Às vésperas do segundo turno em Olinda, o cenário eleitoral revela uma vantagem significativa de Vinícius Castello sobre Mirella Almeida, segundo o último levantamento da Simplex. Com mais de 10 pontos à frente, Castello desponta como favorito na corrida eleitoral. Essa dianteira, obtida em uma pesquisa que ouviu 500 eleitores, aponta para um possível desfecho consolidado em favor do candidato.
Vinícius Castello assume liderança na reta final do segundo turno com mais de 10% de vantagem em Olinda
Talentos fazem a diferença. Por CLAUDEMIR GOMES
Por CLAUDEMIR GOMES
“Nada substitui o talento!”.
A frase antológica do mestre Paulo Jardel nunca esteve tão em voga quanto nessa semana, quando fomos brindados com jogos que entraram para a história de duas das mais destacadas competições interclubes de futebol do planeta: Champions League e Libertadores da América. Detalhe: nos quatro jogos de maior visibilidade, placares surpreendentes e o talento do jogador brasileiro funcionando como ponto de desequilíbrio.
Ficou provado, mais uma vez, que o Brasil segue sendo o maior produtor de insumo do futebol mundial. Nos nossos campos, embora os jardineiros (leia-se gestores) sejam de péssima qualidade, são colhidos os frutos que fazem a diferença em qualquer banquete servido pelo futebol.
Na tarde da terça-feira as atenções de todos se voltaram para a disputa da terceira rodada da atual edição da Champions League. O destaque ficava por conta do confronto do Real Madri com o Borussia Dortmund. A partida foi disputada no Santiago Bernabéu, casa do time madrileno, fato que aumentava o favoritismo dos anfitriões. Mas os alemães começaram surpreendendo ao construir um placar de 2×0 no primeiro tempo.
Entretanto, o Real Madri tem, na sua constelação, um craque que não desiste dos seus objetivos: Vini Jr. O brasileiro que se consolidou, com uma atuação soberba nos 45 minutos finais da partida, como o grande favorito para receber o prêmio de Melhor do Mundo da FIFA, em eleição a ser realizada na próxima segunda-feira, só não fez chover no estádio espanhol, capitaneando a vitória e virada história de 5×2, sendo o autor de dois gols. Um momento digno do novo rei do futebol.
Horas depois do show de Vini Jr. na Champions, do lado de cá do Atlântico, na Minas Gerais, o irreverente Deyverson, com sua cabeleira nevada, comandou a vitória do Atlético Mineiro (3×0) sobre o River Plate da Argentina, em jogo válido pelas semifinais da Libertadores.
A farra da quarta-feira começou com a queda de braço entre Barcelona e Bayern de Munique. Jogando em casa, o time catalão contou com a leveza e velocidade do atacante brasileiro, Rafinha, autor de três gols na história goleada de 4×1 sobre a respeitável equipe alemã.
As arruaças promovidas por uma facção da torcida do uruguaio Peñarol, nas ruas do Rio de Janeiro, transformaram o jogo com o Botafogo, no Estádio Olímpico Nilton Santos, válido pelas semifinais da Libertadores, num confronto de risco. Nos primeiros 20 minutos da partida, ficou difícil diferenciar o jogo de futebol com os embates de MMA, tal a disposição e provocação dos visitantes.
O Botafogo demorou a encontrar uma saída, e o caminho para uma goleada histórica (5×0) construída no segundo tempo, veio do talento do atacante Luiz Henrique.
O futebol não tem mistério. O coletivo tem que ser a prioridade, pois somente assim o conjunto se fortalece, mas o que faz a diferença é o talento individual. Aos maestros compete o desafio de encontrar a forma de melhor explorar os talentos que têm em mãos.
Simples assim.
O Direito de falar. Por José Paulo Cavalcanti Filho
Por José Paulo Cavalcanti Filho – Escritor, poeta, membro das Academias Pernambucana de Letras, Brasileira de Letras e Portuguesa de Letras. É um dos maiores conhecedores da obra de Fernando Pessoa. Integrou a Comissão da Verdade
Na semana passada (em 13/10/2024), o deputado federal Marcel van Hattem reiterou, na tribuna da Câmara, denúncia que havia feito sobre o policial federal Fabio Alvarez Schor que forjou provas contra um assessor para assuntos internacionais do governo Bolsonaro, Felipe Martins. Preso por ordem do ministro Alexandre de Moraes, em 08/02/2023, porque (segundo informação desse policial) teria viajado, aos Estados Unidos, para planejar golpe militar. Um ano e meio depois se comprovou que dito assessor nunca saiu do Brasil. Um ano e meio de sua vida jogado fora, nessa prisão injusta, por conta de uma afirmação falsa. E ninguém pagou por isso. Nem o ministro AM. Nem o policial, a serviço de partidos políticos.
Antes, em 14/08/2024, o deputado já advertira que se algo lhe acontecesse as responsabilidades caberiam à Polícia Federal. Aconteceu; e, pior, com a cumplicidade do Supremo. Tanto que hoje, por conta de uma denúncia sem nexo, de que ofendera um policial dizendo ser falsa uma afirmação que fez (mesmo sendo verdadeira, logo se viu), é processado pela “Divisão de Combate por Crimes Contra a Corrupção Financeira” da Polícia Federal. Quando nenhum ato há, nesse caso, envolvendo dinheiro. Apenas afirmou, reitero, que a Polícia Federal fez acusações falsas, o que é verdade. Pior, sabendo serem falsas. E foi bater num departamento de “Lavagem de Dinheiro”? É como se o governo tivesse escolhido a dedo alguém confiável, na Polícia Federal, para o processar (e condenar, se possível), sem se preocupar com qual cargo ocupava.
Curioso é ter o Supremo sorteado, como relator do processo, o ministro Flávio Dino. Até pouco, ministro da Justiça de Lula. Alguém comprometido com o governo. Um sorteio muito estranho. O deputado requereu seu código-fonte, para saber como ocorreu; e o Supremo, para este caso, decretou sigilo. Mas sigilo, como?, amigo leitor. Um sorteio feito por computador? Qual a razão plausível de ser imposto sigilo? A menos que não tenha sido feito por computador nenhum, é inevitável concluir. Vai ver foi só uma escolha partidária. Com a caneta, e não pela máquina. Deixando o Supremo, mais uma vez, em situação constrangedora.
Talvez não por acaso dito deputado é relator da PEC que limita decisões monocráticas, no Supremo. Como se nossa mais alta Côrte avisasse, aos parlamentares brasileiros, “não se metam conosco, que podemos acabar com vocês”.
A essa altura, vale examinar questões teóricas por trás dessa violência. E começo logo dizendo que “imunidades parlamentares”, usando palavras do professor de Direito Público Georges Burdeau (Traité de Science Politique), são “privilégios que garantem o livre exercício do mandato”. E correspondem à proteção contra atos estranhos às atividades parlamentares, como crimes comuns (“inviolabilidade”); ou ao cumprimento específico de suas funções (“irresponsabilidade”), como o direito de dar “opiniões, palavras e votos”. Um direito indissociável da independência que deve ter, o parlamentar, no exercício do mandato.
É assim em todos os outros países. TODOS. Só para referir alguns Espanha (art. 71 da Constituição), França (art. 26), Itália (art. 68), Japão (art. 51). No caso da Alemanha (art. 46), parlamentares respondem apenas quando ocorra “injúria infamante” (o que claramente não houve, em nosso caso de agora).
Como curiosidade, em Inglaterra e Estados Unidos, o mesmo direito que tem o parlamentar de no púlpito dizer o que quiser, sem ser processado, tem também qualquer cidadão, inclusive contra os do poder, se estiver em local público e com os pés fora do chão (“púlpito popular”) – devendo por isso falar em cima de bancos, caixões, prosaicos lenços ou apenas dando pulos.
Nos negros anos da Ditadura, o Governo Militar estabelecia limites aos direitos previstos na Constituição. Como o de não por em risco a Segurança Nacional (sendo por isso vedado falar em prisões arbitrárias, torturas, desaparecimentos ou mortes). Mas quem decidia o que seria uma ameaça a dita Segurança Nacional?, eis a questão. O próprio Governo Militar ou seus agentes, claro. Em resumo, e como havia limites fixados pelo próprio Governo Militar, estava (também por isso) caracterizada uma Ditadura. Ponto final.
Problema é que no Brasil, agora, está acontecendo o mesmo. A regra de nossa Constituição atual de 1988, com a mesma redação das anteriores (a de 1946, art. 44; e a de 1967, art. 34), não admite nenhum limite ao direito de falar dos parlamentares. Basta ler:
“Art. 53. Os Deputados e Senadores são invioláveis, civil e penalmente, por quaisquer de suas opiniões, palavras e votos”.
O ministro Dino, em decisão monocrática ? único país do mundo que admite isso, um juiz decidindo sozinho em lugar da Côrte Constitucional ?, inventou de “reinterpretar” a Constituição. Para afirmar que está, na Constituição, o que lá não está. Que ela diz o que não diz. Porque tal regra da ausência de limites não interessa ao governo nem a seus correligionários, na volúpia por grandeza. Nem é tolerada pelo todo-poderoso Supremo, em seus delírios de mandar em tudo. Como o “Grande Irmão” de Orwell (no livro 1984). O vício de estabelecer limites, como nos negros tempos da Ditadura, infelizmente se repete. E continua tornando fantasia o direito de falar. Só que, no lugar do Governo Militar, quem decide agora o que pode ou não ser dito é o próprio Supremo. Em qualquer país decente, seria caso de impeachment do ministro Dino.
A Constituição é claríssima ? o direito de falar, no parlamento, é livre. Só que o Ministro Dino estabelece limites. Com o silêncio cumplice dos outros 10 ministros da Casa, é lamentável. Não há limites, na letra da Constituição. Mas quem interpreta a Constituição é o Supremo. E portanto, numa rotina que vem se repetindo, vale o que ele disser que vale. Segundo palavras do ministro Dino, Senadores e Deputados não podem usar palavras que “ultrapassem a imunidade parlamentar”. Mas onde está esse limite na nossa Constituição?, senhores.
O risco desse tipo de posição é que, em tese, qualquer declaração pode ser considerada como fala sem proteção da imunidade parlamentar. Qualquer uma. Antes era o Governo Militar, com a censura; agora o Supremo, com seu poder infinito. Antes a Segurança Nacional; agora, o que o Supremo quiser. Antes a Ditadura; agora, a mesma Ditadura. O mesmo roteiro. O mesmo vício. A mesma trama vergonhosa. Rasgando a Democracia. Hoje, é o deputado van Hatten.
Amanhã, poderá ser qualquer um de nós que por acaso diga o que o Governo ou o Supremo não gostem.
