Cérebro podre? Entenda o que é brain rot, eleita expressão do ano

Termo que tem se popularizado entre os jovens foi escolhido pelo Dicionário de Oxford

Cérebro (Imagem ilustrativa) Foto: Gerd Altmann | Pixabay

É possível ter o “cérebro apodrecido” por consumir muito conteúdo de baixa qualidade na internet? O termo em inglês, “brain rot“, foi eleito como a palavra do ano de 2024 pela Universidade de Oxford, em uma votação com mais de 37 mil pessoas. A expressão tem se popularizado especialmente entre os mais jovens, que já reclamam nas redes sociais sobre uma sensação negativa ao passar horas rolando o feed.

Não se trata de uma condição clinicamente reconhecida – não há indícios de que o cérebro de fato apodreça -, mas os sintomas desse consumo, que causam essa sensação de “apodrecimento do cérebro”, é um fenômeno que vem sendo estudado.

Um artigo publicado pelo Newport Institute – que reúne diversos centros dedicados à saúde mental nos Estados Unidos -, afirma que a sensação de “cérebro apodrecido” está atrelada à sobrecarga de informações digitais, que pode causar dificuldade de concentração, redução da produtividade, maior agitação, quadros de ansiedade e até depressão.

Essa letargia é a responsável pela sensação de “apodrecimento” do cérebro, uma vez que ele fica mais lento e distante de sua plena atividade.

– O cérebro apodrecido é uma condição de confusão mental, letargia, redução da capacidade de atenção e declínio cognitivo que resulta de uma superabundância de tempo de tela. Um comportamento de podridão cerebral é a rolagem de feeds online, que envolve longos períodos de busca por notícias negativas e angustiantes online – diz o instituto.

O consumo exacerbado de informações simples demais também tende a afastar as pessoas de atividades e conteúdos mais complexos, que demandam interpretação mais profunda e resolução de problemas, reforçando essa sensação de “perda da inteligência”.

O autor Henry David Thoreau, primeiro a escrever sobre apodrecimento cerebral, abordou o assunto muito antes da invenção da internet. Em seu livro Walden, ou A vida nos Bosques, de 1854, ele criticou a tendência da sociedade de desvalorizar ideias complexas em favor das mais simples.

– Enquanto a Inglaterra se esforça para curar a praga da batata, não haverá nenhum esforço para curar a praga do cérebro, que prevalece muito mais ampla e fortemente? – escreveu o autor.

Essa tendência humana teria sido reforçada com a internet, que permite maior facilidade na obtenção de informações simplificadas.

Pessoas têm reclamado dos efeitos que o excesso de redes sociais causa no cérebro Foto: Freepik

PERDA DA AUTONOMIA
Atualmente, o Newport Institute afirma que “as consequências da podridão cerebral incluem dificuldade em organizar informações, resolver problemas, tomar decisões e recuperar informações”. Estudos já demonstram o impacto do uso exacerbado de informações de má qualidade ou simples demais na internet.

Uma pesquisa publicada na revista científica norte-americana National Library of Mediciner mostrou que a internet pode produzir alterações na cognição, afetando a atenção e a memória. Essas alterações foram identificadas inclusive na massa cinzenta do cérebro.

– Seis semanas de envolvimento num jogo de RPG online causaram reduções significativas na massa cinzenta no córtex orbitofrontal, uma região do cérebro ligada ao controle de impulsos e tomada de decisões – diz o estudo.

Outra pesquisa, realizada com 1.051 jovens adultos entre 18 e 27 anos, mostrou que o vício em redes sociais tem associação negativa significativa com habilidades de funcionamento executivo, como planejamento, organização, resolução de problemas, tomada de decisões e memória de trabalho.

Ao mesmo tempo, a rolagem excessiva de feeds de redes sociais pode levar a níveis mais elevados de sofrimento psicológico e níveis mais baixos de bem-estar mental, como mostrou uma segunda publicação científica da National Library of Medicine.

E como evitar isso?

– Para prevenir ou reduzir a podridão cerebral, tente limitar o tempo de tela, excluir aplicativos que distraem do seu telefone e desligar notificações desnecessárias – diz o Newport Institute.

A boa notícia é que os danos ao funcionamento do cérebro tendem a ser reversíveis.

*AE

Zuckerberg quer participar da política tecnológica de Trump

União de Musk com Trump pode afetar CEO da Meta negativamente

Mark Zuckerberg na audiência Foto: EFE/Shawn Thew

O diretor executivo da Meta – controladora de Facebook, Instagram e WhatsApp -, Mark Zuckerberg, está “muito interessado em desempenhar um papel ativo” nas políticas tecnológicas do presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump. A informação partiu de Nick Clegg, presidente de assuntos globais da Meta.

Zuckerberg jantou na semana passada com Trump em sua propriedade em Mar-a-Lago, em Palm Beach, na Flórida, e, embora Clegg tenha alegado não poder fornecer informações sobre as conversas, ele indicou que o CEO da Meta estava “agradecido” pelo convite e que é “um momento importante para o futuro da inovação americana”.

– Mark está muito interessado em desempenhar um papel ativo nas discussões que qualquer administração necessita sobre a manutenção da liderança dos EUA na esfera tecnológica, o que, claro, é tremendamente importante dadas todas as incertezas geoestratégicas no mundo e particularmente o papel fundamental que desempenhará a inteligência artificial (IA) atuará nesse cenário – disse Clegg.

Zuckerberg investiu pesado na criação da própria IA da Meta e poderá ser afetado negativamente pela união entre Trump e Elon Musk, dono da rede social X. Musk, a pessoa mais rica do mundo atualmente, tornou-se um dos principais conselheiros do republicano depois de dedicar milhões de dólares à sua campanha de reeleição.

Trump também já havia dito que não baniria o TikTok, outro grande concorrente das redes Meta, ao retornar à Casa Branca. Segundo Clegg, “os erros na moderação de conteúdos continuam muito altos” e se comprometeu a “melhorar a precisão e a exatidão”.

– Muitas vezes, conteúdo inofensivo é removido ou restringido e muitas pessoas são penalizadas injustamente – comentou.

A Meta admitiu este ano que implementou filtros de moderação de conteúdo excessivamente exigentes durante a pandemia.

Em agosto, Zuckerberg escreveu uma carta ao presidente do Comitê Judiciário da Câmara de Representantes, Jim Jordan, acusando o governo de Joe Biden de pressionar Meta a censurar postagens sobre a Covid-19 durante a pandemia.

*EFE

Moro: “Ninguém se importa com a opinião de Gilmar Mendes”

Ministro criticou o ex-juiz da Lava Jato

Sergio Moro e Gilmar Mendes Fotos: Jefferson Rudy/Agência Senado // STF/Carlos Moura

O senador Sergio Moro (União Brasil-PR) criticou nesta terça-feira (3) o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes por uma declaração do magistrado na Câmara Legislativa do Distrito Federal nesta segunda (2). Na rede social X, o ex-juiz responsável pela Operação Lava Jato disse que “ninguém se importa com a opinião” do ministro.

Nesta segunda, Gilmar Mendes recebeu o título de Cidadão Honorário de Brasília na Câmara Legislativa do Distrito Federal. Durante seu discurso, o ministro relembrou quando Curitiba sediou em, 1978, um congresso da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) sobre alternativas ao modelo do regime militar, abrindo caminho para a Lei da Anistia.

– Não é a Curitiba que ficou mal-afamada por conta desses episódios de Moro e companhia – disse.

O ex-juiz rebateu a declaração do ministro do STF:

– Amamos Curitiba e o Paraná e ninguém se importa com a opinião de Gilmar Mendes sobre nossa terra.

Gilmar Mendes é crítico da Lava Jato, a qual já se referiu como “verdadeira organização criminosa”, que envolveu “uma série de abusos de autoridades, desvio de dinheiro e violação de uma série de princípios”. No aniversário de dez anos da operação, em março deste ano, o ministro disse ter sido a primeira voz a se levantar contra os “abusos” da força-tarefa, como as prisões alongadas em Curitiba e as delações inconsistentes.

Recentemente, Moro criticou a decisão de Gilmar para a anulação das sentenças contra o ex-ministro José Dirceu, condenado duas vezes em processos relacionados à Lava Jato. Segundo Moro, a decisão não apresenta “base convincente” e as condenações de Dirceu foram referendadas pelas instâncias superiores.

– Há prova documental do pagamento de suborno oriundo de contratos da Petrobras. Todos esses magistrados estavam de conluio? Um conluio do qual não há registro ou prova, apenas uma fantasia – disse o senador.

– O combate à corrupção foi esvaziado no Brasil sob a bênção do governo Lula e PT – escreveu no X.

*AE