“No Brasil, determinadas opiniões não podem ser publicadas”, diz Reinaldo Azevedo

A chegada de Reinaldo Azevedo à Folha de S.Paulo como colunista não foi silenciosa. O ruído de seus textos e, principalmente, de suas ideias foi descrito por Suzana Singer, ombudsman do jornal, como “a contratação de um rottweiler”. No mesmo veículo, Antonio Prata também dedicou um texto à chegada do novo colega. Com o título “Guinada à direita”, ironiza as opiniões declaradamente conservadoras de Azevedo. Na semana seguinte, retomou o assunto para explicar aos que o apoiaram que o texto era, sim, irônico.

Crédito:Luiz Murauskas

Reinaldo Azevedo comenta rejeição dose colegas da imprensa
Carinhosamente apelidado de “Tio Rei” pelos que o admiram, o jornalista é uma das maiores audiências de política no Brasil. Seu blog hospedado na Veja.com, onde escreve desde 2009, tem cerca de 200 mil visualizações diárias.
Essa não foi a primeira vez que Azevedo foi criticado por seus pares: Miriam Leitão o chamou de “lixo” e “articulista que busca a fama”; André Forastieri diz que o colunista faz “propaganda eleitoral, não jornalismo” e Caetano Veloso questionou porque Azevedo “se alegra em fazer sucesso com aquele tipo de plateia”.
Em resposta, o jornalista é objetivo: “o que há de errado com as coisas que eu penso? Eu nunca me disse repórter. Eu fui repórter algumas pouquíssimas vezes quando coordenador da sucursal de política de Brasília da Folha. O que é desagradável, porque precisa falar com gente que, normalmente, não falaria e não teria o menor prazer em conversar; tem o aspecto, dependendo da pauta, de investigação, às vezes, de atos criminosos, não é a minha praia”, revela.
Frequentemente acusado de ser “tucano”, Azevedo se define apenas como católico, liberal e conservador. “Vai perguntar para o PSDB se eles me acham tucano? Pergunte para qualquer tucano. O Serra hoje é o único esquerdista que sobrou no PSDB. Eu não sou de esquerda. Eu sou um liberal-conservador. O problema é que no Brasil parte-se do princípio que determinadas opiniões podem ser publicadas e outras não. O que incomoda em mim?”.
Nascido em Dois Córregos, no interior de São Paulo, o jornalista não teve uma infância privilegiada, mas caiu nas graças de uma professora que o incentivava a ler. Fã de Graciliano Ramos – o maior escritor brasileiro, em sua opinião – Azevedo mora em um apartamento em Higienópolis, região central de São Paulo (SP), com a mulher, duas filhas, um hamster, uma tartaruga e dois cachorros – nenhum rottweiler.

Acompanhe a entrevista completa com o jornalista na edição de dezembro da revista IMPRENSA, na seção “Entrevista do Mês”.