Número de prefeituras da esquerda despenca em 12 anos e desafia partidos

O PT voltou à Presidência da República com a vitória de 2022, mas o número de prefeituras conquistadas agora pelo partido está longe de alcançar o que foi no passado, e as demais siglas de esquerda também viram a capilaridade nos municípios reduzir ao longo dos anos.

De 2012 para cá, o volume de cidades comandadas no País pelas principais legendas do campo caiu pela metade — resultado que suscita o debate sobre valores do eleitorado e os dilemas da esquerda. Na esteira do recado das urnas, até o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reconheceu na sexta-feira que é preciso “rediscutir” o papel eleitoral do PT.

No Brasil de 12 anos atrás, o governo Dilma Rousseff desfrutava de alta popularidade, e as emendas parlamentares ainda não tinham reconfigurado a dinâmica política entre congressistas e prefeituras. As ruas também não davam sinais da eclosão que aconteceria em junho de 2013 e transformaria o debate nacional. Com as urnas fechadas, PT, PDT, PSB, PCdoB e PSOL fizeram juntos 1.468 prefeitos, a maior parte pelos petistas. Na semana passada, foram 724. O montante é menor do que o que PSD, campeão de prefeituras, conquistou sozinho: 878.

“Houve um erro de leitura, como se a vitória do Lula fosse uma revanche do PT. Não foi. Muitos eleitores do Lula são conservadores”, afirma o jornalista Thomas Traumann, ex-ministro da Secretaria de Comunicação e autor do livro “Biografia do Abismo”, sobre a polarização brasileira.

Thomas reforça que “o Lula é muito maior que a esquerda. Na eleição de São Paulo, isso fica claro com o percentual de transferência de votos dele para o Guilherme Boulos. Boa parte dos eleitores do Lula não se vê no Boulos”.

Novos anseios

Ao derrotar, com ares de frente ampla, um rejeitado Jair Bolsonaro (PL) há dois anos, parte da esquerda considerou que os valores caros a esse lado do espectro político haviam prevalecido, quando na verdade a sociedade permaneceu conservadora. Não se trata de uma “jabuticaba”, aponta Traumann, e sim de um fenômeno que o campo progressista enfrenta em vários países. No Reino Unido, os trabalhistas voltaram ao poder depois de 14 anos ao redirecionar o discurso para temas do dia a dia da população, deixando para trás uma fase marcada pelas pautas identitárias.

“Os partidos de esquerda não responderam a uma série de questões, como o novo mercado de trabalho ou como conseguir defender direitos das minorias sem que isso pareça ameaça aos valores de uma parcela da população”, avalia.  “Agora que não tem mais o fantasma Bolsonaro, as coisas voltam mais ou menos ao normal, e todos os problemas que a esquerda enfrentou em 2016, 2018, 2020 e 2022, com exceção da vitória do Lula, voltam à tona”, complementa.

No caso do PT, até houve um aumento no número de prefeituras de quatro anos para cá, mas muito tímido: de 183 para 248. Também não foram conquistadas capitais, e a aposta está agora nas quatro eleições com segundo turno que o partido ainda disputa em Fortaleza, Goiânia, Natal e Porto Alegre.

As eleições municipais de domingo passado tiveram índice recorde de reeleição: 81%. Reflexo, em parte, da bonança de prefeituras irrigadas por emendas parlamentares. Se a eleição de 2020 já havia sido desfavorável à esquerda, a deste ano foi de manutenção do que já está posto — e a esquerda quase não faz parte desse cenário.

Em outra frente, com a entrada em cena de pautas alheias às que costumam conduzir eleições majoritárias, os partidos se encontram numa encruzilhada. A direita se sai melhor quando a polarização é alimentada, dada a ressonância de ideias conservadoras no eleitorado. É mais nas demandas “reais” da população, e menos na ideologia, que a esquerda deveria se concentrar, avalia o fundador do instituto Locomotiva, Renato Meirelles.

Diante de um Brasil que passou a alimentar valores empreendedores, com mudanças nas relações de trabalho, criou-se um descompasso entre os partidos progressistas e a população, um caldo cultural também temperado pelas igrejas neopentecostais.

Se os caminhos passam por aí, o partido do presidente Lula tem um exemplo bem-sucedido em Contagem, Região Metropolitana de Minas Gerais. É de lá a prefeita petista que mais governa pessoas no País, Marília Campos, que assumiu o posto depois que o partido, em 2020, ficou sem capitais pela primeira vez na história. Agora, Marília foi reeleita em primeiro turno com 60%, apesar de Bolsonaro ter vencido Lula por mais de dez pontos de diferença na cidade em 2022.

Psicóloga, a prefeita ajudou a fundar o partido na região, mas hoje não poupa críticas à forma como a sigla tem se comportado

Vencedora com uma aliança que reuniu 14 partidos, Marília diz que chegou a registrar 80% de avaliação positiva na prefeitura e que, se fosse de um partido de centro, possivelmente converteria todo esse percentual em votos. Como é petista, mesmo parte de quem vê a gestão com bons olhos não quis apertar o 13.

A fim de sair da encruzilhada, a prefeita prega um discurso mais “municipalista” e “universalista” à legenda.

“O PT tem hoje uma predominância do discurso identitário, que faz com que dispute apenas uma bolha. É pouco universal. Diria também que, como não faz um discurso universal, que dispute o cidadão comum com seus problemas no transporte, na saúde, no território onde vive, o partido faz esse voto ser disputado ou pelo centro ou ficar muito refém dos votos conservadores, das igrejas”, afirma a eleita.

Do O GLOBO

O Nordeste e a sua importância para o Brasil

Raquel Kirlien*

O Brasil é rico em diversidade cultural e belezas naturais, com o Nordeste se destacando por seu charme singular. A região atrai cada vez mais pessoas em busca de qualidade de vida, combinando lindas paisagens, clima ensolarado e uma cultura vibrante. Escolher a cidade ideal para viver pode ser um desafio, portanto, vamos explorar algumas das melhores opções que o Nordeste oferece.

Recife, conhecida por sua rica história e cultura, é também sinônimo de modernidade e desenvolvimento. Com um Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de 0,772, a cidade se destaca por sua excelente infraestrutura urbana e serviços de qualidade. Segundo o Ranking Connected Smart Cities de 2021, Recife está entre as 30 cidades mais inteligentes do Brasil, destacando-se nas áreas de tecnologia e inovação.

A cidade oferece um equilíbrio entre a vida urbana moderna e as belezas naturais, com manguezais e praias deslumbrantes. A cultura vibrante de Recife, impulsionada por eventos como o Carnaval e o São João, proporciona experiências culturais únicas para seus habitantes.

Salvador, primeira capital do Brasil e conhecida como “Terra da Alegria”, desempenha um papel crucial na economia nordestina, possuindo o maior PIB do Estado da Bahia. Com um IDH de 0,759, Salvador combina sua importância econômica com um patrimônio cultural rico e diversificado.

A cidade é famosa por suas festividades, arquitetura colonial e praias que atraem turistas de todo o mundo. Aos que aqui vivem, Salvador oferece um ambiente acolhedor com uma forte identidade cultural e uma vida social ativa.

Lauro de Freitas: Tranquilidade perto da metrópole

localizada na Região Metropolitana de Salvador, Lauro de Freitas atrai aqueles que buscam uma vida mais tranquila, mas que desejam a proximidade de uma grande cidade. A apenas 20 minutos do aeroporto de Salvador, a cidade oferece belíssimas praias e uma ampla gama de serviços, garantindo conforto e bem-estar aos seus residentes.

Com infraestrutura de qualidade, incluindo shoppings, universidades e hospitais, Lauro de Freitas promete uma vida prática e prazerosa, sem perder o contato com as belezas naturais típicas do litoral baiano.

Fortaleza: Desenvolvimento e Tradição

Uma das cidades mais desenvolvidas do Nordeste, Fortaleza apresenta uma excelente qualidade de vida com sua infraestrutura moderna. A cidade, famosa por sua vibrante vida noturna, faz da Avenida Beira-Mar um ponto convergente de cultura e lazer.

A presença de feiras, restaurantes e uma diversificada oferta cultural faz de Fortaleza um local dinâmico e atraente não apenas para turistas, mas também para aqueles que buscam um local para se estabelecer.

Natal, capital do Rio Grande do Norte, é reconhecida por seu equilíbrio entre desenvolvimento urbano e preservação ambiental. A cidade é um verdadeiro paraíso natural com suas praias e dunas que compõem paisagens impressionantes.

Ela se destaca como um lugar propício para quem procura qualidade de vida, oferecendo desde modernos centros comerciais até aconchegantes áreas residenciais, sempre mantendo a hospitalidade típica nordestina.

Outras Cidades em Destaque

Além das capitais, cidades como São Luís, João Pessoa, Aracaju, e Teresina também oferecem ótimas condições de vida, com infraestrutura adequada e uma rica herança cultural. Estas cidades são destinos igualmente atrativos para quem busca qualidade de vida no Nordeste.

Viver no Nordeste brasileiro é, sem dúvida, uma experiência enriquecedora, com cada cidade oferecendo seu próprio atrativo único. Qualquer que seja a escolha, as melhores cidades do Nordeste têm muito a oferecer para aqueles que desejam chamar essa região de lar.

*Jornalista da Tupi FM

Breve apontamentos sobre o uso do PIX nas eleições

Por Delmiro Campos*

Desde sua implementação pelo Banco Central do Brasil em novembro de 2020, através da Resolução BCB nº 1 e da Instrução Normativa BCB nº 20, o PIX revolucionou o sistema financeiro nacional. Surgiu como uma resposta à necessidade de modernização e inclusão financeira, permitindo transferências instantâneas e gratuitas a qualquer hora do dia. Essa inovação tecnológica rapidamente se integrou ao cotidiano dos brasileiros, alterando o perfil do mercado financeiro, inclusive no mercado informal.

No entanto, essa eficiência trouxe preocupações no âmbito eleitoral. Relatos, especialmente no interior do estado de Pernambuco, apontam para o uso do PIX como meio de compra de votos. A velocidade e a discrição dessas transações complicam a fiscalização imediata, ainda que a rastreabilidade inerente às operações possa fornecer pistas mínimas para investigação.

Para quem vem desejando enveredar cenários de judicialização em torno do assunto, importante destacar que assim como as Ações de Investigação Judicial Eleitoral (AIJEs), as Representações Eleitorais em decorrência do 41-A (captação ilícita de votos) exigem um conjunto probatório robusto (provas concretas e detalhadas), como destacado de forma reiterada pelo Tribunal Superior Eleitoral, afinal, a procedência de ações do estilo implicam a cassação do registro ou do mandato do(a) representado(a) vide Ac. de 25/4/2024 no RO-El n. 060187290.

A modernização tecnológica, representada pelo PIX, é um avanço inegável, mas também impõe desafios na fiscalização de crimes eleitorais. A compra e venda de votos é uma grave violação à Lei das Eleições nº 9.504/1997, sujeitando os infratores a penalidades severas, razão porque é fundamental que a Justiça Eleitoral, em colaboração com instituições financeiras, adote mecanismos eficazes de controle e rastreamento dessas operações.

É imperativo que a inovação tecnológica não seja deturpada, comprometendo a integridade do processo eleitoral. A sociedade e as instituições devem estar atentas para garantir que o PIX sirva ao desenvolvimento do país, preservando o respeito às leis eleitorais.

*Advogado