Natália Junqueira, El País
Não contou nem ao papa, quando o viu, em 28 de abril, em Roma. Nem mesmo aos xeques e sultões do Golfo que visitou nos últimos meses e com os quais a relação é tão estreita que se chamam de “irmãos”. O Rei guardou durante meses o segredo que iria se transformar na notícia do ano. Com o Príncipe considerou três datas possíveis para revelá-lo: na última semana de maio, na primeira de junho ou na segunda desse mês.
Na sexta-feira passada, antes de dom Felipe sair de viagem para El Salvador para a posse do novo presidente, Salvador Sánchez Cerén, deixaram tudo preparado. O segredo mais bem guardado deixaria de sê-lo na segunda-feira, passada a ressaca das eleições europeias de 25 de maio, com o Príncipe já de volta (chegou às 8 da manhã) e a Rainha ainda em Madri –no dia seguinte deveria estar em Nova York, onde hoje recebe o prêmio Path to Peace. EL PAÍS reconstituiu a reta final até o histórico anúncio da abdicação de dom Juan Carlos.
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Juan Carlos I e o príncipe Felipe. Foto: Sérgio Perez / Reuters