O que será de 2025? Apertem os cintos, Donald Trump vem aí

Por Ricardo Kotscho, colunista do UOL

É de lei. Nesta época de passagem de ano, as pessoas costumam fazer planos, promessas e acalentar sonhos de uma vida melhor, com paz no mundo, um bom emprego, geladeira cheia e saúde para dar e vender.

“Feliz Ano Novo!”, desejam todos uns aos outros, mais por hábito do que por convicção, diante das nuvens negras que se formam nos céus do mundo neste final de 2024, que para boa parte da humanidade já vai tarde.

“Esperem para ver o próximo”, pensam os mais realistas. Desalentado com as notícias que acaba de ler, o velho amigo coloca o jornal de lado, e comenta apenas: “As perspectivas não são nada boas. Ainda bem que já estou de saída…”

Aos 80 anos, ele sabe que tem menos tempo pela frente do que para trás, e não se dá o direito de alimentar ilusões de ver algo mudar para melhor ainda nesta vida. Mas continua na luta, não sabe fazer outra coisa.

“Lutei todas as lutas sempre do lado certo. Perdi todas…”, constatou o escritor Antonio Calado em sua última entrevista, muitas décadas atrás, pouco antes de morrer.

Vamos falar a verdade: nunca a paz mundial esteve tão ameaçada como agora, desde os anos 30 do século passado, quando o nazifascismo na Europa nos levou à Segunda Grande Guerra.

Quase um século depois, essa praga, que parecia sepultada para sempre, está de volta, colocando em risco não só as maiores democracias europeias, a começar pela Alemanha, mas ramificada pelo mundo afora, até onde menos se podia imaginar.

É bom lembrar que Adolfo e Benito chegaram ao poder também pelo voto, antes de arrastar seus países para as mais ferozes ditaduras da História. O sentimento comum era de vingança pela derrota na Primeira Grande Guerra que seria compensada com a anexação de territórios vizinhos.

Pano rápido. À frente do movimento Maga (make america great again), Donald Trump se prepara agora para implantar o seu “projeto vingança” contra os inimigos internos e externos que o impediram de ser reeleito em 2020, e ele não esconde isso.

Já anunciou para o seu primeiro dia de governo, no próximo 20 de janeiro, iniciar a deportação de milhões de imigrantes, demitir em massa funcionários públicos, anistiar todos os invasores do Capitólio, sobretaxar as importações. Já falou também em transformar o Canadá no 51º estado americano, retomar o canal do Panamá e anexar a Groenlândia.

Tudo isso vem sendo publicado pela imprensa com a maior naturalidade, sem maiores contestações, o que leva o homem mais poderoso do mundo a avançar cada vez mais nos seus propósitos disruptivos, agora tendo como sócio majoritário o megalomaníaco Elon Musk, para quem só a extrema direita neonazista pode salvar a Alemanha, como já disse.

De fato, a extrema direita está na moda e crescendo na terra de Goethe e em boa parte do mundo, botando fé que Trump se tornará seu grande líder mundial, a empoderar seus atuais e futuros aliados. Por aqui, no Brasil, as milícias digitais bolsonaristas já estão salivando de ódio e rancor, na esperança de que o futuro presidente americano livre os golpistas da cadeia e os leve de volta ao poder em 2026.

Espero estar completamente enganado, vendo fantasmas. Mas não consigo esquecer das histórias que meus pais me contavam na infância sobre os horrores da guerra e como tudo começou. O mundo demorou para se dar conta dos perigos que corria e, até acordar, milhões de pessoas já haviam morrido.

Sobreviventes, meus pais vieram para cá, se naturalizaram brasileiros e amavam muito o nosso país, o paraíso na terra para eles, não se cansavam de repetir. Meu pai morreu quando eu tinha 12 anos, antes da ditadura militar, e minha mãe, antes do advento do bolsonarismo. E eu ainda estou aqui, por enquanto. Preocupo-me muito com o futuro das minhas filhas e netos.

Apesar de tudo, espero e torço que vocês recebam boas notícias em 2025, e obrigado por terem me acompanhado por mais um ano. Já lá se vão 60 anos nesta estrada do jornalismo, a melhor profissão do mundo, segundo Gabriel Garcia Márquez.

Com diz o caipira: “De ano em ano, vamo enganano o destino…”

Vida que segue.

Governo de PE segue requalificação do Morro da Conceição

Com início previsto para janeiro de 2025, o Governo de Pernambuco investe R$ 28,7 milhões na segunda etapa das obras de requalificação do Morro da Conceição.

O projeto foi iniciado após um grave desabamento dia 30 de agosto, que deixou 29 pessoas feridas e duas mortas.

A iniciativa é um convênio com a Arquidiocese de Olinda e Recife e inclui a recuperação do piso, instalação de forro, substituição de esquadrias e melhorias estruturais.

R$ 106 de aumento no salário mínimo demonstra o retrato da desconexão do governo com a realidade social do brasileiro. Por Flávio Chaves

O povo merece mais do que sobreviver em meio à miséria e à desigualdade. Não basta sobreviver, é preciso viver.

Por Flávio Chaves – Jornalista, poeta, escritor e membro da Academia Pernambucana de Letras. Foi Delegado Federal/Minc 

Quando analisamos o aumento de R$ 106,00 no salário mínimo, é inevitável pensar no abismo entre o discurso político e a realidade. Muitos defendem que qualquer aumento é positivo, mas a verdade é que um acréscimo tão pequeno nem sequer acompanha o ritmo da inflação, muito menos cobre os custos crescentes de alimentação, moradia, transporte e saúde. Isso significa que, na prática, o poder de compra do trabalhador não aumenta, mas diminui, deixando milhões ainda mais vulneráveis.

De acordo com o DIEESE (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), o salário mínimo necessário para atender às necessidades básicas de uma família brasileira deveria ser próximo de R$ 6.000,00 em 2024. O contraste com o valor atual é um reflexo gritante da desconexão entre as elites políticas e a realidade da maioria da população.

Enquanto economistas e analistas técnicos discutem o impacto fiscal desse reajuste, milhões de brasileiros vivem sem limite de sobrevivência. Nas comunidades urbanas, as famílias precisam escolher entre pagar contas ou colocar comida na mesa. Já nas zonas rurais, onde o salário mínimo é frequentemente a única referência de renda, o aumento é insuficiente até mesmo para adquirir uma cesta básica.

Essa situação perpetua um ciclo de miséria. Em vez de proporcionar condições dignas, o reajuste acaba reforçando a sensação de abandono. Para muitos, o salário mínimo é a única fonte de sustento, e sua insuficiência não apenas mantém a pobreza, mas a profunda, gerando impactos que vão muito além do financeiro, afetando também a saúde mental e emocional das famílias. Essa é uma realidade que sangra.

O maior problema não é apenas o valor em si, mas uma escolha política de priorizar os interesses de uma elite já abastada. Grandes corporações continuam a receber isenções fiscais e privilégios bilionários, enquanto o trabalhador é relegado a migalhas. Essa política de manutenção de privilégios demonstra um descompromisso evidente com a justiça social.

Os governantes deveriam usar sua posição para reduzir desigualdades e melhorar a qualidade de vida da população, mas frequentemente optam por preservar o status quo. Essa indiferença reflete um modelo de governança que perpetua a exclusão social e aprofunda as disparidades econômicas.

Esse reajuste irrisório não é apenas insuficiente; ele simboliza o descaso com a dignidade humana. Famílias inteiras vivem na incerteza, incapacitados de cobrir despesas básicas ou planejadas o futuro. Para muitos, o salário mínimo deveria ser um alicerce para a construção de uma vida melhor, mas, na realidade, ele se tornou um limitador.

O impacto psicológico e social dessa situação é devastador. A falta de perspectivas gera desesperança, alimenta ciclos de pobreza e aumenta os índices de violência e abandono escolar. O que deveria ser um direito assegurado é tratado como uma concessão, colocando o trabalhador em uma posição de constante vulnerabilidade.

Diante de tanta desigualdade, é urgente que a sociedade brasileira se mobilize para exigir mudanças estruturais. Não se trata apenas de reajustar o salário mínimo, mas de criar políticas públicas que garantam condições reais de dignidade para todos os trabalhadores.

Movimentos sociais, sindicatos e organizações de base desempenham um papel crucial nessa luta, enviados por um governo mais responsável e comprometido. Além disso, as eleições são momentos decisivos para transformar a indignação em ação. A população precisa cobrar de candidatos e partidos propostas concretas e um compromisso real com a redução das desigualdades.

O aumento de R$ 106,00 no salário mínimo é um retrato da negligência estatal com a população trabalhadora. Enquanto o discurso oficial tenta celebrar o reajuste, a realidade é de fome, miséria e falta de oportunidades para milhões de brasileiros.

A luta por justiça social deve ser contínua. O povo brasileiro merece mais do que sobreviver; merece viver com dignidade, com direitos respeitados e acesso a um futuro melhor. Não podemos aceitar migalhas enquanto há recursos para transformar vidas e construir um Brasil mais justo e igualitário.

O povo brasileiro merece mais do que sobreviver em meio à miséria e à desigualdade. Não basta sobreviver, é preciso viver.