Economist:Brasil tardou a investigar crimes da ditatura

Relatório da Comissão da Verdade é notícia internacional

O relatório final da Comissão Nacional da Verdade foi tema da revista inglesa ‘The Economist’ em sua edição impressa. Para a publicação, o Brasil –’cujos presidentes recentes sofreram nas mãos do regime’– demorou para investigar o período da ditadura.

A reportagem cita que Dilma Rousseff foi torturada, que Lula foi preso e que Fernando Henrique Cardoso foi para o exílio durante o regime militar.

O relatório final, de acordo com a revista, se sobressai dos esforços semelhantes de outros países ao dar nome a 377 responsáveis por violações aos direitos humanos e 434 mortos e desaparecidos –mas veio tarde demais, argumenta o texto.

‘Comissões da verdade são normalmente estabelecidas logo depois do colapso (geralmente desordenado) dos regimes’, explica. ‘A verdade é o primeiro passo rumo à reconciliação. No Brasil, onde ela chega quase 20 anos depois que as primeiras indenizações foram pagas às famílias das vítimas, foi um dos últimos [passos].’

A ‘Economist’ ainda salienta que, diferentemente das Forças Armadas chilena e argentina, que também implementaram regimes ditatoriais e violaram direitos humanos, os generais brasileiros recusam-se a reconhecer os atos de seus predecessores.

A revista especula que essa reação dos militares brasileiros se deve a uma sensação indevida de lealdade ou à crença de que os crimes cometidos eram justificáveis diante de uma ameaça comunista. Sem que os generais admitam sua culpa, diz o texto, ‘nenhuma quantidade de verdade vai levar à reconciliação completa’.  (Da Folha de S.Paulo)