Em nota, o desembargador Gabriel Cavalcanti lamenta morte de Fausto Freitas

O desembargador Gabriel Cavalcanti, do TJPE, lamentou neste sábado a morte do ex-deputado estadual e ex-presidente do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) Fausto Valença de Freitas.

Pesqueirense , foi um homem singular !

Atuou , com talento e distinção , nos três poderes do nosso Estado , chegando ao cargo máximo do nosso Tribunal.

Um gentleman , elegante no vestir , no falar e no agir. Sempre muitíssimo educado e atencioso com todos , independente da idade . Uma pessoa ímpar que nos ensinava constantemente a difícil arte de buscar convergências e consensos , com sua habilidade natural.

Viveu uma vida plena e vai ao encontro do Pai Celestial , com todos os méritos de um homem realizado e feliz.

Que Deus console D. Valéria e todos seus familiares !

   Desembargador GABRIEL CAVALCANTI, (TJPE)

O intelectual Fausto Freitas e sua devoção pela arte e cultura literária. Por Flávio Chaves

     Por Flávio Chaves – Jornalista, poeta, escritor e membro da Academia Pernambucana de Letras. Foi Delegado Federal/Minc    –    Fausto Freitas partiu na manhã deste sábado para morar no infinito. Deixou a vida com a serenidade dos que sabem que cumpriram sua jornada, como quem fecha um livro depois de percorrer todas as suas páginas com atenção e paixão. Ex-presidente do Tribunal de Justiça de Pernambuco, sua trajetória foi marcada pela moderação e pelo equilíbrio, qualidades que o tornaram um pacificador nato, um homem capaz de atravessar a vida política sem deixar inimigos pelo caminho.

Mas Fausto Freitas era mais que isso. Ele era um devoto das artes e um eterno apaixonado pela história da cultura. Sempre que nos encontrávamos, a conversa enveredava pelos labirintos literários, pelas curvas e contornos das grandes obras artísticas. E quando surgia o nome de Leonardo da Vinci, os olhos de Fausto brilhavam, como se ele estivesse diante de um altar de sabedoria.

Da Vinci fascinava Fausto. O gênio renascentista, que dominava ciências, engenharia, arquitetura e pintura, despertava nele um encanto especial. E dentre todas as maravilhas criadas por Da Vinci, havia uma que arrebatava o coração de Fausto: aquela misteriosa figura que sorri com um ar enigmático, a Monalisa.

“Olha o rosto…”, dizia ele, admirando uma fotografia da pintura. “O olhar… o sorriso… Isso é inexplicável.” Fausto não apenas apreciava essa obra; ele a venerava. Talvez porque, aos olhos dele, não era apenas uma pintura, mas uma presença. Algo que ultrapassava a tela, que tocava a alma e deixava perguntas suspensas no ar.

Mas Fausto não limitava sua admiração às artes plásticas. Em nossas conversas, ele frequentemente evocava outro gênio: Johann Wolfgang von Goethe. A obra Fausto, escrita pelo mestre alemão, era outra de suas paixões. Ele dizia que aquele personagem, tão complexo e atormentado pela sede de saber e pela busca do sentido da vida, espelhava a inquietação que habita os espíritos mais cultos. “Em cada um de nós há um pouco de Fausto”, costumava dizer. E completava: “A grande tragédia da vida é não encontrar a verdadeira sabedoria no tempo certo”.

Imagino que agora, nesse novo plano, Fausto e Leonardo Da Vinci estejam frente a frente. E que Fausto, com seu jeito terno e culto, logo pergunte ao gênio renascentista:

— Mestre, quem ama mais essa a Monalisa: você ou eu?

E então, talvez, Leonardo sorria aquele mesmo sorriso enigmático e responda com mistério:

— Cada um de nós ama a sua musa com a intensidade e carinho que nos toca o pulsar do coração.

Porque Fausto, na verdade, sempre acreditou que a verdadeira grandeza das obras de arte estava na capacidade de se multiplicarem. Que cada pessoa que cruzasse seu caminho poderia encontrar, em algum olhar, em algum sorriso, a mesma beleza encantadora e misteriosa que o fascinava tanto. Para Fausto, essa obra não era apenas uma figura no Louvre, mas uma expressão viva que se revelava nos momentos mais inesperados — talvez na ternura de um gesto, na doçura de um olhar ou na simplicidade de um sorriso que toca a alma e aquece o coração.

Talvez, por isso, Fausto tenha partido levando consigo uma lembrança só dele — íntima e silenciosa, que apenas ele saberia decifrar. Essa lembrança não se revela nas páginas da história, nem nas paredes dos museus, mas sim nas entrelinhas da vida, onde a arte se mistura ao afeto e transforma um simples instante em eternidade.

Fausto Freitas partiu. Mas deixou na vida um encanto silencioso, para que o mundo, mesmo desapercebido, continue sendo mais bonito e cheio de mistério. Que ele siga agora no infinito, debatendo com Da Vinci os segredos dos sorrisos que encantam o mundo.

Na contramão da história Trump está tentando desglobalizar o mundo. Por José Nivaldo Junior

 Por José Nivaldo Junior Consultor em comunicação, advogado, historiador, escritor, membro da Academia Pernambucana de Letras e diretor de O Poder  –       A história acontece sempre como tragédia (genero teatral) e nunca se repete, embora circunstâncias semelhantes ocorram. Às vezes, parece farsa. Vamos recorrer à IA para definir claramente essa palavra de várias conotações: “A farsa é um gênero teatral cômico que se caracteriza por utilizar personagens caricatas e situações exageradas. O objetivo é provocar o riso e não se preocupar com a discussão de valores”. Ou seja, parece o perfil de Trump, esculpido e encarnado.

O palco da história

A história é feita naturalmente pelos seres humanos. Mas não de acordo com um livre arbítrio absoluto. As ações visível, das pessoas simples às mais poderosas do planeta, não decorrem da sua vontade soberana mas de um conjunto de circunstâncias frequentemente invisíveis a olho nu, que condicionam a atuação dos personagens no palco da vida. Essas razões têm suas origens, principalmente, no mundo econômico, nas relações sociais primárias e, principalmente, no avanço tecnológico.

Globalização

Foi exatamente o avanço da tecnologia, da produção à comunicação, que globalizou o mundo considerado desenvolvido. As diversidades de matérias-primas e as especializações da mão de obra quebraram fronteiras, que se mantém como um arcaísmo transitório a caminho da extinção. Uma revolução está em curso, em escala planetária. Maior e mais profunda do que as grandes rupturas contemporâneas, como a Revolucao Francesa de 1789 e a Revolução Soviética, de 1917.

O indivíduo na história

O processo histórico que acontece sob nossos olhos é mais fácil viver e acompanhar do que compreender. A compreensão exige estudos e análises pautadas metodologicamente, ao alcance de profissionais qualificados no campo historiográfico, e nem todos. A vivência dos fatos exige apenas uma passividade aos grandes rumos dos rebanhos humanos, sem um verdadeiro espírito crítico, substituído pela perplexidade.

Trump

Ao focar sua política no nacionalismo obsoleto, está desafiando as tendências do mundo e jogando pedras para o ar, a maioria das quais cairá em sua própria cabeça. Trump por acaso é burro e mal assessorado? Nunca. Ele sabe os riscos que corre e os obstáculos que enfrentará na caminhada. Se suas medidas derem certo, o mundo entrará em processo de desglobalização. Isso é possível acontecer por um curto prazo. Lembrando que a história se conta por séculos e milênios, as vidas humanas por décadas, as políticas governamentais por anos. Trump vai na contramão do mundo que vem sendo construído, apostando em resultados que, a curto prazo, deem substância ao seu curto mandato sem reeleição. É uma aposta política egoísta, contra a ética vigente nas relações internacionais. Um retrocesso ao modelo antigo de ‘manda quem pode, obedece quem tem juízo’. A um imperialismo fora de moda e da pauta do nosso tempo. Um reforço a um atraso mental que, contraditoriamente se opõe ao avanço tecnológico. Mas a história é feita de contradições e avança pelo entrechoque das forças contrárias. A política de Trump será esmagada e revogada. Ninguém triunfa duradouramente contra o progresso.

E Musk?

É tarefa para muitas obras de análise essa união entre a vanguarda tecnológica e o retrocesso político.
Vamos refletir. Ficamos devendo aos leitores.