A bola é branca, e não preta! Por CLAUDEMIR GOMES

Por CLAUDEMIR GOMES

O Planeta Bola viveu nesta segunda-feira a expectativa do anúncio dos vencedores da Bola de Ouro de 2024, maior, mais expressivo e mais cobiçado prêmio do futebol internacional. O brasileiro Vinícius Jr. era o favorito para conquistar o troféu, que foi entregue ao espanhol Rodri, jogador do Manchester City e da Seleção da Espanha.

As qualidades do vencedor são inquestionáveis, assim como, está fora de discussão a melhor temporada do brasileiro. Não vi nenhuma explicação plausível que justificasse a não indicação de Vini Jr. como o melhor do mundo, no momento. Sabemos que ele, e qualquer outro jogador, jamais será unanimidade, mas negar este prêmio ao atacante do Real Madrid chega a ser uma agressão.

O clima da cerimônia no Théâtre du Châtelet, em Paris, traduziu bem a não aceitação da equivocada premiação, que foi marcada pela total e irrestrita ausência de representantes do Real Madrid, mesmo com o clube espanhol, e alguns dos seus profissionais, tendo sido agraciados com outras premiações.

Em diálogo íntimo e pessoal, cá com meus botões, pus para fora um monte de interrogações:

Será que ainda estamos no século passado, quando o futebol foi trazido para o Brasil e os negros não podiam jogar?

Será que Nelson da Conceição, Leônidas, Pelé… não jogaram o suficiente para soltar todas as correntes de preconceitos?

Será que, por ser negro, Vini Jr. não pode dançar, não pode expor a alegria reservada aos bailarinos da bola?

Será que a Lei do Silêncio que imperava na senzala foi adotada no futebol mundial?

Desculpem! A injustiça que fizeram com o Vini Jr. me deixou confuso.

Vou ouvir o Chico Buarque: “Pai, afaste de mim este cálice”.

O príncipe feliz – Oscar Wilde

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     Era uma vez uma andorinha que ficou para trás durante a migração anual por conta de um amor que não deu certo. Ela encontrou a estátua do príncipe feliz, coberta de ouro, com olhos de safira e um grande rubi enfeitando sua espada. A estátua encerrava a alma de um príncipe taciturno e um coração de chumbo. Aos poucos, andorinha e estátua tornam-se amigos. A ave transforma-se em mensageira do bom príncipe, e doa suas riquezas aos pobres. No fim, temos um coração quebrado e uma andorinha congelada, os itens mais preciosos desta cidade pacata. Poderia ser dos irmãos Grimm, mas é Oscar Wilde. E isso faz toda a diferença.

O príncipe feliz foi publicado em 1888, mas já possui a essência do Oscar Wilde que mais tarde nos legaria ‘O retrato de Dorian Gray’. É um conto com múltiplas facetas, preocupado com a beleza da linguagem, sutil mas feroz em suas críticas, e com um olhar particularmente aguçado sobre a natureza humana. A começar pela andorinha. A ave que inicia o conto é uma vítima do belo por ele mesmo, da maneira mais superficial possível. Apaixona-se por um junco, um belo junco, que não fala, apenas se movimenta de acordo com o vento. Mas é um junco muito bonito. Seus amigos, tão ou mais superficiais, taxam a relação de ridícula. Não por ser impossível, mas porque a amada não possui dinheiro, e ainda por cima vem de uma família muito grande. Vale lembrar que até o nome do animal escolhido remete a essa característica. No original, andorinha vira Swallow, palavra cuja grafia é bastante próxima de Shallow (superficial).

Após a migração dos pássaros, a andorinha perde todo o interesse no amado junco. Ela é terrivelmente calada, ligada à terra e ainda por cima está dando em cima do bendito vento. A andorinha deixa então a relação que ela mesma criou e parte em busca dos amigos, em rota migratória para o Egito. No caminho, passa pela cidade do Príncipe Feliz, representado por uma magnífica estátua, folheada a ouro e com gemas preciosas no lugar dos olhos e do botão da espada. O monumento foi erigido pelos governantes da cidade, e serve de símbolo de conduta para seu povo. A mensagem é bastante clara. Seja rico e belo, e serás feliz. Ou assim parece. Pois dentro da bela estátua encontra-se a alma do falecido príncipe, não tão feliz assim.

Não que ele achasse isso em vida. Protegido da miséria por muros altos, sem interesse de desbravar além daquele limite, o príncipe sentia-se agradado. Ali fazia tudo que lhe dava prazer. Por isso julgava-se realmente feliz. O castelo em que vivia era uma espécie de casulo, do tipo que até hoje colocamos em prática, com nossas grades, porteiros, alarmes e etc. Nos aprisionamos voluntariamente para podermos negar a miséria do próximo. Mas a estátua foi posta num pedestal alto demais, e o príncipe não pode mais negar o que acontecia em sua cidade. Mas estava preso neste pedestal, nada podendo fazer.

A decisão da andorinha de dormir junto à estátua foi tomada por um motivo estético: “dormirei em uma cama de ouro”, diz antes da primeira lágrima cair. Na presença de algo belo e triste, comove-se. Quando descobre que a estátua não é maciça, surpreende-se. Sente uma certa repulsa por o monumento não ser “puro”. Mas o príncipe, desligado das vaidades da vida, resolve se desfazer das vaidades de seu corpo de metal. Com a ajuda da andorinha, descobre uma nova liberdade. Aos poucos vai despindo-se  de suas riquezas e doando-as aos necessitados porque “os vivos sempre acham que o ouro pode fazê-los felizes”.

As viagens que a andorinha faz para entregar os objetos preciosos aos necessitados mostram os dois lados da cidade. Os abastados desfrutando de sua abundância – enquanto os pobres estão em sua porta. Aos poucos, a andorinha aprende a ver pelo ponto de vista da estátua e decide não abandoná-la. Mas força de vontade não é o suficiente para mudar quem ela é, e seu fim é trágico. A estátua, destituída de seus enfeites e finalmente exibida em sua essência, perde o encantamento que a fez ser erigida, e é derretida para aplacar o ego dos governantes. Mesmo a última cena, do encontro dos itens preciosos – coração de chumbo e andorinha – com Deus, podem ser interpretados com cinismo, já que a função do príncipe no céu será adorar o seu Deus.

E  esta foi apenas a última das leituras que fiz desse conto. E essa é apenas uma das interpretações possíveis. A história pode passar por um conto de fadas simples, pregando o amor ao próximo, tendo como recompensa seu lugar no céu, e podemos discuti-lo sob diversos ângulos e pontos de vista diferentes. O príncipe feliz é um Conto Essencial em vários sentidos. Foi escrito por um ícone da literatura britânica em um de seus séculos mais férteis, e capta a sua essência, é escrito com precisão, molda-se ao leitor, engana em sua simplicidade. É um conto que muda de faceta a cada nova leitura, que mantém-se atual após mais de 120 anos de publicação. É essencial porque fala da natureza humana e de suas máscaras mais primordiais. São aquelas poucas páginas que mudam sua perspectiva, sua maneira de pensar.

Fonte: blog Meia Palavra

Irmãos encontram ‘herança’ de 32 milhões em Cruzados após morte do pai: ‘Dava pra mudar de vida’

Notas foram encontradas dentro de uma mala e já estão muito desgastadas, com dobras e manchas. Por isso, segundo especialistas, devem ter pouco valor.

– Cédulas de Cruzados danificadas perderam valor aos olhos dos colecionadores ? Foto: Reprodução/TV Anhanguera

Irmãos moradores de Araguaína, no norte do Tocantins, descobriram uma fortuna escondida nos pertences do pai. Uma mala guardava quase 32 milhões. Mas o dinheiro é do século passado.

“Ele faleceu, nós entrávamos na casa dele e não mexíamos em nada. Até que encontramos uma mala cheia de dinheiro”, contou o técnico de manutenção Waloar Pereira Magalhães.

O “tesouro” é composto por notas e moedas do Cruzado, moeda que circulou no Brasil entre 1986 e 1989.

Depois do Cruzado, vieram o Cruzado Novo (1989-1990), o Cruzeiro (1990-1993), o Cruzeiro Real (1993-1994) e, finalmente, o Real.

Segundo especialistas, as notas e moedas encontradas pelos irmãos não têm valor financeiro, mas poderiam interessar a colecionadores.

No entanto, o presidente do Clube Numismático do Rio de Janeiro, André Luiz Padilha, explica que esse dinheiro pode não ter um valor muito alto nesse mercado.

“O fato de terem encontrado as cédulas dobradas, já todas unidas, com manchas, marcas, dobras, e por serem cédulas que tiveram uma grande produção, uma grande impressão, elas têm um valor numismático já muito baixo comparado às cédulas muito novas. Então, as cédulas gastas já não têm mais valor nenhum”, afirma.

A numismática é o estudo das moedas e outros objetos com formato de moeda, como fichas e medalhas. Em alguns casos, pode-se conseguir um valor considerável vendendo cédulas raras para colecionadores.

Cédulas de Cruzados herdadas pelos irmãos Valadares, em Araguaína ? Foto: Reprodução/TV Anhanguera
Cédulas de Cruzados herdadas pelos irmãos Valadares, em Araguaína — Foto: Reprodução/TV Anhanguera

A esperança de Waloar e seus irmãos é conseguir vender a herança do pai a colecionadores ou trocar o dinheiro por reais.

“Se Deus ajudar, e ainda tiver um jeitinho no banco de fazer a transformação dele, dava para a gente começar uma nova vida”, diz ele.

Segundo André Padilha, as moedas têm um valor importante para a história nacional e podem contribuir para a educação das novas gerações.

“Essa coleção, você pode doar para um colégio, para instituições de ensino ou de preservação da história da cidade, como museus, casas de cultura, para que eles possam trabalhar essas cédulas com as crianças”, afirma.

Waloar Pereira Valadares mostra Cruzados que encontrou em mala após morte do pai ? Foto: Reprodução/TV Anhanguera
Waloar Pereira Valadares mostra Cruzados que encontrou em mala após morte do pai — Foto: Reprodução/TV Anhanguera

G1