Lula ainda tem risco de sangramento intracraniano e deve repetir exames

Agendamentos – Dr. Luiz Severo

Neurocirurgião Luiz Severi explica a situação médica de Lula

Cláudia Collucci
Folha

O presidente Lula (PT) deverá repetir nas próximas 72 horas novos exames de neuroimagem para se certificar de que não há sangramento ou edema na região atrás do crânio (ociptal), lesionada após escorregar e cair no banheiro.

Segundo médicos ouvidos pela Folha, esse é o protocolo-padrão nesses casos. O boletim médico informou que Lula sofreu “ferimento corto-contuso em região ociptal”, responsável pela percepção visual, e levou pontos na região atrás da cabeça. Ele foi atendido no Hospital Sírio-Libanês de Brasília e segue sendo acompanhado em casa.

NO SÁBADO – O acidente ocorreu na noite de sábado (19), conforme antecipado pela coluna da Mônica Bergamo, da Folha, no momento em que Lula e a primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, finalizavam os preparativos para a viagem à Rússia, onde ele participaria da reunião de cúpula do Brics. Por recomendação médica, a viagem foi cancelada.

O neurocirurgião Luiz Severo, especialista em dor, diz que, de acordo com informações disponíveis, o presidente teve um traumatismo cranioencefálico leve. “Ele não teve perda de consciência, não teve outros sinais de alarme, chegou ao hospital consciente e orientado.”

Segundo ele, o termo “ferimento corto-contuso”, indica também que, além do traumatismo, o presidente sofreu uma contusão cerebral, ou seja, lesão na superfície do encéfalo em que acontece pequenos sangramentos.

RISCO DE AUMENTAR – “São sangramentos benignos, mas, a partir do momento em que o paciente tem um traumatismo leve e um sangramento intracraniano pequeno, a gente tem que ficar atento para o risco de aumento desse sangramento.”

Severo explica que esse risco é maior em pacientes idosos pela própria fragilidade dos tecidos e dos vasos sanguíneos. Lula tem 78 anos. Pessoas que usam anticoagulantes, como o AAS, também podem ter risco de sangramento aumentado. Não há informação se o presidente faz uso desses medicamentos.

Para o neurologista, as primeiras 72 horas são as mais críticas para o risco de edema no cérebro. “A recomendação é repouso, hidratação e monitoramento.”

SEM VIAJAR – De acordo com o boletim médico, após avaliação da equipe médica, Lula foi orientado a evitar viagem aérea de longa distância, podendo exercer suas demais atividades.

Um voo do Brasil até a Rússia, onde será realizado o encontro, pode durar 17 horas.

Severo explica que a orientação de não viajar neste momento ocorre pelo risco de aumento de pressão no crânio e de sangramento, além da necessidade de monitorização clínica e radiológica pela equipe médica.

QUEDAS FREQUENTES – Segundo a geriatra e clínica-geral Maisa Kairalla, membro da Câmara Técnica de Geriatria do Cremesp (Conselho Regional de Medicina), quedas como a que Lula sofreu no banheiro são muito frequentes entre idosos. Dados do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia mostram que entre pessoas acima de 80 anos, 40% sofrem quedas todos os anos.

Ela explica que uma das piores consequências das quedas em que há traumatismo craniano é o risco de hematoma subdural, uma condição em que o sangue acumula na região entre o crânio e a superfície cerebral após a ruptura de um vaso sanguíneo.

“Às vezes você bate a cabeça, não sangra no dia, mas isso pode acontecer em até 30 dias, tempo que pode levar um hematoma subdural para se formar”, explica a médica.

SERVE DE ALERTA – Outro risco muito frequente é a fratura de quadril. “Se o presidente não tivesse operado [em razão de uma artrose no quadril] e colocado a prótese, o risco dessa queda poderia ter sido ainda maior porque a região fica muito instável, o que leva os idosos a caírem muito.”

Kairalla diz que a situação vivida pelo presidente serve de alerta para que os idosos façam adaptações em suas casas para prevenir eventuais quedas.

“O banheiro é um lugar muito propício para escorregar, fica molhado, cai pasta no chão.”

Após provocar pânico no mercado de bitcoin, Musk prevê “falência” dos EUA

Musk diz que o governo dos EUA está se endividando demais

Fabio Lucas Carvalho

Site CPG

Nas últimas semanas, o bilionário e CEO da Tesla, Elon Musk, voltou aos holofotes não apenas por suas polêmicas, mas por gerar um alerta sobre a economia dos Estados Unidos. Em meio a uma série de acontecimentos recentes envolvendo o mercado de bitcoin, Elon Musk lançou uma advertência direta: o EUA estaria caminhando para a falência devido a gastos excessivos do governo.

Mas por que essas declarações de Musk chamaram tanto a atenção? E qual a conexão entre isso e a recente movimentação do bitcoin pela Tesla? Vamos explorar os detalhes dessa situação e explicar de forma clara e objetiva o impacto dessas questões.

OUTROS ATIVOS – A Tesla, que em 2021 comprou uma grande quantidade de bitcoin, voltou a agitar o mercado ao mover 750 milhões de dólares em criptomoedas para novos endereços, gerando especulações sobre uma possível venda dos ativos.

Essa movimentação causou pânico entre os investidores e contribuiu para a recente queda no preço do bitcoin, que anteriormente estava próximo de seus picos históricos, na casa dos 70 mil dólares.

Além disso, Elon Musk usou sua rede social X (antigo Twitter) para reiterar seus alertas sobre a economia americana.

FORA DE CONTROLE – Ele destacou que os gastos desenfreados do governo podem levar o país à falência. Musk enfatizou que 500 bilhões foram adicionados à dívida nacional apenas nas últimas três semanas, criticando o que ele chama de “gastos governamentais fora de controle”.

O impacto dessas declarações vai além das fronteiras das redes sociais. Stanley Druckenmiller, um renomado investidor bilionário, também emitiu um aviso sobre as consequências das políticas monetárias do Federal Reserve.

Com os Estados Unidos enfrentando uma inflação crescente e uma dívida nacional que ultrapassa os 34 trilhões, a economia do país encontra-se em uma posição delicada. E segundo Elon Musk, a falência governamental pode ser uma realidade se nada for feito.

RITMO ALARMANTE – Analistas do Bank of America alertaram que a dívida dos Estados Unidos (quantia de dinheiro que o governo federal toma emprestado para cobrir despesas operacionais) está crescendo a um ritmo alarmante, com projeções de aumento de US$ 1 trilhão a cada 100 dias.

Segundo Michael Hartnett, estrategista-chefe da instituição, essa escalada pode elevar a dívida nacional para US$ 36 trilhões até o final de 2024.

Em nota aos clientes, Hartnett destacou que esse cenário tem impulsionado o debate sobre “desvalorização da dívida“, refletido em máximas históricas nos preços do ouro e do bitcoin, que podem alcançar US$ 2.077 por onça e US$ 67.734, respectivamente.

SINAL DE ALERTA – O crescente endividamento dos EUA acende um alerta para os mercados financeiros, com investidores buscando ativos considerados seguros, como o ouro.

A crise também afeta diretamente o mercado de criptomoedas. O bitcoin, que há alguns meses parecia prestes a atingir novos patamares devido ao apoio de gigantes como BlackRock e o interesse crescente da China, perdeu fôlego.

Essa volatilidade, no entanto, pode ser vista como uma oportunidade para alguns investidores, especialmente aqueles que acreditam que o bitcoin pode se beneficiar da desvalorização do dólar e dos temores sobre a economia tradicional.

Se não ajustar as contas, Lula vai deixar uma herança maldita para os petistas

Salário mínimo: veja as fórmulas de reajuste que estão sobre a mesa de Lula

Lula não vê saída e fica deprimido com o déficit em alta

Merval Pereira
O Globo

A disputa interna no governo sobre cortes para equilibrar as contas públicas envolve questões semânticas, como contrapor gastos a investimentos, mas principalmente divergências de visão de mundo, fazendo com que a renovação partidária necessária se veja constrangida por pensamentos anacrônicos que podem levar o PT, a médio e longo prazos, a um fim semelhante ao do PSDB, que vem encolhendo a cada eleição, como já aconteceu a PDT ou PTB e a outros ainda menos votados.

A boa vontade da agência de rating Moody’s, que recentemente melhorou a nota do Brasil, tem mais a ver com a perspectiva de sucesso do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que com os números atuais — eles são bons, mas não estáveis a médio prazo.

ARCABOUÇO – O próprio presidente Lula fez lobby ativo, indo pessoalmente conversar com os técnicos da agência em Nova York, convencendo-os de que existe a “possibilidade” de cumprimento do arcabouço fiscal.

Pois agora chegou o momento certo para, com medidas concretas, confirmar essa possibilidade, a que parte do PT e o próprio Lula se contrapõem.

Há muitos anos o presidente tem a louvável fixação de que gastos em saúde e educação são investimentos. Claro que sim, e o ministro da Fazenda não é louco de achar o contrário, mas é preciso calibrar esses investimentos, balancear a distribuição de verbas e ter controle das necessidades. O gasto obrigatório, constitucional, tem de mudar, não pode ser automático.

A simples discussão dessa possibilidade coloca em alerta a parte petista que a presidente do partido, Gleisi Hoffmann, representa: — Isso é um perigo — disse ela.

EXEMPLO DA DILMA – Mesmo que seu mandato na presidência esteja no fim, Gleisi espelha um grupo que não se convenceu de que é preciso cortar gastos para ter perspectiva de crescimento a longo prazo. Não se lembram do que aconteceu à ex-presidente Dilma, eleita devido ao crescimento artificial da economia no ano eleitoral. Depois ela não conseguiu mais controlar a situação.

Os ministros Haddad e Simone Tebet, do Planejamento, têm batido nessa tecla nos últimos dias, muito mais para conter esse grupo muito atuante do PT, que combina em bom tamanho com Lula e diz que não se pode cortar investimento social. Não é disso que se trata, e ninguém deveria querer cortar tais gastos, mas podemos e devemos fazer algo mais racional. Ninguém quer manter equilíbrio fiscal à custa dos pobres, mas existe uma margem de manobra que precisa ser aumentada para que a gestão funcione.

O presidente pode estar certo na semântica, mas nas contas o dinheiro é igual: sai do Tesouro, da arrecadação de impostos. Veremos se Haddad consegue alguma manobra que ajude o Brasil, para justificar e melhorar ainda mais a nota de crédito e o país ganhar o grau de investimento.

SENSIBILIDADE– O presidente, no entanto, parece ter mais sensibilidade política que seus comandados e luta consigo mesmo para fazer convergir seu lado social com as necessidades econômicas de longo prazo.

No primeiro mandato, Lula conseguiu essa proeza, quando parecia até mais difícil. Fez um governo equilibrado economicamente e teve sucesso, mas tinha o apoio do então ministro da Fazenda Antonio Palocci. Este, além da confiança de Lula, que Haddad também tem, tinha um poder de decisão dentro da estrutura partidária que Haddad ainda não tem. Nesse embate está a disputa pelo futuro do partido pós-Lula, no aggiornamento do PT.

A possibilidade de Lula não disputar a reeleição, por não poder ou não querer, não entra na suposição da máquina partidária, que conta com um novo mandato. Não entendem que, se não for feito algo imediatamente, enquanto a economia está em bom momento, a hipótese de reeleição de Lula enfraquece. Ou então virá como herança maldita deixada para si próprio, para seu partido. E para o país.