens, fofocas. A oferta de elementos que perturbam a atenção e dificultam o autocontrole nunca foi tão copiosa. Na arena política, para lidar com os efeitos colaterais dessa hiperdisponibilidade, debate-se regular as bets, proibir celulares em escolas, disciplinar o acesso a certos medicamentos e alimentos, bem como a sua propaganda. Nações avançadas discutem até onde deveria ir a liberalização das drogas.

No terreno da conduta pessoal, a pandemia de distratores estimula, como resposta, ideias e práticas que remontam ao misticismo claustral. Afinal, o sacolejo do smartphone abala o equilíbrio de muita gente, mas não o de um monge.

PAPA GREGÓRIO – As circunstâncias eram outras quando, de 590 a 604, pontificou Gregório, o primeiro papa oriundo do monasticismo. Os desafios à igreja e à população romanas estavam mais para a privação e o risco de aniquilação do que para a abundância.

Talvez por isso a paciência, tema de uma das suas homilias, traduz-se como a arte de tolerar desaforos e os mais ásperos reveses da vida e, ainda por cima, amar os autores das pancadas. Quem remói desejos de desforra, mesmo que não a pratique, destrói a verdadeira paciência, a que reside no coração e conduz ao aprendizado, segundo esse doutor da igreja.

“Pela vossa paciência ganhareis posse das vossas vidas”, diz Jesus aos apóstolos logo após adverti-los das desgraças por vir. Esse trecho do evangelho de Lucas, abordado na pregação de Gregório, dá uma pista para entender a revalorização do ascetismo nos dias de hoje, seja em vertentes religiosas, seja em apropriações agnósticas.

NÃO SE VINGAR – A paciência gregoriana não se confunde com um estado de espera. É um mergulho consciente e concentrado em atividades mentais e físicas de formação e preparo interior. A recomendação de não se vingar dos algozes e de perdoá-los ensina que existe uma resposta mais apropriada para as ofensas.

Os cristãos, como Gregório, almejam a salvação da alma após a morte. Mas a ideia por trás de uma resposta apropriada a um agravo pode muito bem ser a da Justiça, que repele a lei de Talião em nome de formas civilizadas de aferir as culpas e distribuir as penas. No plano individual, a ascese promete interpor um mediador sagaz entre nossos impulsos primitivos e a nossa reação final.

Tomar as rédeas da própria vida em meio à chuva de meteoros que nos distrai ou nos machuca requer um disciplinamento para, muitas vezes, recusar o caminho mais prazeroso e suportar dissabores em nome de uma recompensa futura e incerta —que pode ser a graça divina, para o crente, ou uma aposentadoria confortável e saudável, para o materialista previdente.

VIDA E MORTE – O domínio das emoções pode fazer a diferença entre a vida e a morte. Experimentos da pesquisadora e oficial da reserva da PM paulista Tânia Pinc sugerem que técnicas de modulação da frequência cardíaca através do controle da respiração — o que lembra exercícios de monges — melhoram o desempenho de policiais em abordagens de suspeitos armados.

No best-seller “A Geração Ansiosa”, que impulsiona a discussão sobre restringir o acesso de crianças e adolescentes às redes sociais, o psicólogo norte-americano Jonathan Haidt, ateu, dedica um capítulo a elogiar práticas herdadas de tradições religiosas, como a meditação silenciosa, a sacralização do tempo e do espaço, os movimentos sincrônicos e coletivos dos cultos e o incentivo ao perdão. Haidt as considera antídotos contra aspectos deletérios das novas tecnologias.

A conectar todos esses pontos, aparece a ideia de que o indivíduo alcança mais felicidade, conforto e instrução se relativizar a sua importância no mundo, harmonizar-se com a ordem cósmica, aceitar o inevitável, ignorar as ilusões do pensamento e concentrar a atenção no que é importante e pode ser modificado pela sua ação diligente e tempestiva.