
Hylda Cavalcanti
Da Rede Brasil Atual
Desde o início, Eduardo Cunha, líder do PMDB na Câmara dos Deputados, causou preocupações e disse a que veio. Quando foi eleito líder do PMDB, em fevereiro, o parlamentar mostrou como seria a condução dos trabalhos desenvolvidos por ele a partir dali. Em seu primeiro discurso, enfatizou que o partido precisava “ser mais respeitado e participar mais do governo” e chamou a atenção para o Palácio do Planalto quando acentuou que pretendia fazer um mandato como líder não só “para dentro” da bancada, mas também “para fora”.
Não são gratuitas as sensações de que haveria aí um sentimento de vingança pelo fato de o governo ter-lhe subtraído posições importantes na estatal de energia Furnas. Membro da chamada bancada evangélica, é conhecida sua influência sobre o PSC e sobre a condução de um pastor conservador à Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) da Câmara Federal, que acabou elegendo Marco Feliciano (PSC-SP). “Vocês acham que a gente briga para sair (do governo), mas nossa briga é para entrar, participar das políticas de governo. Hoje, não temos ministérios, temos ministros”, declarou Eduardo Cunha, em entrevista ao Correio Braziliense.
O líder peemedebista está no seu terceiro mandato como deputado federal. Economista, já presidiu a Companhia de Telecomunicações do Rio de Janeiro (Telerj) e atuou como subsecretário e presidente da Companhia Estadual de Habitação do Rio de Janeiro. Também presidiu duas comissões técnicas importantes na Câmara Federal: a de Constituição e Justiça e a de Finanças e Tributação. Para analistas legislativos, o deputado reflete a insatisfação da base aliada do governo com a presidenta.
Eduardo Cunha foi relator de matérias como a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 50/2007, do Executivo, que prorrogava a Desvinculação de Receitas da União (DRU) – que permite ao governo o manejo de até 20% dos orçamentos das pastas – e a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) até 31 de dezembro de 2011. Bem como a PEC 351/2009, que dispõe sobre uma nova forma para pagamento das decisões judiciais, os chamados precatórios.
É, ainda, autor do substitutivo ao PL 5.598/2009, que regulamenta o direito constitucional de livre exercício de cultos religiosos (Lei Geral das Religiões) e do PL 1.545/2011, que tipifica crime de aborto praticado por médico.