Entre as 32 finalistas do Prêmio Itaú-Unicef, a Escola Pernambucana de Circo precisa de ajuda para continuar enchendo de cores a vida de 150 crianças e jovens

Hélia Scheppa/JC Imagem
Em um galpão no bairro da Macaxeira, Zona Norte do Recife, o futuro se constrói com cama elástica, corda bamba, pernas-de-pau, malabarismos e trapézio. Lá funciona a Escola Pernambucana de Circo. O colorido do mundo circense faz parte da rotina de 150 crianças, adolescentes e jovens dos 6 aos 29 anos de idade. Gente como o pequeno Fernando Araújo, 6 anos, que se diverte com diabolôs e pratos equilibrados em uma vareta. E que também aprende a trabalhar em coletividade, a expressar sentimentos, a superar limites e a encarar a vida com mais alegria.
A escola é uma das 32 finalistas da 10ª edição do Prêmio Itaú-Unicef. Em todo o País, 2.713 projetos sociais se inscreveram. Foram 602 da Região Nordeste, dos quais 112 de Pernambuco. A única instituição do Estado que chegou à final foi a Grande Circo Arraial, organização que está por trás da Escola Pernambucana de Circo. A premiação, com anúncio dos vencedores, será quinta-feira, no auditório do Ibirapuera, em São Paulo. Se ganhar o maior prêmio, a escola levará R$ 225 mil.
De segunda a sexta-feira, a garotada começa as atividades com uma roda de conversa, onde é informada sobre a
programação do dia. Depois, aquecimento e alongamento. Em seguida se iniciam os treinos com técnicas circenses e a montagem de números ou espetáculos. Ao final, há uma nova roda de conversa para que o grupo avalie, com os educadores, como foi a tarde. “É o momento de falar e ouvir. As crianças escutam as opiniões dos colegas, expressam o que sentem, encaminham questões que não foram bem resolvidas”, diz o assessor administrativo Everton Lima.
A maioria dos participantes mora na Macaxeira ou em bairros adjacentes. Vêm de famílias simples. Para frequentar o galpão, o requisito é estar matriculado na escola. “Nossa metodologia do circo social é mais do que simplesmente aplicar oficinas de técnicas circenses. É uma proposta que aposta no desenvolvimento criativo e na construção da cidadania, a partir dos saberes, necessidades e potencialidades”, destaca a coordenadora técnica da escola, Fátima Pontes.
“Educar com circo é apostar na alegria e recuperar todo o potencial civilizatório de uma arte milenar, que desde suas origens teve por base a diversidade, a aceitação do outro, o sentimento do fantástico e do mágico, a convivência e criação coletivas, e acima de tudo, a brincadeira e o jogo levados a sério”, complementa Fátima.
Para a tímida adolescente Maria da Conceição Nascimento, 14 anos, estar lá significa exatamente o que Fátima descreveu. “Eu era mal-educada, bagunceira. Depois da escola de circo, mudei meu jeito. Tudo é legal. Aqui as pessoas sabem falar com a gente, nos escutam. E o melhor é que também emagreci”, conta Maria, no intervalo de uma atividade de malabarismo, técnica circense de que mais gosta.
Além de atender os garotos no galpão, a entidade criou, há três anos, o projetoRespeitável público, a caravana da cidadania abraça sua escola, que leva espetáculos de circo com temas ligados à cidadania, como sexualidade e direitos do consumidor, por exemplo, para colégios públicos. Mais de 50 unidades de ensino já receberam o programa.
A ONG sobrevive com recursos obtidos via editais públicos. Também por meio de oficinas, palestras e recreação que realiza em eventos e empresas. Mas nem sempre dá para se manter. Doações em dinheiro (Banco Itaú, agência 6247, conta corrente 20393-5) ou em material (querem cadeiras plásticas para aumentar a plateia dos espetáculos no galpão; e tinta para pintar o prédio) são bem-vindas. O circo agradece.
fonte:ne10