FILME – MINHA HISTÓRIA

FILME – MINHA HISTÓRIA

O poeta se foi, mas deixou a poesia e seu reinado. Por Antônio Campos

A Fliporto presta homenagem ao grande poeta Antônio Cícero e lamenta o seu falecimento.
É com tristeza que nos despedimos do escritor, poeta e letrista Antônio Cícero, da Academia Brasileira de Letras, irmão da cantora Marina, que aos 79 anos faleceu na Suíça.
A sua grande obra e o seu grande amor a poesia permanecerão. Achamos lindo o seu poema para o seu pai, que Deus, na sua infinita misericórdia, mesmo você sendo ateu, permita esse encontro de reis, de alguma forma.

Eu vi o rei passar

Poeta Antônio Cícero

Eu vi o rei passar
Um rei assim
não ouve muito bem
e adora luz;
sem ver ninguém
prefere olhar
o horizonte, o céu:
longe daqui
é tudo seu.
Seu sangue azul
ninguém diz de onde vem
de que sertão
que mar, que além;
e para nós
ele jamais se abriu
senão uma vez
depois partiu.
Um rei assim
cultiva a solidão
sombria flor
no coração
e claro é
que o pêndulo do amor
às vezes vai
até a dor
Devo dizer
que não sofri demais.
Devo dizer
que acordei.
Mesmo sem ser
tudo que imaginei
devo dizer
que o amei.
Antônio Cícero, fica a nossa admiração e o amor a sua poesia.
Fliporto,
Antônio Campos.

Nos bastidores do governo, a ‘vingança’ contra Anielle

Uma batalha intensa tem sido travada nos bastidores do governo entre aliados da ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, e do agora ex-ministro dos Direitos e Humanos Silvio Almeida. Almeida foi demitido em 6 de setembro, acusado de ter importunado Anielle sexualmente.

Apoiadores da ministra sustentam que Almeida estaria por trás de uma série de denúncias contra ela feitas por entidades ligadas ao movimento negro e divulgadas na imprensa nas últimas semanas.

Militantes do movimento negro, por outro lado, negam o envolvimento de Almeida nas denúncias e dizem que as críticas à ação de Anielle no ministério se devem ao fato de que ela não os representa.

Um militante do movimento que falou ao PlatôBR sob a condição de não ter seu nome revelado observa que Anielle teria sido indicada por Janja, mulher do presidente Lula, inicialmente para o Ministério das Mulheres. Como os grupos e movimentos de mulheres a teriam rejeitado, ela teria, então, ido parar no Ministério da Igualdade Racial.

Integrantes do movimento negro afirmam respeitar a trajetória da vereadora Marielle Franco, irmã da ministra, assassinada em 2018, mas lembram que ela atuava nas áreas de moradia e diversidade. E Anielle, até a morte da irmã, nunca teria participado do movimento negro.

Entidades têm enviado cartas ao presidente Lula com críticas à gestão da ministra. Apontam, entre outros problemas, falta de planejamento e se queixam do atraso e da inexistência de consultas públicas para debater pautas consideradas importantes.

Em nota, Anielle disse que seu ministério estruturou e formulou políticas com a participação de movimentos sociais e da sociedade civil.

Entre as entidades que reclamaram da ministra estão a Coordenação Nacional de Entidade Negra, a Associação Brasileira de Pesquisadores Negros e os Agentes de Pastoral Negros do Brasil, que compunham a base de apoio à gestão de Silvio Almeida no Ministério dos Direitos Humanos.

Quarenta terreiros de candomblé e entidades negras e de matriz africana também enviaram carta ao presidente da República manifestando preocupação com a política do ministério para esse segmento, “desarticulando a possibilidade da retomada do que iniciamos nos governos Lula e Dilma”.

Por outro lado, 400 entidades do mesmo segmento enviaram carta em apoio a Anielle, na qual afirmam que ela estaria sendo perseguida.

No Palácio do Planalto, a ofensiva é vista com naturalidade, ao menos por enquanto. Segundo integrantes do governo, se houver algo de concreto nas denúncias, elas serão enviadas para a Controladoria Geral da União (CGU) e investigadas.