O tempo é um fio bastante frágil, na poesia de Henriqueta Lisboa

Henriqueta, retratada por Nássara

Paulo Peres
Poemas & Canções

A poeta mineira Henriqueta Lisboa (1901-1985), em 1963, foi a primeira mulher eleita membro da Academia Mineira de Letras. Em 1984, recebeu o Prêmio Machado de Assis da Academia Brasileira de Letras pelo conjunto de sua obra. Intelectual sensível, dedicou sua vida à poesia e sustentava que “O Tempo é Um Fio” e com bastante fragilidade  precisa ser sustentado e vivido.

O TEMPO É UM FIO
Henriqueta Lisboa

O tempo é um fio
bastante frágil
Um fio fino
que à toa escapa.

O tempo é um fio.
Tecei! Tecei!
Rendas de bilro
com gentileza.

Com mais empenho
franças espessas.
Malhas e redes
com mais astúcia.

O tempo é um fio
que vale muito.

Franças espessas
carregam frutos.
Malhas e redes
apanham peixes.

O tempo é um fio
por entre os dedos.
Escapa o fio,
perdeu-se o tempo.

Lá vai o tempo
como um farrapo
jogado à toa.

Mas ainda é tempo!

Soltai os potros
aos quatro ventos,
mandai os servos
de um pólo a outro,
vencei escarpas,
voltai com o tempo
que já se foi!…

Moraes diz a relator da OEA que há 28 bloqueados nas redes

Brasil espera equilíbrio de relator de comissão da OEA - 11/02/2025 -  Painel - Acre Notícias

Relator da OEA foi recebido por Barroso e por Moraes

Mônica Bergamo
Folha

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes disse, nesta segunda (10), ao relator especial para liberdade de expressão da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da OEA (Organização dos Estados Americanos), o colombiano Pedro Vaca Villarreal, que 1.900 pessoas foram denunciadas após os ataques de 8 de janeiro.

Deste total, segundo ele, 28 investigados tiveram os perfis em redes sociais bloqueados por ordem da corte.

COM BARROSO – Moraes participou do encontro com o advogado a convite do presidente do STF, Luís Roberto Barroso.

Na conversa, o ministro explicou o contexto das investigações e deu detalhes sobre os motivos que levaram à suspensão da plataforma X, de Elon Musk, no Brasil: porque a empresa fechou sua representação legal no país e com isso deixou de cumprir a legislação brasileira e pelo descumprimento reiterado de outras decisões do STF.

Ele também afirmou que, ao longo dos últimos cinco anos, cerca de 120 perfis foram bloqueados no país. Em todos os casos, disse, houve acompanhamento da defesa e da Procuradoria-geral da República (PGR), sendo que mais de 70 recursos foram julgados em colegiado.

LIBERDADE DE EXPRESSÃO – O objetivo foi mostrar ao relator da OEA que não há um quadro generalizado de bloqueio de perfis e afronta à liberdade de expressão no Brasil.

Com encontros agendados também com parlamentares e lideranças bolsonaristas, a visita de Pedro Vaca ao Brasil entusiasma o grupo, que enxerga a oportunidade de convencer o organismo internacional de que não existe mais democracia nem liberdade de expressão no país.

A expectativa dessas lideranças é a de que o advogado faça um relatório contundente contra Moraes, considerado o maior algoz do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

ATAQUE À DEMOCRACIA – Durante o encontro, Barroso falou sobre como o Brasil sofreu um forte ataque à democracia, inclusive com tentativa de golpe de Estado, o que exigiu a atuação do  Supremo.

Ele citou situações de risco, como a politização das Forças Armadas e o incentivo a acampamentos bolsonaristas que pediam golpe de Estado. Lembrou ainda discursos de parlamentares defendendo a agressão a ministros do STF.

Barroso afirmou também que novas investigações da Polícia Federal descobriram um plano para matar o então presidente eleito, Lula (PT), o vice, Geraldo Alckmin (PSB), e Moraes.

Pedro Vaca tem outras conversas marcadas com jornalistas e organizações de Direitos Humanos e da sociedade civil.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Foi uma tremenda saia justa. Barroso e Moraes fizeram uma tabelinha e tentaram dar o drible da vaca no relator da OEA, mas não deu. As provas contra Moraes são muitas e indefensáveis, como o inquérito do fim do mundo, que não acaba nunca, a censura e o bloqueio de perfis e de contas bancárias, sem assegurar o direito de defesa dos investigados. Para disfarçar, Moraes liberou Monark, mas ficou devendo muitas decisões autoritárias. (C.N.)

Alepe: PP retorna ao “blocão” governista; União Brasil deve sair

  A Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) tem movimentação intensa nos bastidores nesta semana devido à formação das comissões da Casa. As lideranças dos blocos têm até sexta-feira (14) para enviar as indicações dos deputados que irão compor os colegiados, o que tem gerado reconfigurações nas bancadas.

Atualmente, o cenário aponta para a existência de três blocos: o “blocão” governista, formado por PSDB, PRD, Solidariedade, Federação Brasil da Esperança (PT, PV e PCdoB) e União Brasil; o bloco independente, composto por MDB, PL e PP; e o bloco de oposição, integrado por PSB, PSOL e Republicanos. No entanto, novas mudanças estão em curso.

Blocão  

O União Brasil, que conta com cinco deputados, incluindo a líder do governo Raquel Lyra (PSDB) na Casa, Socorro Pimentel, se movimenta para deixar o “blocão” governista. Segundo parlamentares, a decisão caberá ao presidente estadual da sigla, Miguel Coelho, aliado do prefeito do Recife, João Campos (PSB).

A indefinição gira em torno de qual posição o União Brasil assumirá: tornar-se independente ou formar um bloco com a oposição. Como a escolha de Socorro Pimentel para a liderança do governo foi feita diretamente pela governadora Raquel Lyra, sem consulta ao partido, a tendência é que ela permaneça no cargo, mesmo com uma possível saída da legenda do blocão.

Já o PP, que havia deixado o “blocão” governista no início do ano legislativo, vai retornar ao grupo.

Bloco independente  

Entre os independentes, o PL ainda não definiu sua posição. A legenda deve ser liderada por Abimael Santos, mas dois parlamentares da sigla, Renato Antunes e Joel da Harpa, são próximos da governadora e defendem, nos bastidores, uma aproximação com o bloco governista. Para que essa mudança ocorra, seria necessário convencer ao menos mais um dos cinco deputados do PL. Por enquanto, a tendência é de que o partido permaneça independente, mas esse cenário ainda pode mudar.

Fonte: FOLHAPE