Lula delega a Margareth Menezes chefia de missão oficial na África

Por Bela Megale
Do Jornal O Globo

O presidente Lula delegou à ministra da Cultura, Margareth Menezes, a chefia de uma missão do governo brasileiro em Benin, na África.

Na quarta-feira (8), Margareth vai embarcar para Cotonou e Uidá, no país africano, onde terá encontros com autoridades locais e participará do Festival das Culturas Ancestrais. Uma das agendas será a instalação de um Comitê de Implementação dos Acordos Culturais, com a presença do ministro da Cultura do Benin.

Margareth Menezes vai representa o governo brasileiro nas agendas de cooperação entre os dois países, que ocorrem em diferentes áreas, como cultura, infraestrutura e esporte.

A delegação brasileira será composta por membros do Ministério da Cultura, Fundação Cultural Palmares, IPHAN, Ministério das Relações Exteriores, Ministério da Igualdade Racial, Embratur, e representantes do governo da Bahia e da Prefeitura Municipal de Salvador.

Em maio do ano passado, o presidente Lula recebeu o presidente do Benim, Patrice Talon, no Palácio do Planalto. Na ocasião, foi assinado acordo com o Ministério da Cultura para intensificar a cooperação cultural entre os países.

Saiba por que PT escolheu Araraquara para ato do 8 de janeiro

Por Letícia Martins
Da CNN

O Partido dos Trabalhadores (PT) realizará um ato em memória aos dois anos dos ataques de 8 de janeiro em Araraquara, município do interior de São Paulo. A cidade escolhida pela sigla é onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estava no dia em que a Praça dos Três Poderes foi invadida.

O evento é organizado pelo ex-prefeito de Araraquara Edinho Silva (PT), que chefiou a cidade de 2021 a 2024.

Ato em Brasília
Na capital federal, o governo organiza um ato no Palácio do Planalto em memória à data. O evento contará com a presença de ministros e autoridades. No ano passado, o evento aconteceu no Palácio do Alvorada.

Em janeiro de 2024, o ato foi denominado de “Democracia Inabalada”. A cerimônia solene contou com a presença dos chefes dos Três Poderes, ministros, governadores e convidados no Salão Negro do Congresso Nacional.

Na época, diferentes governadores e congressistas da oposição não participaram do evento.

Neste ano, Lula convocou os comandantes do Exército, general Tomás Paiva, da Aeronáutica, brigadeiro Marcelo Damasceno, e da Marinha, almirante Marcos Olsen, para se juntar aos presidentes do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, para a cerimônia.

Por que Araraquara?
No dia 8 de janeiro, o presidente Lula estava na cidade do interior de São Paulo para examinar danos causados pelas chuvas que atingiam a região. Ele estava acompanhado da primeira-dama, Janja da Silva.

Em entrevista à CNN em janeiro de 2024, Lula destacou que estava em Araraquara para ver “a destruição de um córrego por causa de uma tempestade que tinha acontecido” e viu na televisão as invasões em Brasília.

“Aí eu fui avisando, porque tinha gente vendo televisão na prefeitura, que estavam invadindo os prédios. Aí eu fui para a sala de televisão e fiquei vendo a invasão aqui no Palácio (do Planalto), fiquei vendo a invasão, fiquei vendo as manifestações. Liguei para algumas pessoas aqui. Liguei para o Flávio Dino (ministro da Justiça na época). Outras pessoas me ligaram. E foi um momento de tensão. Ou seja, era uma coisa, eu diria… que eu não imaginei que poderia acontecer no Brasil novamente”, disse Lula.

Segundo o livro “Uma Cidade na Luta pela Vida, da Pandemia ao 8 de janeiro”, escrito por Edinho, ex-prefeito de Araraquara e cotado par substituir Gleisi Hoffmann no comando do PT neste ano, Lula queria embarcar imediatamente para a capital federal, mas foi convencido a improvisar uma espécie de gabinete de crise em Araraquara.

“Era típico de Lula liderar sem intermediários. Mas a reação de quem estava na sala foi com a mesma ênfase: ele não poderia ir para Brasília sem que a situação estivesse sob total controle”, escreveu Edinho no livro.

“Era um risco Lula tentar voltar, um risco real ele não conseguir sair do aeroporto, um risco ele ficar sitiado na base aérea, um risco os golpistas tentarem invadir o aeroporto.”

Da sede da Prefeitura de Araraquara, o mandatário então ordenou uma intervenção federal no Distrito Federal e, na noite daquele dia, tomou a decisão de retornar para Brasília e visitar a destruição no Palácio do Planalto, no Supremo Tribunal Federal e no Congresso Nacional.

O objetivo do evento na cidade de São Paulo é relembrar que as primeiras ordens do presidente foram dadas enquanto ele ainda estava visitando Araraquara.

Lula deve participar do evento em Araraquara por vídeoconferência, porque estará presente no ato de Brasília, segundo apuração de Julliana Lopes, da CNN.

Uma terra sem esperança. Por Claudemir Gomes

Por Claudemir Gomes  –  Em todo início de ano as pessoas se enchem de esperança. Um sentimento que se apossa dos seres humanos em todos os continentes. Creio eu que isso faz um bem a toda humanidade. Mas neste universo imensurável existem filigranas que resistem às mudanças, tal como o futebol pernambucano.

No quarto dia da nova temporada testemunhamos a desclassificação dos dois representantes pernambucanos – Santa Cruz e Retrô – no torneio classificatório para a Copa do Nordeste. Evidente que, o impacto de tal desastre é devastador para o clube de massa, para a agremiação centenária, o Santa Cruz, que há menos de uma década (2016) disputou o Brasileiro da Série A escudado no título de Campeão do Nordeste. O Retrô é um clube emergente, criado pelo seu dono para ser chamado de meu.

Jogo encerrado, busquei o registro da reação dos tricolores que, movidos pela esperança, foram ao Arruda hipotecar sua solidariedade ao time que passou mais de nove meses parado. Para a massa coral aquele jogo representava o primeiro passo do soerguimento de um dos clubes mais populares do futebol brasileiro. Frustração geral. Os comentários dos cronistas esportivos não foram além do fato, ou seja, da fatídica derroa – 2×1 – para o Treze de Campina Grande. O que aconteceu foi apenas a queda de mais um tijolo desse assustador desmoronamento que vem destruindo futebol pernambucano.

Foi inevitável não traçar um paralelo entre o Santa Cruz dos anos 70 do século passado, e o Santa Cruz dos dias de hoje. O “Gigante” desidratou, definhou. O pior: até o momento ninguém encontrou um antidoto para o seu mal. Os paliativos aplicados não passam de garapas ineficazes.

O Santa Cruz dos dias de hoje é uma das respostas da desastrosa gestão do futebol pernambucano – FPF – peça importante na engrenagem da CBF, uma máquina que não acompanha o ritmo das grandes confederações.

Como uma entidade deixa que um filiado passe nove meses sem disputar um jogo sequer? Jogadores de xadrez e de dominó precisam estar ativos, imaginem atletas de futebol profissional.

Observo que as discussões são muito superficiais. O presidente da Federação vomita um monte de besteiras enquanto os presidentes dos clubes se calam e aplaudem. Eis a razão pela qual, nas dez últimas edições da Copa do Nordeste os cearenses levantaram dez títulos contra dois dos baianos, um pernambucano e um maranhense. O futebol pernambucano ficou nanico até na região.

O ano está apenas começando. Vem aí, no próximo final de semana, a abertura do Campeonato Pernambucano, que a julgar pela qualidade da maioria dos dez clubes participantes, teremos um verdadeiro show de horrores.

É isso aí: esperança de um ano melhor para o futebol pernambucano, ao que tudo indica, não vai passar de uma promessa de Papai Noel.