A recente aquisição do Banco Master pelo BRB, por R$ 2 bilhões, levanta questões sobre o futuro do setor financeiro brasileiro. O que essa movimentação significa para o mercado e investidores?

Por Jackson Pereira Jr. – Economic News Brasil
A compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB) envolve uma operação de R$ 2 bilhões, que inclui 49% das ações ordinárias, com direito a voto, e 100% das ações preferenciais. Com essa estrutura, o BRB passaria a deter 60% do capital total do Master. A transação reacende o debate sobre quem realmente se beneficia desse tipo de negócio. A pergunta que fica é: foi um bom negócio apenas para Daniel Vorcaro, presidente e controlador do Banco Master?
Ao vender parte do negócio, Daniel Vorcaro, de 41 anos, transforma patrimônio em receita e, além disso, pretende garantir lugar no conselho de administração do BRB.
Por enquanto, a compra do Banco Master ainda precisa da aprovação do Banco Central e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para ser concluída. Até o momento, o pedido formal para análise da operação não foi protocolado no BC.
O que muda com a compra do Banco Master pelo BRB
Segundo o BRB, com a aquisição do Banco Master, a instituição poderá atender 15 milhões de clientes. Além disso, passará a controlar uma estrutura com R$ 112 bilhões em ativos, R$ 72 bilhões em carteira de crédito e mais de R$ 100 bilhões em captações.
O valor acordado na compra do Banco Master pelo BRB equivale a 75% do patrimônio líquido da instituição. Metade será paga à vista; já o restante depende da conclusão da auditoria sobre os ativos e passivos do banco adquirido.
Ainda que haja integração, a fusão não será total. A ideia é que os bancos continuem operando de forma separada, embora compartilhem governança, marca e planejamento.
Em julho de 2023, o Economic News Brasil havia publicado que Daniel Vorcaro já negociava adquirir maior participação no Banco Master, inclusive chegando a negar o fato. Mas, em setembro de 2024, o Banco Master passou pela mudança societária, com o banqueiro Maurício Quadrado vendendo 20% de sua participação à Vorcaro.
O Banco Master foi fundado em 1970 como Banco Máxima e, desde sua aquisição em 2018, passou por uma ampla reestruturação societária e operacional, que resultou na mudança para o nome atual.
Mercado e autoridades observam operação com cautela
Apesar do valor envolvido e da visibilidade do negócio, a compra do Banco Master pelo BRB enfrenta resistências silenciosas no mercado e entre autoridades.
De acordo com apuração do jornal O Globo, fontes próximas às negociações avaliam que o Banco Central poderá negar a efetivação da operação.
Além disso, executivos do setor financeiro e autoridades monetárias demonstraram preocupação com a situação financeira do Banco Master. A principal crítica diz respeito à dificuldade de captação de recursos e à existência de ativos considerados problemáticos. Segundo investidores, esses ativos poderiam comprometer o balanço financeiro de eventuais compradores.
Por esse motivo, muitos acreditam que esses fatores explicam o desinteresse de alguns bancos privados na operação, como o BTG Pactual. Caso seja aprovada, a transação poderá se consolidar como uma das maiores aquisições no setor financeiro do Brasil nos últimos anos. No entanto, ainda há incertezas quanto a aprovação pelo BC e o Cade.

Escolhas, critérios e o papel do governo na operação
A compra do Banco Master pelo BRB amplia o alcance do banco público no setor financeiro. No entanto, também abre espaço para questionamentos ainda não respondidos de forma transparente.
Por exemplo: por que o Banco Master foi escolhido?
Houve algum processo competitivo, estudo técnico ou avaliação de mercado que justificasse a seleção dessa instituição em detrimento de outras?
Existiu alguma empresa intermediando a negociação? Quais critérios guiaram a decisão?
Essas perguntas ganham relevância quando se observa o papel direto do Governo do Distrito Federal (GDF), que detém 80,33% das ações do BRB. Em um cenário de debate público sobre a necessidade de enxugar o Estado e priorizar investimentos em áreas sociais, por que o GDF optou por aplicar bilhões em uma aquisição bancária?
Além disso, a discussão também se estende a outros bancos controlados por governos estaduais e federal. Ainda faz sentido que administrações públicas mantenham ou ampliem o controle sobre instituições financeiras? Ou esse tipo de estrutura acaba sendo usado para negociações políticas, distribuição de cargos e fortalecimento de influência, em vez de focar em saúde, educação e segurança pública?
A aquisição do Banco Master amplia o alcance do banco público, mas também abre espaço para questionamentos.
Então, é legítimo perguntar: para quem, de fato, esse negócio foi bom?
*Opinião – Artigo Por Jackson Pereira Jr., empreendedor, diretor do BNTI, fundador e CEO do Sistema BNTI de Comunicação.