O Estado de S. Paulo. A Polícia Federal suspeita que o ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, tenha vínculo com uma empresa que prestou consultoria ao Ministério do Esporte no planejamento da Copa de 2014. A polícia apreendeu na casa do ex-diretor papéis referentes a contratos da Value Partners do Brasil, que recebeu R$ 15,6 milhões entre 2010 e 2013 para apoiar o gerenciamento e a realização do Mundial. A Value Partners integrou o Consórcio Copa 2014, contratado pelo Governo Federal em 2009 para assessorá-lo em tarefas como a elaboração da matriz de responsabilidades (plano de obras de infraestrutura prioritárias nas cidades-sede) e a análise dos projetos de lei relacionados à competição. A contratação inicial, de dois anos, foi renovada por mais dois. Ao todo, as empresas receberam ao menos R$ 29,4 milhões, segundo a Polícia Federal. Auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) apontou irregularidades nos pagamentos. Os documentos apreendidos estavam gravados em computador encontrado na residência de Costa, no Rio de Janeiro, durante buscas da Operação Lava Jato, que apura esquema de desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro. No material apreendido constam planilhas de preços do Ministério do Esporte que serviram de referência para a licitação; cartas e ofícios das integrantes do consórcio a autoridades da pasta; recibos de transações financeiras entre as sócias; além de papéis referentes a contratos, distratos e alterações societárias das prestadoras do serviço de consultoria. A Value Partners do Brasil é braço de empresa homônima, sediada na Europa, oficialmente controlada pelo italiano Alberto Antoniolli. De acordo com documentos em poder da Polícia Federal, a empresa é a antiga Spectrum Strategy, que prestou serviços a entidades esportivas internacionais, entre elas a própria Fifa. Nos papéis localizados pela polícia, há citações a negócios da Value com a União das Federações Europeias de Futebol (Uefa). |