Atrizes de filme lésbico vencedor em Cannes estão traumatizadas com diretor

As francesas Adèle Exarchopoulos e Léa Seydoux revelaram em entrevista ao site “The Daily Beast” que o processo de filmagem de “A Vida de Adèle” foi “horrível”

"A Vida de Adèle"

“A Vida de Adèle”

O sentimento das atrizes francesas Adèle Exarchopoulos e Léa Seydoux ao conquistarem a Palma de Ouro no Festival de Cannes desse ano com o filme ‘A vida de Adèle’ foi uma mistura de felicidade e alívio. Em entrevista ao site ‘The Daily Beast’, as duas revelaram que filmar a produção, sobre uma relação lésbica, foi ‘horrível’ e que não pretendem repetir a experiência de trabalhar com o diretor tunisiano Abdellatif Kechiche.

“Ainda bem que ganhamos o prêmio, porque foi tão ruim. Agora é bacana porque todo mundo gosta do filme, é um grande sucesso”, contou Léa.

As atrizes ainda afirmaram que na França o processo de produção é muito diferente do realizado nos Estados Unidos e que os diretores têm todo o ‘poder’ dentro do set de filmagem, ficando os atores encurralados e obrigados a ceder a tudo.

‘Quando estávamos filmando, percebi que ele realmente queria que nós dessemos tudo a ele. A maioria das pessoas sequer se atreve a pedir as coisas que ele pediu. Elas são mais respeitosas, você fica mais tranquila durante as cenas de sexo, e elas normalmente são coreografadas, o que dessexualiza o ato. Mas não foi o que aconteceu’, explicou Adèle.

As filmagens de ‘A Vida de Adèle’ deveriam levar dois meses, mas terminaram em cinco meses e meio. A razão para tamanho atraso, segundo elas, foi em parte devido ao ‘perfeccionismo’ de Kechiche, que chegou a filmar mais de cem vezes uma mesma cena, bastante simples.

‘Até atravessar uma rua era difícil. Na primeira cena que elas se cruzam, e é amor à primeira vista, nós passamos o dia inteiro gravando, foram mais de 100 tomadas’, contou Léa. ‘No final, eu me lembro que já estava tonta e nem conseguia me sentar. Aí Kechiche teve uma crise de raiva porque depois de 100 tomadas, eu andei até Adèle e dei uma risadinha. Ele ficou louco, agarrou o monitor no qual assistia à cena e jogou na rua, gritando ‘Eu não posso trabalhar assim”, revelou.

Já quando fizeram a primeira cena íntima, as duas atrizes ficaram bastante envergonhadas em fazê-la, pois ainda não se conheciam direito. Na mais longa delas, que dura cerca de 10 minutos, elas contaram que usaram vaginas falsas por cima do próprio corpo. ‘Elas moldadas em cima das nossas vaginas. Foi estranho ter moldes falsos em cima da sua verdadeira. Nós levamos dez dias para filmar só aquela cena’, disse Léa.

fonte:msn