Auditoria aponta irregularidades em obra vitrine da gestão João Campos

Por Artur Búrigo e José Matheus Santos
Da Folha de São Paulo

Um relatório de auditoria do Tribunal de Contas de Pernambuco (TCE-PE) aponta supostas irregularidades em contratos que envolveram a obra do Parque da Tamarineira, no Recife.

Inaugurado em julho do ano passado pelo prefeito João Campos (PSB), o local virou uma das vitrines de sua gestão, reeleita no primeiro turno meses depois.

A auditoria da corte de contas aponta que a execução da obra foi alvo de “contratação controversa” e sem base legal, que houve superfaturamento e que os serviços executados são de baixa qualidade.

Procurada, a Prefeitura do Recife afirmou que a obra do parque da Tamarineira foi realizada em estrito cumprimento à legislação e que o procedimento de contratação atendeu plenamente aos princípios da legalidade, moralidade e economicidade.

O principal questionamento da auditoria refere-se à contratação de obras de manutenção em vez de uma licitação para a construção do parque, duas coisas de naturezas distintas.

“Foram firmadas 16 contratações independentes com várias empresas, gerando dificuldades para a fiscalização correta da execução dos serviços, bem como não restou comprovado a obtenção das propostas mais vantajosas por parte da Administração Pública uma vez que não houve procedimento licitatório específico para o objeto contratado”, diz trecho da auditoria.

A gestão municipal diz que, em análise comparativa com a tabela do sistema nacional de pesquisa de custos e índices da construção civil (SINAPI), caso a implementação do Parque tivesse sido realizada por meio de um novo processo licitatório, “o custo chegaria a R$ 715 mil, valor 18,26% maior que o efetivamente pago, o que comprova que a gestão municipal atuou em total atenção ao princípio da economicidade”.

Os técnicos também afirmam que houve um superfaturamento na construção de piso em concreto nos passeios e quadra poliesportiva do parque da ordem de R$ 152,4 mil.

A prefeitura contesta e afirma que essa conclusão se baseou em “premissa equivocada e precipitada”

“[Foi] decorrente da soma dos itens do quadro resumo do projeto, que não considerou alguns serviços executados que têm como base o concreto, levando a uma interpretação incorreta dos custos da obra”, diz a gestão.

A prefeitura ainda diz que o relatório de auditoria não foi submetido à análise técnica da Corte de Contas, “que certamente refutará integralmente os achados ao confrontá-los com as robustas justificativas técnicas da municipalidade”.

Moraes nega autorização para Bolsonaro ir à posse de Trump

O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), negou o pedido feito pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para viajar aos Estados Unidos para a posse de Donald Trump.

Moraes justificou, em sua decisão, que Bolsonaro já manifestou publicamente ser favorável à fuga de condenados em casos da investigação e na permanência clandestina no exterior, em especial na Argentina, para evitar a aplicação da lei e das decisões judiciais.

Também afirmou que não foi juntado aos autos nenhum documento probatório que demonstrasse a existência de convite realizado pelo presidente eleito dos EUA a Bolsonaro, conforme alegado pela defesa do ex-presidente.

Na quarta-feira (15), o procurador-geral da República, Paulo Gonet, havia se manifestado contra o pedido, com o argumento de que não foi demonstrada “necessidade básica, urgente e indeclinável” de o ex-presidente sair do país.

Além disso, Gonet afirmou que Bolsonaro não apresentou “fundamento de especial relevo que supere o elevado valor de interesse público que motiva a medida cautelar em vigor” e que a viagem desejada “pretende satisfazer interesse privado” e não se mostra imprescindível.

O procurador-geral também afirmou que Bolsonaro não exerce função que confira status de representação oficial do Brasil à sua presença na cerimônia oficial nos Estados Unidos.

O passaporte de Bolsonaro está retido em decorrência das investigações das quais ele é alvo, incluindo a que trata da suspeita de envolvimento numa trama de golpe de Estado em 2022.

A defesa de Bolsonaro pede permissão para ele viajar de sexta (17) a quarta-feira (22) para acompanhar a programação da posse, o que inclui dois bailes e a cerimônia de oficialização do republicano no cargo, que ocorrerá na segunda-feira (20).

No sábado (11), Moraes havia determinado ao ex-presidente o envio de documentos para comprovar o convite recebido, dizendo que não tinham sido informados os horários dos eventos nem a programação de cerimônias.

No despacho, ele disse que o convite incluído no pedido havia sido enviado ao email do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do ex-presidente, por um endereço eletrônico “não identificado” e sem detalhes das cerimônias.

Na segunda-feira (13), os advogados de Bolsonaro sustentaram ao ministro a veracidade do email. De acordo com eles, é um meio de “comunicação formal utilizado pela aludida equipe cerimonial”, e o uso de domínios online específicos e temporários é comum em eventos de posse presidenciais americanas .

“Prestigia-se a boa-fé do declarante, in casu, de que o convite enviado por e-mail oficial do comitê representado por Donald J. Trump é verdadeiro, justamente porque mentiras ou omissões propositadas podem levar a rigorosas consequências”, disseram os advogados.

Na mesma resposta, a defesa afirmou que a posse do presidente eleito é um “evento de notória magnitude política e simbólica e o convite para comparecer à sua cerimônia encontra-se carregado de significados e implica em diversos aspectos importantes, tais como o reforço de laços e o fortalecimento das relações bilaterais entre os países mediante o diálogo entre dois líderes globais”.

Os advogados ainda disseram reiterar o compromisso de o ex-presidente não atrapalhar “o andamento das investigações” e cumprir integralmente as medidas cautelares impostas.

Em documento datado da última quinta-feira (9), no qual pedia a liberação do passaporte para a viagem, a defesa de Bolsonaro afirmou que havia recebido em novembro convite formal, do “Hispanic Inaugural Committe”, para “participar do baile oficial de posse hispânico”, marcado para o próximo sábado (18).

Da Folha de São Paulo.

Moraes aponta “possibilidade de fuga” ao negar passaporte a Bolsonaro

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), apontou que as medidas impostas ao ex-presidente Jair Bolsonaro no ano passado devem permanecer porque, segundo o magistrado, há risco de tentativa de fuga.

“O cenário que fundamentou a imposição de proibição de se ausentar do país, com entrega de passaportes, continua a indicar a possibilidade de tentativa de evasão do indiciado JAIR MESSIAS BOLSONARO, para se furtar à aplicação da lei penal”, aponta o ministro na decisão desta quinta-feira (16).

Moraes também destaca, no documento, que o ex-presidente pode proceder “da mesma maneira como vem defendendo a fuga do país e o asilo no exterior para os diversos condenados com trânsito em julgado pelo plenário do STF, em casos conexos à presente investigação”.

Esse é um dos argumentos do ministro para negar a devolução do passaporte a Bolsonaro, que foi solicitado pela defesa do ex-presidente para que ele pudesse ir à posse de Donald Trump nos Estados Unidos.

A decisão segue o entendimento da Procuradoria-Geral da República (PGR), que se manifestou de maneira contrária à liberação do documento e à autorização da viagem.

O documento de Bolsonaro foi apreendido em fevereiro do ano passado pela Polícia Federal (PF).

O procurador-geral afirmou a Moraes, na quarta-feira (15), que não há, no pedido da defesa de Bolsonaro, evidência de que a viagem aos Estados Unidos “acudiria a algum interesse vital” do ex-presidente, “capaz de sobrelevar o interesse público que se opõe à saída” dele do país.

Da CNN Brasil.