
por Antônio Campos
Abismo ou matamoforse. Os dois caminhos para encarar o contemporâneo. “Quando um sistema é incapaz de tratar seus problemas vitais, ou ela se degrada, se desintegra, ou se revela capaz de suscitar um metasistema apto a tratar de seus problemas: ele se metamorfoseia”. Diz o filósofo e pensador francês Edgar Morin no seu recente livro A Via.Vivemos um mundo de inúmeras crises. Conflitos religiosos, políticos e étnicos que podem degenerar em guerras de civilizações. Crises econômicas. Degradação da natureza. Excesso de tecnologia e de informação. As sociedades tradicionais estão em derrocada e mesmo à modernidade. Já estamos na pós-modernidade.Em seu ensaio sobre o contemporâneo, Edgar Morin reúne o disperso e sistematiza um pensamento sobre o futuro da humanidade. Ele traça, em seu livro, uma via para a reestruturação do pensamento e práticas coletivas em nossa sociedade, através do conceito da metamorfose (processo simultâneo de autodestruição e autoreconstrução em uma organização em que a identidade é mantida e transformada em alteridade), que seria uma nova origem. Não se resignar, eis o caminho inicial da mudança. E diz Morin: “Sinto-me conectado ao patrimônio planetário, animado pela religião do que religa, pela rejeição daquilo que rejeita, por uma solidariedade infinita…”.A esperança será ressuscitada no coração da atual desesperança e não será sinônimo da ilusão. O poeta espanhol Antonio Machado nos ensina: “Caminhante não há caminho, o caminho se faz ao andar”. A salvação da humanidade pela metamorfose é a via que o sentimento de esperança nos ajudará a trilhar. “Onde mora o perigo é lá que também cresce o que salva”, dizia Hölderlin.
*Advogado, Conselheiro Federal da OAB, Editor, Escritor, Membro da Academia Pernambucana de Letras e Curador da Fliporto.