- De acordo com o ministro da Justiça, Dilma gostou da proposta da OAB de plebiscito para definir conteúdo da reforma

BRASÍLIA — A presidente Dilma Rousseff estuda apresentar uma proposta de plebiscito em que submeterá à população pontos da reforma política, que seriam votados em projeto de lei pelo Congresso até outubro deste ano para que as modificações tenham validade já nas eleições de 2014. Assim, a presidente deixou em segundo plano a possibilidade de convocação de uma Assembleia Constituinte para debater o assunto. A proposta foi debatida nesta terça-feira em encontro com representantes da Ordem de Advogados do Brasil (OAB) e do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE).
O recuo acontece após as reações negativas à proposta do governo de Constituinte exclusiva para mudar a legislação. O novo plebiscito pode consultar, por exemplo, se o povo é ou não favorável ao financiamento de empresas às campanha eleitorais. A proposta defendida pela OAB e o MCCE prevê o financiamento público e de pessoas físicas, com limites definidos em lei. O tema foi um dos principais entre os debatidos no encontro com a presidente.
— A nossa avaliação é que essa proposta da OAB está inteiramente adequada às premissas que embasaram a intervenção da presidente ontem. A principal questão colocada ontem pela presidente é que o povo seja ouvido. A proposta apresentada hoje se coaduna integralmente com essa premissa, porque pode haver um plebiscito, sim, como as entidades reconheceram. Obviamente está colocado de forma harmonizada. Essa proposta é avaliada por nós como interessante — disse o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que também participou da reunião, junto com o vice-presidente Michel Temer . Cardozo chegou a voltar depois do anúncio para falar com os jornalistas e reiterar de que não se tratava de um recuo.