Covarde agressão brutal a Ricardo Antunes exige justiça e defesa da liberdade de imprensa

 

Nesta manhã, o jornalista investigativo Ricardo Antunes foi vítima de uma covarde agressão brutal e premeditada ao sair da barbearia Trois, localizada em Boa Viagem, Recife. Ao deixar o estabelecimento, ele foi surpreendido por um indivíduo que o aguardava na calçada e o atacou de forma truculenta, provocando ferimentos que o levaram a perder bastante sangue. Ele precisou ser socorrido às pressas ao Real Hospital Português, onde recebeu atendimento médico e passará por exames adicionais, incluindo uma tomografia.

O ataque revela uma preocupante tentativa de silenciar um profissional que é conhecido nacionalmente por seu jornalismo independente e investigativo. A emboscada contra Antunes deixa claro que forças contrárias ao livre exercício da imprensa ainda buscam intimidar e calar a atuação dos jornalistas, especialmente daqueles que se destacam pelo enfrentamento a temas delicados e pelo compromisso com a transparência.

Embora o agressor tenha fugido do local, imagens registraram o momento da agressão, mostrando que o ato foi realizado pelas costas, o que aumenta o tom de covardia e evidencia a intenção de calar o jornalista de forma violenta. As autoridades deverão se  empenhar em identificar o responsável e desvendar o que há por trás desse crime, buscando tanto o agressor quanto qualquer mandante por trás da ação.

Ricardo Antunes reafirma que esse ataque não interromperá seu trabalho, mas sim fortalece seu compromisso com a verdade e com a investigação rigorosa, princípios fundamentais para a democracia. Esse episódio sublinha a urgência de defender o direito constitucional de informar e ser informado. A liberdade de imprensa é um dos pilares de uma sociedade democrática e precisa ser resguardada contra qualquer forma de violência ou intimidação.

Se permitirmos que atos de agressão física se tornem uma resposta aceitável a matérias desfavoráveis, cada cidadão perde o direito à informação verídica e independente. É hora de darmos as mãos na defesa do jornalismo e exigir justiça para Ricardo Antunes, pois o livre exercício da imprensa é um direito de todos.

Itaipu e Petrobras deram R$ 33,5 milhões para ‘Janjapalooza’ e G-20; outras estatais omitem valores

  Por André Shalders, do Estadão – A Itaipu Binacional deu R$ 15 milhões a título de patrocínio para o festival Aliança Global Contra a Fome a Pobreza, que acontece no Rio de quinta-feira (14) a sábado (16). O patrocínio da empresa estatal binacional foi também para a reunião da Cúpula do G20 Social, e para eventos paralelos. A reportagem do Estadão perguntou ao Banco do Brasil, à Caixa e à Petrobras quanto essas empresas aportaram ao evento, mas não houve resposta até agora. O BNDES respondeu, mas se recusou a informar os valores.

À reportagem, o BNDES disse que “eventuais demandas de imprensa deverão ser encaminhadas ao Ministério da Cultura”. Já o Ministério da Cultura disse, em nota, que “o valor investido no festival será divulgado posteriormente”. Ao omitir as informações, o BNDES contraria a prática do próprio banco: a instituição divulga valores em seu site. O uso de estatais para financiar eventos tem sido prática comum no terceiro mandato do presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT).

Por causa do envolvimento da primeira-dama Janja da Silva na organização, a festividade passou a ser chamada de “Janjapalooza” nas redes sociais. Antes de se tornar uma pessoa pública, Janja trabalhou na Itaipu entre 2005 e 2020 – na estatal, ela foi assistente do então diretor-geral Jorge Samek.

O evento será na praça Mauá, perto do Museu do Amanhã, e terá atrações de renome como Alceu Valença, Zeca Pagodinho e Ney Matogrosso, com entrada gratuita. O festival foi planejado para acontecer nos mesmos dias do G20 Social, um encontro de representantes da sociedade civil.

Outra estatal envolvida com a organização do ‘Janjapalooza’, o Serpro (Serviço Federal de Processamento de Dados) disse não ter patrocinado o festival com dinheiro. A empresa disse ter desempenhado um “papel consultivo em relação à infraestrutura de conectividade” do evento. “O Serpro é um parceiro do Itamaraty e do Governo Federal para a realização do G20 no Brasil. Para essa iniciativa específica, o Serpro participou com um papel consultivo em relação à infraestrutura de conectividade para o Aliança Global. Não houve investimento de patrocínio no evento”, disse, em nota.

Estatais financiam evento organizado por Janja da Silva às vésperas da cúpula do G20 Social
Estatais financiam evento organizado por Janja da Silva às vésperas da cúpula do G20 Social

De acordo com o Ministério da Cultura, o evento foi organizado em parceria com a Organização dos Estados Ibero-Americanos (OEI), um organismo multilateral. Além das estatais, são “parceiros” do Janjapalooza a prefeitura do Rio de Janeiro, o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

Os artistas que se apresentarão no evento receberão um cachê simbólico de R$ 30 mil. São 29 artistas confirmados. Além do Ministério da Cultura, a Secretaria-Geral da Presidência da República também está envolvida na organização do evento, segundo apurou o Estadão. Responsável pela relação com os movimentos sociais, a Secretaria-Geral foi a principal responsável por organizar o G20 Social.

Itaipu: evento tem importância estratégica

Em nota, a Itaipu Binacional disse que o evento tem “importância estratégica”. “A Itaipu Binacional patrocinou a Cúpula Social, o Festival Aliança Global Contra a Fome e a Pobreza, e outros eventos de encerramento do G20, considerando a importância estratégica de participar de uma ação de escala global que aborda temas como o combate à fome, a pobreza e a crise climática, pontos de grande relevância na agenda internacional do Brasil sob a presidência atual do G20?, disse, em nota.

“Com esse patrocínio, Itaipu reafirma seu compromisso com o desenvolvimento sustentável e a responsabilidade social, participando ativamente de discussões globais de alto nível. A presença do diretor da Itaipu em mesas de debates com ministros e a primeira-dama, e sua participação em eventos com chefes de Estado reforça o posicionamento da empresa no debate sobre sustentabilidade e práticas ESG”, disse a empresa, em nota.

Maria Lecticia Cavalcanti: Escritora pernambucana é laureada com o Prêmio Internacional de Literatura Gastronômica

  A imortal da Academia Pernambucana de Letras, Maria Lecticia Cavalcanti, celebra mais uma conquista em sua vasta carreira literária. Autora do livro A Mesa de Deus – Os Alimentos da Bíblia, ela acaba de ser agraciada com o renomado prêmio “Prix de la Littérature Gastronomique”, conferido pela Academia Internacional de Gastronomia. A honraria reconhece sua obra que, com delicadeza e erudição, explora os alimentos mencionados na Bíblia, em um estudo que une história, antropologia e espiritualidade.

Publicado em Portugal pela editora Quetzal no início de 2023, A Mesa de Deus é fruto de uma década de pesquisa intensa, durante a qual Maria Lecticia relia o livro sagrado inúmeras vezes, selecionando alimentos, utensílios, rituais e simbologias presentes em seus textos. A ideia para o projeto surgiu em uma conversa entre ela, seu marido e também imortal da Academia Brasileira de Letras, José Paulo Cavalcanti, e o cardeal português José Tolentino de Mendonça, destacado membro do Vaticano. Dessa troca, nasceu o desejo de organizar um panorama que fizesse jus ao profundo significado dos alimentos na tradição bíblica.

Ao longo do livro, Maria Lecticia desvenda os contextos em que esses alimentos surgem e os detalhes de seu preparo, conectando-os com significados espirituais e valores simbólicos. A Mesa de Deus ultrapassa as fronteiras de uma simples obra gastronômica e se firma como um estudo sobre a relação da humanidade com o sagrado, expressa por meio do alimento e dos rituais compartilhados.

Maria Lecticia Cavalcanti, que já é um nome respeitado na literatura brasileira, vê agora seu trabalho ecoar ainda mais pelo mundo. Seu prêmio ressalta a importância do alimento como um elo entre culturas e crenças, valorizando a literatura como ponte para um entendimento maior sobre o que nos une enquanto seres humanos.