O sistema de cotas e o ingresso para universidades públicas

     Por Suenen Chaves

É sabido que de acordo com a Constituição Federal de 1988, existe a garantia de que todos os cidadãos são iguais, sem qualquer distinção. É um principio de isonomia que homogeniza indivíduos, referenciando-os a igualdade de direitos e deveres. Tendo essa premissa, percebemos que o princípio da política de cotas nas universidades interfere nessa questão. É visto que a qualidade do ensino nas escolas públicas é inferior das particulares, onde o número maior daqueles que frequentam escolas do governo são de família onde a renda é baixa ou extremamente baixa. Onde não existe recurso financeiro familiar suficiente para abarcar o ensino de qualidade para os seus filhos. Analisando essa situação, é notório visualizarmos que aqueles que cursam em escolas públicas acabam ficando prejudicados por não terem o suporte necessário para ingressar em uma universidade pública. Já que o ingresso na mesma exige uma bagagem suficiente de estudos mais consistentes e delimitados desde a educação primária. Ocorrendo muitas vezes que aqueles que estudam desde sempre em escolas públicas não acompanhem de forma igual os conteúdos de ensino, o que deduzindos e percebemos a precariedade e abandono do sistema de ensino público, dificultando e desfavorecendo aqueles que não têm condições de oferecer uma educação paga. O sistema de cotas é uma forma de oferecer oportunidades e inserir a educação para todos aqueles socialmente desprovidos e nestes estão incluídos também os considerados pertencentes à população negra. Evidencia uma forma de segregação nítida, que permeia e enfatiza o preconceito de raça e discriminação. Sabe-se que os negros sofreram por longos tempos e ainda sofrem com a discriminação racial e desigualdades enraizadas. Fazendo com que, ocorra muitas vezes, a redução das oportunidades. A questão do sistema de cotas raciais implica uma politica de integração do negro e acesso à educação de qualidade. É importante perceber que, essa política de inserção de cotas não existe eficácia, pois não soluciona a questão central. O grande problema da má qualidade de ensino de escolas públicas, fazendo com que o ensino superior público seja excluente, favorecendo apenas aqueles que tiveram condições de financiar seus estudos. Quando acontece a adoção das cotas sociais para o ingresso em universidades públicas, nota-se que a partir desse momento a concretização de um compotamento racista, pois não existe nenhuma diferença intelectual/ cognitiva entre a população negra e a população não negra que justifique tal postura excludente. O que deve ser modificado é o pensamento, e combatido o nocivo preconceito. O que dificulta o ingresso dos negros as universidades públicas é o descumprimento do governo em oferecer um ensino de qualidade e que garanta a equidade. Desde a educação infantil atravessando todo o ensino básico e médio. Fazendo com que o indivíduo tenha condições necessárias e suficientes de ingressar em uma universidade de qualidade, sem quaisquer distinções. Valorizando o cidadão, oferecendo subsídios para incentivar, estimular e desenvolver o aprendizado de forma crescente e igualitária.