Jarbas Filho oficializa candidatura à presidência do MDB Pernambuco

Foto: Thiago Lemos

O deputado estadual Jarbas Filho (MDB) oficializou, há pouco, sua candidatura para concorrer à presidência do MDB Pernambuco, na eleição interna prevista para acontecer no dia 24 de maio. Ele disputará contra o atual presidente, o secretário de Relações Institucionais do Recife, Raul Henry, com quem travou uma recente batalha com troca de acusações pela veracidade do apoio dado por Jarbas Vasconcelos ao grupo do próprio filho.

Na carta, sem citar nomes, Jarbinhas critica a gestão de Raul e diz que, nos últimos anos, o MDB se tornou dependente de outras legendas, virando “instrumento de interesses particulares”.

Confira:

Com responsabilidade e espírito coletivo, decidi aceitar a indicação para concorrer à presidência do MDB de Pernambuco. Assumo essa missão ciente dos desafios que o momento exige, movido pela vontade de contribuir com a reconstrução e o fortalecimento de um partido que sempre fez parte da minha vida e da história política do nosso estado.

Minha trajetória política foi construída dentro do MDB, ao lado do meu pai, Jarbas Vasconcelos, um dos fundadores do partido no Brasil e referência de integridade e compromisso público. Através dele, aprendi desde cedo que política se exerce com diálogo, firmeza de princípios e respeito à sociedade. Conto com o apoio da minha família, da ampla maioria dos prefeitos emedebistas de Pernambuco e diversas lideranças políticas em todas as regiões do estado. É com esse incentivo que me coloco à disposição para liderar um novo ciclo no nosso partido.

Tenho plena convicção da legitimidade que carrego ao assumir esse desafio. O MDB de Pernambuco precisa reencontrar seu caminho, resgatando sua relevância e protagonismo político.

Nos últimos anos, infelizmente, nosso partido teve sua importância gradualmente reduzida, tornando-se muitas vezes instrumento de interesses particulares e dependente de outras legendas para manter sua sobrevivência. Essa não é a vocação do MDB. Não foi para isso que ele foi fundado, e não será esse o destino que aceitaremos passivamente.

Meu compromisso é claro: fortalecer o MDB com base no diálogo, na inclusão e no respeito à história dos nossos filiados. Quero reconstruir um partido vibrante, ativo, presente na vida dos pernambucanos de todos os cantos do estado. Sintonizados com os valores democráticos de sempre. Vamos juntos, trabalhar por um MDB forte, representativo e preparado para os novos tempos.

Conto com todos vocês nessa jornada

Jarbas Filho
deputado estadual

O Papa não está mais aqui. Por Flávio Chaves

Um adeus ao homem que fez do amor um dogma

Por Flávio Chaves – Jornalista, poeta, escritor e membro da Academia Pernambucana de Letras. Foi Delegado Federal/Minc – Ele não está mais aqui.

Não é uma frase dita com pressa. É um lamento que escapa devagar, como quem sussurra a ausência para não ferir demais o coração do mundo. Papa Francisco, o homem que foi mais do que um pontífice — foi presença, foi gesto, foi humanidade encarnada — partiu. E com ele, parece que se foi também uma parte do alento que ainda soprava sobre os ombros cansados da Igreja.

Na madrugada de segunda-feira, às 2h35, um pouco depois da Páscoa, Jorge Mario Bergoglio despediu-se do corpo que tanto o limitava, mas nunca o impediu de tocar o intangível. Não morreu em silêncio, morreu em bênção. Seu último gesto público, vinte e quatro horas antes do suspiro final, foi a bênção “Urbi et Orbi”, oferecida aos fiéis com visível esforço, como quem se recusa a partir sem antes entregar o último abraço.

Era isso: ele era o papa do abraço.

Francisco jamais quis ser papa — e talvez por isso tenha sido o maior deles em nosso tempo. Os grandes líderes não desejam o poder, desejam o bem. E foi esse bem que o conduziu desde o primeiro dia de seu pontificado, quando recusou os apartamentos luxuosos e se hospedou na Casa Santa Marta, num gesto que já dizia tudo: não se tratava mais de reinar, mas de servir.

Foi o primeiro em tantas coisas que seria impossível listá-las todas sem que nos faltassem palavras. O primeiro latino-americano. O primeiro jesuíta. O primeiro a suceder um papa que renunciou. O primeiro a abrir o Vaticano ao debate sobre celibato e o papel da mulher. O primeiro a beijar os pés de líderes de guerra pedindo paz. O primeiro a dizer, com a leveza da fé e o peso da história: “Quem sou eu para julgar?”.

Mas talvez tenha sido também o último.

O último papa capaz de fazer a Igreja se curvar à simplicidade do Evangelho. O último capaz de caminhar entre os pobres como quem caminha entre iguais. O último a enfrentar com coragem os muros da própria instituição, pedindo perdão pelos pecados que ela preferia esconder. Francisco fez mais do que governar — ele expiou.

Amava futebol, torcia pelo San Lorenzo, dançava tango nos silêncios da solidão. Era um homem de carne e alma. Um papa de passos pequenos e gestos imensos. Preferia o som do povo à música sacra. Preferia a dúvida honesta à certeza arrogante. Preferia o olhar às palavras. Preferia o amor ao dogma — até o dia em que o amor virou o próprio dogma.

Francisco não era infalível. E talvez por isso tenha sido tão santo. Porque sua grandeza não esteve na perfeição, mas na misericórdia. No olhar que enxergava o pecador antes do pecado. No perdão que chegava antes da condenação. Na presença que ficava mesmo depois da homilia.

Hoje, a Praça de São Pedro está cheia, mas vazia. O papamóvel já não passeia. As janelas do Vaticano permanecem abertas, mas o vento que passa não traz mais a voz grave e terna do homem que nos ensinou a ternura como evangelho.

O papa não está mais aqui.

Mas permanece onde sempre quis estar: no meio do povo, nas dobras da história, nos gestos de quem serve, nas mãos que acolhem. Sua ausência não é o fim. É a semente. E como toda semente, há de florescer nas almas que ele tocou com sua fé feita de compaixão.

O Último Abraço que Não Dei. Por Flávio Chaves

Por Flávio Chaves – Jornalista, poeta, escritor e membro da Academia Pernambucana de Letras. Foi Delegado Federal/Minc –    Eu me lembro do dia em que nos vimos pela última vez. Lembro com uma nitidez que fere — o céu sem nuvens, o cheiro do café vindo da cozinha, um barulho qualquer de rádio ligado ao fundo. Lembro do teu rosto, cansado, mas ainda tentando me sorrir. E lembro, sobretudo, do silêncio tomado de interrogação: ” Agora que faço eu da vida sem você?. Mal sabia eu que aquele dia se tornaria a cicatriz mais funda da minha vida. Eu te olhei, disse qualquer coisa simples, talvez “cuida de ti”. Ainda lembro do beijo rápido, mas com o peso da ternura dos que não querem se perder — e fui embora. A vida me levou como se tudo fosse continuar igual. Mas não continuou. Porque naquela manhã eu não te abracei. E não haveria outra chance.

Desde então, tudo que existe dentro de mim caminha sem tua mão. E a vida — ah, essa vida — nunca mais aprendeu a seguir por nenhuma estrada. As calçadas ficaram maiores, os corredores da casa, mais vazios. O silêncio passou a fazer barulho. E por mais que eu me esforce, nada mais coube direito no peito depois daquele instante. Porque não foi um esquecimento. Foi a lembrança demais. Uma lembrança que pulsa como febre, como açoite, como música que insiste em tocar no mesmo acorde da ausência.

Se eu tivesse te abraçado, talvez tua ausência fosse menos árida. Talvez meu corpo lembrasse do teu calor por mais tempo. Mas não abracei. E o que ficou em mim foi o formato do teu corpo no espaço, vazio como uma moldura sem tela. Às vezes me pego com os braços suspensos no ar, como se o mundo fosse me devolver aquela chance — mas é só o vento. E o vento não acolhe. O vento não tem teu cheiro, tua pele, teu coração batendo perto do meu.

O cansaço dos que estão se despedindo. De ver olhos marejados indo embora, de mãos que não se repetem, de vozes que já não respondem mais. Há um cansaço que não é do corpo — é da alma exaurida do perder. É uma dor inexplicável que mora, silenciosa, no coração dos que estão perdidos, buscando um jeito de descobrir o caminho da volta, porque já não suportam essa trilha do nunca mais.

Hoje, o que me resta é te imaginar voltando, só por um instante, para eu enfim te apertar como nunca te apertei. Te dizer tudo o que o orgulho, o cansaço ou o cotidiano me impediram de dizer. Talvez você me olhasse com aquele olhar que sempre soube mais do que todos os meus gestos  reunidos. E eu, sem dizer nada, te envolveria como quem segura o mundo. Porque, naquele último dia, você era o meu mundo — e eu deixei passar. Não por desamor. Mas por acreditar, tolo, que sempre haveria um próximo encontro.

Porque às vezes a dor da ausência não vem do que dissemos, mas do que deixamos passar despercebido — no gesto adiado, no olhar sem retorno, no toque que não demos. A vida corre, os dias se atropelam, e o que parecia rotina era, na verdade, um adeus disfarçado. E então percebemos tarde demais que o que se perdeu era tudo. E o que ficou, simplesmente não basta.