Por SUENEN CHAVES
O estresse é reconhecido como a maior ameaça e é tido como a principal causa da manifestação da depressão. É difícil perceber atualmente quem não esteja sendo drasticamente atingido por esse problema que, ironicamente, não é um mal em si. O estresse é uma resposta momentânea do organismo a um estímulo , que se dá através da liberação de hormônios específicos que excitam o cérebro, ativando os instintos básicos seja de luta ou fuga. O estresse tornou-se uma expressão do sofrimento humano porque excedeu a sua função original para a qual foi criado. Não é mais uma forma rápida de reação do organismo a um fator que impõe riscos, mas sim uma causalidade sempre presente, um problema crônico, que provoca no cérebro uma tensão exorbitante para o qual o órgão não está geneticamente preparado. Infelizmente, a prática medicamentosa tem prevalecido sobre a abordagem nutricional da depressão, o que se está configurando com um dos mais preocupantes problemas de saúde do mundo atual. De acordo com estátisticas divulgadas nos Estados Unidos, o país já conta com cerca de um milhão de crianças tomando regularmente medicamentos para depressão. É comum notarmos o uso abusivo e prematuro de estrátegias medicamentosas de cura para os distúrbios da mente . Não dando ao seu organismo uma oportunidade de reversão do sofrimento mediante métodos menos agressivos, que podem partir, por exemplo, da compreensão do que é o estresse e sob que mecanismos esse mal moderno pode prejudicar em nós originando a depressão, a ansiedade , as obsessões e outros males da mente. Muitos de nós imaginamos que o estresse é um problema facilmente contornável. Basta tirar alguns dias de férias, ou eliminar situações de pressão que a vida impõe. Lamentavelmente, a realidade não condiz com esse pensamento. Não existe uma forma única de estresse, e sim várias, e todas podem desencandear distúrbios no cérebro, bloqueando e interferindo negativamente a inteligência emocional. O tipo mais claro de estresse é o biológico. Ele acontece a partir de um ferimento, doença ou infecção, que acionam os mecanismos de defesa do organismo e estimulam a produção dos hormônios corticóides. Estes, embora muito importantes para nos manter sempre dispostos, são extremamente nocivos ao nosso cérebro quando estão em excesso. O mesmo acontece quando somos submetidos a formas intensas de poluição, seja ambiental ou alimentar, ou por intoxicação por metais tóxicos. Outra forma de estresse é o social, que pode ser manifestado por meio de um trauma, do excesso de estímulo ou privação deles. Por isso, tanto a ociosidade como informações demais podem gerar estresse. Expectativas frustradas, como a quebra de compromissos de vida estabelecidos no amor ou no trabalho, também ocasionam estresse, pois todos esses fatores geram uma produção excessiva de corticóides. Ainda existe o estresse de fundo psicológico, que acontece quando há um desencontro entre nossas aspirações mais profundas e a realidade. As formas de estresse podem estar unificadas, e quando isso acontece, o nosso sistema nervoso, mente e cérebro entram em colapso e o sofrimento é notável. É o que chamamos de estresse oxidativo, uma tempestade neurobioelétrica que compromete a mente e trás consequências comportamentais. Infelizmente, percebemos que o conceito de estresse muitas vezes é restringido apenas a produção excessiva dada aos corticóides, que é insuficiente, como comprova o número crescente de pacientes que se tornam refratários ao tratamento clássico da depressão. É evidente que o estresse dos corticóides acontece. Após apenas 10 minutos de uma carga excessiva de noradrenalina, adrenalina e dopamina, que são neurotransmissores liberados no estresse, o cérebro é invadido pelos hormônios corticóides, que entre outras ações maléficas bloqueiam a formação das neurotrofinas, substâncias que protegem e alimentam os neurônios. Sabe-se que o cérebro sadio requer o que chamamos de estresse optimal, que é uma faixa segura entre o excesso de radicais livres e a falta deles. Nosso cérebro precisa de uma enzima, que fabrica a noradrenalina, essencial para que tenhamos raciocínio e boa noção de cálculo. E a fabricação dessa enzima só acontece com um pouco de radicais livres. Tudo isso implica em dizer que todos nós necessitamos vivenciar desafios, enfrentar situações de risco e ultrapassar nossos limites. Todo esse mecanismo acontece com um certo nível de estresse mental. Assim evoluimos , aprendemos com nossos erros, e ampliamos nosso grau de realidade e inteligência. Suenen Chaves