A divina comédia de Lula. Por Roberto Vieira

 

  Por Roberto Vieira* – Do Portal Jornal O PODER

O presidente Lula recebe alta hospitalar após cinco dias, duas cirurgias e uma UTI no Hospital Sírio-Libanês em São Paulo. Na coletiva de imprensa, Lula pede que seja feita justiça ao general de quatro estrelas, Braga Neto, preso sob acusação de planejar a morte dele, Lula, Alkmin e Alexandre de Moraes. Mas qual justiça, presidente, a de Dante ou a de Maquiavel? Ou será tudo uma divina comédia do príncipe Lula?

Akerman

Abraham Akerman nasceu em 1908 na Europa Oriental. Sua família judia veio para o Brasil quando Akerman era criança. Prodígio nos estudos, Akerman aos 16 anos retorna a Europa para estudar medicina em Paris. Aos 27 anos, vai morar no Rio de Janeiro, brilhando na neurologia nacional. Quando Costa e Silva tem seu AVC, em 1969, é Akerman quem bate o martelo e afirma que o quadro de Costa e Silva é irreversível. Mesmo com o diagnóstico, o governo militar insiste nas mentiras sobre o estado de saúde do presidente.

Darcy

Darcy Ribeiro é o chefe do gabinete civil de Jango. Diante das notícias do golpe militar, Darcy convoca dois comunistas ao Palácio do Planalto, um deles é o deputado federal Marco Antonio Coelho. Darcy oferece metralhadoras aos comunistas para eliminarem o presidente do Supremo Tribunal Federal, o presidente do Senado e dois parlamentares: Bilac Pinto e Milton Campos. Qualquer semelhança entre Darcy e Braga Neto é pura coincidência.

Zerbini

Euryale de Jesus Zerbini é general de brigada em Caçapava, São Paulo, recém chegando naquele fatídico 31 de março de 1964. Decidido a manter a legalidade perante à Constituição, Zerbini se perde nos labirintos do golpe. No dia 4 de abril, convocado ao gabinete do novo ministro da guerra, Costa e Silva, Zerbini recebe voz de prisão, sendo conduzido ao Forte de Copacabana. Dois dias antes, o almirante Cândido Aragão havia sido encarcerado na Fortaleza de Lage, também na Baía de Guanabara. Zerbini foi libertado 45 dias depois. Aragão foi torturado e perdeu uma visão. General e Almirante presos não é tão moderno assim, certo?

Stávale

Nos anos 1970, o jovem Marcos Stávale, bisneto dos imigrantes Pasquale Stávale e Julia Ravagni, estudava no Instituto Dante Alighieri, enquanto, noutro ponto de São Paulo, Eugenia Zerbini era violentada nas dependências da Operação Bandeirante pelo crime de levar roupas para sua mãe, esposa do general Euryale. Stávale é um dos sucessores de Akerman na neurologia brasileira, sendo responsável pelo êxito das cirurgias de Lula. Euryale era o irmão de Euríclides Zerbini, pioneiro dos transplantes cardíacos no Brasil. Dante, pai da língua das famílias Stávale e Zerbini, diria que a política, a medicina e o paraíso ou inferno são todos partes de uma divina comédia. Onde um Darcy de ontem é o Braga de hoje. Onde Akerman teve sorte ao vir para o Brasil, pois grande parte da família Akerman na Europa desapareceu no inferno de Auschwitz. Onde Eugênio Zerbini, imigrante italiano da Emilia-Romanha, não saberia ao certo o que pensar, diante das glórias do filho Euríclides e do terror do filho Euryale. Ou quem sabe, nada existe de divino nessa comédia, pois certo mesmo estava Maquiavel e tudo é política. A divina comédia do príncipe Lula.

*Roberto Vieira é médico e cronista. Escreve a coluna Gol de Letra nas segundas-feiras no jornal O Poder. É devoto de Dante, Maquiavel, Torino dos anos 1940, Euríclides e Vivaldi. Ao contrário do que muitos imaginam, o termo comédia de Dante passa bem longe do nosso conceito trivial de comédia, assim como os conselhos de Maquiavel não são sinônimo do inferno de Dante.

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Privatização do Geraldão. Por CLAUDEMIR GOMES

  Por CLAUDEMIR GOMES – Sábado passado – 07/12/2024 – li no Blog Dantas Barreto, que a Prefeitura do Recife estaria abrindo processo licitatório para a privatização do Ginásio de Esportes Geraldo Magalhães (Geraldão). Confesso que, de imediato incorporei a notícia ao poema – O dia da criação – de Vinícius de Moraes:

“Porque hoje é sábado…”.

Não me considero saudosista, pelo contrário, sigo o pensamento do grande filósofo Heráclito de Éfeso: “Nada é permanente exceto a mudança”. Mas para quem assistiu a pomposa inauguração do ginásio multiuso, no final de 1970, com a Taça Jules Rimet, recém conquistada para sempre pelos craques do futebol brasileiro servindo de atração, embarca numa viagem de grandes lembranças.

O equipamento foi, durante muitos anos, o destino dos grandes espetáculos esportivos, culturais e religiosos realizados na Capital Pernambucano. Colocou o Nordeste na rota das grandes produções nacionais e internacionais. O que de melhor havia pelo mundo afora era trazido para se apresentar no Geraldão. Em recente livro, o jornalista Beto Lago conta, e ilustra com um espetacular acervo fotográfico, a história do ginásio que já fez o Recife pulsar.

Mas as mudanças são constantes. Com mais de meio século de existência, o Geraldão começou a sofrer concorrências: sinais dos tempos. Equipamentos como o Centro de Convenções de Pernambuco; Classic Hall… Aliado ao surgimento de novas alternativas para promoção de grandes espetáculos, temos de considerar as mudanças de hábitos e comportamentos.

Reformas foram feitas no sentido de colocar o “gigante” em sintonia com o novo tempo. O equipamento ficou fechado por mais de sete anos, numa prova inconteste das dificuldades encontrada pela Prefeitura do Recife de administrá-lo.

Exceto como cabide de emprego, o Ginásio de Esportes Geraldo Magalhães perdeu o seu encanto. O alto custo de manutenção de um equipamento que atualmente abriga raros espetáculos colocou em xeque as últimas gestões.

O repasse para a iniciativa privada, com previsão de investimentos na ordem de R$ 228 milhões, num período de 35 anos é a saída encontrada pela Prefeitura do Recife, que de forma honesta e transparente, reconhece sua incapacidade de gerir equipamento tão específico.

Dentro da sugestão de repasse, a Prefeitura do Recife ficaria com direito ao uso das quadras externas e piscinas, dando sequência ao trabalho das escolinhas existentes, assim como, ao uso da quadra interna por uma quantidade de dias a cada ano. Mas isso são detalhes a serem discutidos.

A privatização do Geraldão vem sendo anunciada desde o ano passado. A primeira proposta – março de 2023 – dava conta de um contrato de 20 anos de duração com previsão de R$ 175 milhões de investimentos. Em abril de 2024 foi publicada a notícia onde o contrato teria uma duração de 35 anos com investimentos na ordem de R$ 312 milhões. Por último, em matéria vinculada no Diário Oficial, o contrato terá uma duração de 35 anos com investimentos na ordem de R$ 228 milhões.

O Geradão cumpriu bem sua missão. Com um passado memorável, reconhecemos que é inviável o equipamento seguir sendo administrado pela iniciativa pública.

É torcer para que o palco de tantas manifestações multirreligiosas encontre o caminho da salvação.

Mudanças são necessárias e inevitáveis! Isto é fato.

Construtora fantasma vencia as licitações e repassava valores ganhos a funcionários de Prefeituras

A Polícia Civil de Pernambuco (PCPE), revelou que uma construtora fantasma era utilizada para vencer as licitações e repassar valores a servidores das prefeituras de Sertão pernambucano, em coletiva de imprensa sobre a Operação Abantesma, desencadeada na manhã desta quinta (12).

As investigações começaram em 2021 com o objetivo de averiguar o uso da empresa em licitações das Prefeituras de Iguaracy, Betânia, Custódia, Itapetim e São José do Egito, todas em Pernambuco.

Segundo o gestor do Departamento de Repressão ao Crime Organizado (DRACCO), Delegado Paulo Furtado, a empresa vencedora dos contratos não possuía endereço físico e nem funcionários.

“A empresa que era utilizada para licitações nas prefeituras, vencia as licitações, mas não possuía nem sede nem funcionários registrados. Também apurou-se que parte dos valores ganhos na licitação eram destinadas a Funcionários Públicos que possuíam cargo na prefeitura, principalmente nas secretarias de obras. As investigações continuam visando identificar o máximo de pessoas possíveis envolvidas nessa fraude em licitação”, disse o delegado.

Os contratos investigados possuem o montante de aproximadamente 4 milhões de reais.

Abantesma faz referência justamente ao fato da empresa existir somente no papel, se tratando, então, de uma empresa fantasma.

Segundo as investigações, há indícios das práticas dos crimes de Peculato, Corrupção Passiva e Ativa e Lavagem de Dinheiro.

Na execução da operação, foram mobilizados 60 policiais civis, entre delegados, agentes e escrivães. As investigações contaram com o apoio da Diretoria de Inteligência da Polícia Civil de Pernambuco (Dintel) e do Laboratório de Tecnologia contra Lavagem de Dinheiro (Lab/LD).

Peculato é um crime configurado quando servidor público apropria-se ou desvia, em favor próprio, de dinheiro, valor, ou qualquer outro bem móvel que se encontra em posse do funcionário em razão de seu cargo.

Do Diario de Pernambuco.