Governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, recebe aprovação para título de Cidadão Pernambucano na Alepe

Projeto de resolução avança com apoio da base conservadora, mas gera críticas e divisão entre parlamentares.

A Comissão de Cidadania da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) aprovou um projeto de resolução que concede o Título de Cidadão Pernambucano ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. A proposta, de autoria do deputado Joel da Harpa (PL), sustenta que o ex-ministro da Infraestrutura contribuiu de forma relevante para o desenvolvimento do estado, especialmente nas áreas de transporte e infraestrutura, além de destacar sua atuação militar e administrativa em Pernambuco.

O projeto recebeu apoio de parlamentares aliados. O deputado Pastor Júnior Tércio (PP) elogiou a gestão de Tarcísio em São Paulo, citando avanços na segurança pública e o aumento de investimentos estrangeiros. “É uma gestão que serve de exemplo no combate à criminalidade e no desenvolvimento econômico”, afirmou.

Mesmo sem direito a voto na condição de suplente, Coronel Alberto Feitosa (PL) também se manifestou favorável. Ele lembrou que, durante o período em que Tarcísio comandou o Ministério da Infraestrutura no governo Jair Bolsonaro, importantes obras viárias em Pernambuco foram retomadas, como a duplicação da BR-423.

Por outro lado, o projeto encontrou resistência na oposição. A deputada Rosa Amorim (PT) se posicionou contra a homenagem, argumentando que, na época em que foi ministro, Tarcísio negligenciou estradas federais em Pernambuco, dificultando o progresso regional. Segundo ela, o título deveria ser reservado àqueles que efetivamente contribuíram para o crescimento social, econômico e cultural do estado.

O projeto agora seguirá para outras etapas de tramitação antes de uma eventual votação em plenário. A proposta tem gerado debates acalorados e promete continuar dividindo opiniões dentro e fora da Casa Legislativa.

Academia Pernambucana de Letras Jurídicas celebra 49 anos com música, reflexão e protagonismo feminino

   Na tarde do dia 7 de maio, às 15h, a Academia Pernambucana de Letras Jurídicas – APLJ celebrará seus 49 anos de fundação com uma programação especial que une arte, pensamento crítico e compromisso social. O evento acontecerá no Auditório Mauro Mota, na sede da Academia Pernambucana de Letras, localizada na Avenida Rui Barbosa, nº 1596, bairro das Graças, Recife.

A comemoração se inicia com a apresentação da Orquestra de Câmara Alto da Mina, trazendo a beleza da música clássica para ambientar o momento solene. Em seguida, o tema central da tarde será abordado com profundidade: “Violência Contra a Mulher”, um dos desafios mais urgentes da sociedade contemporânea e cuja reflexão se faz necessária e urgente.

O evento contará com um painel de excelência, composto por três mulheres de grande destaque no cenário jurídico e institucional:

  • Dra. Andrea Keust – Juíza Federal do TRT6, com especialização em processo civil pela UNIPÊ e pós-graduação em Direito à saúde e Direito médico.

  • Dra. Roberta Araújo – Juíza Federal do TRT6, Mestre e Doutora em Direito pela UFPE, além de professora e pesquisadora.

  • Dra. Tereza Nogueira – Delegada de Polícia da Mulher de Pernambuco, mestranda em Perícias Forenses (com linha de pesquisa em violência) e especialista em Direito Público.

A presença dessas três notáveis profissionais engrandece o evento, trazendo ao público uma análise técnica, sensível e comprometida com a transformação social. A escolha do tema reafirma o papel da APLJ não apenas como guardiã da cultura jurídica, mas também como instituição vigilante frente aos dilemas e urgências do tempo presente.

O encontro é aberto ao público e contará, ao final, com um momento de confraternização, reafirmando o espírito acadêmico de comunhão, diálogo e respeito mútuo.

Ao completar 49 anos de trajetória, a APLJ reafirma sua missão de promover o saber jurídico com ética, sensibilidade e compromisso com os valores democráticos. Que esta data seja celebrada com a grandeza que a história da instituição merece — e que os próximos anos sejam ainda mais férteis em saber, cultura e justiça.

“Os Leões do Norte”: Magno Martins ergue um monumento à memória política de Pernambuco. Por Flávio Chaves

  Por Flávio Chaves – Jornalista, poeta, escritor e membro da Academia Pernambucana de Letras. Foi Delegado Federal/Minc –   Hoje, 5 de maio, celebramos o Dia Mundial da Língua Portuguesa — A história não vive apenas nos arquivos empoeirados nem repousa esquecida em bibliotecas silenciosas. Ela pulsa viva na pena dos que ousam resgatá-la com zelo, paixão e compromisso com a verdade. É exatamente isso que o jornalista, escritor e poeta Magno Martins realiza em sua nova obra: Os Leões do Norte, seu 13º livro, uma ode à política de Pernambuco, um tributo aos que, com acertos e equívocos, moldaram os rumos do Estado e ecoaram no cenário nacional.

Mais do que um compêndio biográfico, o livro é um exercício de memória, de escavação minuciosa do tempo, de reconstituição de trajetórias que, por vezes, pareciam condenadas ao esquecimento. Nele, Magno revela-se não apenas o cronista político aguçado que sempre foi, mas um memorialista de mão cheia, um guardião das narrativas que, entre gabinetes e palanques, costuraram a tessitura do poder em Pernambuco.

São 22 perfis de governadores — da era do interventor Carlos de Lima Cavalcanti, em 1930, até o ex-governador Paulo Câmara — que o autor nos oferece com olhar apurado, texto envolvente e senso histórico aguçado. Cada capítulo é um mergulho em contextos distintos, com suas respectivas urgências, disputas e marcas. Carlos de Lima, Agamenon Magalhães, Barbosa Lima Sobrinho, Cordeiro de Farias, Arraes, Marco Maciel, Jarbas Vasconcelos, Eduardo Campos e tantos outros surgem como personagens vivos, com suas luzes e sombras, todos retratados com o devido respeito, mas sem endeusamentos fáceis.

Com o selo da pernambucana Eu Escrevo Editora, sob a batuta do cartunista Samuca, e prefácio do jurista e ex-deputado Maurício Rands, o livro se propõe a ir além do público habitual dos compêndios políticos: quer chegar às salas de aula, às mãos dos jovens estudantes e futuros líderes, como leitura formadora, indispensável. E cumpre esse papel com clareza e densidade.

Não é apenas a política factual que nos é apresentada, mas também o espírito de uma época, o sopro das ideias que moviam cada figura retratada. Como bem observou o cientista político Antônio Lavareda, a obra “muito contribuirá para o conhecimento da política de Pernambuco”. E como afirmou o jornalista Júlio Mosquéra, há na escrita de Magno o eco das vozes que acreditavam no diálogo, no entendimento, no labor democrático como virtude essencial do homem público.

Magno Martins não escreveu apenas um livro. Ergueu um farol para futuras gerações. Sua obra é uma trincheira contra o esquecimento, uma celebração da palavra como instrumento de memória e um gesto de gratidão à terra que o forjou como jornalista e cidadão.

A noite de autógrafos, marcada para o dia 9 de junho, no Boteco Porto Ferreiro, na Avenida Rui Barbosa, promete ser mais do que um lançamento: será um reencontro com a própria história. Que Pernambuco se levante em honra de seus leões — e de quem lhes oferece, com maestria, as páginas que jamais deixarão de rugir.