Polícia Federal autoriza concurso com mil vagas para carreira policial

Prazo para publicação do edital de inscrições é de até seis meses

Polícia Federal Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A Polícia Federal (PF) autorizou a realização de concurso público para mil novas vagas na área policial. A medida foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) da última sexta-feira (14).

As vagas autorizadas para cinco cargos da Polícia Federal são: 120 para o cargo de delegado; 69 para perito criminal federal; 630 vagas para agente; 160 para escrivão; 21 para papiloscopista.

INSCRIÇÕES
O prazo para a publicação do edital de abertura de inscrições para o concurso público será de até seis meses, ou seja, até agosto, contados da publicação da portaria nesta sexta-feira. O documento é assinado pelo diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Passos Rodrigues.

Em publicação nas redes sociais, a corporação avisa que foi autorizado o concurso para a carreira administrativa.

No fim de janeiro, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, anunciou a realização de um novo concurso da Polícia Federal para preenchimento de duas mil novas vagas, ampliando o número de integrantes da corporação de 13 mil para 15 mil policiais.

Na ocasião, Lewandowski previu que a entrada efetiva dos aprovados no concurso público deve ocorrer até o fim deste ano ou em 2026.

*Com informações da Agência Brasil

Alta no preço dos ovos preocupa comerciantes e consumidores

Valor atingiu o maior patamar diário em termos nominais da série histórica que começou em 2013

Preço do ovo tem preocupado consumidores Foto: Freepik

A alta no preço dos ovos, que está sendo uma opção para quem quer economizar devido o valor das carnes, tem preocupado tantos os consumidores quando os comerciantes. De acordo com a Associação Brasileira de Supermercados, o valor do alimento tem ficado maior desde a segunda quinzena de janeiro.

De acordo com a associação, o fato do ovo ter virado substituto da carne para muitas famílias e o período de Quaresma, que começa em março e termina em abril, colaboram para a valorização do item.

– As empresas iniciaram o programa de abastecimento das lojas para atender à demanda sazonal da Quaresma, mas a restrição na oferta e os aumentos sucessivos de preços preocupam supermercados. Além disso, os consumidores também tem recorrido mais aos ovos de galinha devido à alta dos preços das demais proteínas – explicou o vice presidente do grupo ao jornal Folha de S. Paulo.

Ainda de acordo com o veículo, o preço dos ovos atingiu o maior patamar diário em termos nominais da série histórica que começou em 2013.

A maior produtora de ovos de galinha do Brasil é a cidade de Santa Maria de Jetibá, no Espírito Santo. Lá, uma caixa com 30 dúzias de ovos brancos chegou a R$ 233,55, um aumento de 37,9% se comparado a fevereiro de 2024, quando a caixa com a mesma quantidade saia a R$ 169,33.

Algum dia teremos saudade deste mundo que estamos em vias de perder

Por Roberto Brant*

O isolamento geográfico sempre nos deu a falsa sensação de que o que ocorre no mundo não afeta decisivamente a nossa vida. Isso pode ter sido verdade no passado, mas há muito deixou de ser. Hoje, tanto na economia como na política, atingimos uma dimensão que forçosamente nos interconecta com tudo de relevante que ocorre no mundo.

Em grande parte do século XX tanto o Brasil como toda a América Latina viveram sob estrita dependência dos Estados Unidos, dependência que várias vezes assumiu a forma de pura submissão e de relativização das nossas próprias soberanias. Com o fim da Guerra Fria e com o nosso amadurecimento econômico e político já não se pode dizer que fazemos parte da esfera de influência americana, como costumava ser no passado. O Brasil é hoje um país plenamente soberano, age com total autonomia política e tem relações econômicas diversificadas. Nosso principal parceiro comercial é a China e não mais os Estados Unidos e nada indica que isto possa mudar.

Apesar disso, a sucessão presidencial americana, que ocorreu com a posse de Donald Trump, poderá ter mais influência em nossa vida do que qualquer outra na história. Agora, não porque somos um país subdesenvolvido da América Latina, mas porque somos uma nação relevante no mundo. Se o Presidente Trump confirmar mesmo uma pequena parte do que tem prometido, a ordem mundial, na economia e na política, será completamente alterada — e certamente não para melhor.

Desde o fim da Segunda Guerra as alternâncias de poder político nos Estados Unidos transcorreram sem grandes surpresas ou ansiedades, porque não modificavam certos consensos fundamentais na política econômica e na política externa. Desta vez será diferente, pois as eleições deram o poder a um movimento anti-institucional, expressão de uma sociedade posta em situação defensiva e temerosa do futuro, diferente da América cheia de autoconfiança e de orgulho com que havíamos nos acostumados a lidar.

O novo governo recebeu um amplo mandato para tentar interromper o ritmo da evolução histórica que tem relativizado o poder político e econômico dos Estados Unidos e que encaminha o mundo para uma ordem global multipolarizada. Para esse fim, o novo governo está dispensado de obedecer a regras no plano internacional, mesmo que essas regras tenham sido constituídas sob a forte liderança da América e tenham servido até agora aos seus interesses. E está também liberado para desafiar internamente as próprias instituições do Estado de Direito, contando para isso com uma maioria parlamentar domesticada e uma Suprema Corte maleável e claramente politizada.

O que um povo decide livremente fazer com o seu país é um problema seu. No entanto, dado o peso e a força dos Estados Unidos, com seu exército, suas empresas, suas universidades, sua moeda, tudo que lá ocorre transborda para o mundo. No plano da geopolítica, a desmontagem das instituições internacionais pode transformar o mundo em um campo selvagem. Se os Estados Unidos podem invadir o Panamá e ocupar o canal, a Rússia tem todo o direito de invadir a Ucrânia e seguir adiante para defender seus interesses. Ocupar a Groelândia pela força será o fim da OTAN e da proteção da Europa diante das autocracias que a rodeiam. Tudo o que resultou da vitória da Segunda Guerra estará sepultado, e a paz de 1945 a 2025 parecerá um dia apenas; uma pausa na eterna tragédia da história humana.

Na economia a imposição unilateral de tarifas para ressuscitar a indústria americana vai desencadear respostas retaliatórias e tornar o comércio internacional um campo de batalha, retrocedendo a um ambiente que no século passado gerou recessões e guerra. O comércio deixará de ser uma relação econômica entre empresas e consumidores para se transformar em uma questão de Estado e de hegemonia política.

A ordem internacional em que vivemos tem muitos defeitos e a muitos parece injusta. Mas basta imaginar um mundo sem a ONU, sem a Organização Mundial da Saúde, sem a Organização Mundial do Comércio, para se ter a certeza de que algum dia teremos saudade deste mundo que estamos em vias de perder.

*Advogado, ex-deputado federal e ex-ministro da Previdência Social