Ela é Ele

Carlos Brickmann

 Todos levaram na brincadeira e atribuíram a frase engraçada da ministra do Planejamento, Miriam Belchior, a um ato falho: referiu-se à presidente da República como ‘presidenta Lula’. Ato falho, claro. Mas haverá algo de que a ministra sabe, e nós não, que a tenha levado a cometer este curioso equívoco?

Há um clima estranho em Brasília. Partidos normalmente submissos ao Governo – a qualquer Governo, especialmente ao de uma presidente voluntariosa como Dilma Rousseff – resolvem reunir-se publicamente para falar mal da chefa, da autoridade que detém o poder de nomear e demitir, da candidata à reeleição.

O presidente da Câmara, o peemedebista Henrique Alves, cuja postura diante de Dilma faz com que o ministro Guido Mantega pareça um altivo dissidente, estava lá junto com expoentes de legendas famosas por sua coerência – sempre ao lado do Governo, seja qual for – como PP, PTB, PSD, PR, Pros, PDT, PSC, mais o Solidariedade, que agora é Aécio. Que é que levou a combativa turma do ‘sim, senhora’ a falar mal de Dilma, deixar vazar a conversa e discutir a formação de um bloco que possa contrapor-se à motoniveladora parlamentar do Governo?

Desta vez, parece, não se trata de ameaçar com dificuldades para valorizar-se. Nem se pode esquecer que, pela pesquisa CNT, Dilma seria reeleita no primeiro turno. Bom, para Suas Excelências, seria ficar a seu lado. Por que não ficam?

Há algo diferente no ar. Sábias raposas garantem que Lula quer ser o candidato. Por Lula, Dilma desiste. Aí só faltaria a justificativa para trocar Ela por Ele.