No PL, Bolsonaro será presidente de honra e o partido promete fazer oposição a Lula

Ao se filiar ao PL, Bolsonaro agradece 'confiança' de Valdemar Costa Neto, condenado no mensalão - Jornal O Globo

Costa Neto promete fazer oposição a Lula, mas quem acredita?

Pedro Venceslau
Estadão

Depois de deixar o Palácio do Planalto, o presidente Jair Bolsonaro vai assumir, em janeiro próximo, o cargo de presidente de honra do PL. O partido vai se posicionar na semana que vem de forma contundente como oposição ao governo do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O cargo no PL já existe e foi criado pelo presidente da legenda, ex-deputado Valdemar Costa Neto, para José Alencar, que foi vice-presidente nos primeiros mandatos de Lula, após ele deixar o governo.

FALTA DEFINIR O VALOR – Quando deixar a Presidência da República, Bolsonaro terá direito a cerca de R$ 42 mil com aposentadorias do Exército e da Câmara. O salário do PL está sendo discutido ainda e será somado a esse valor. Também não foi definida a origem do recurso – se será do Fundo Partidário ou de doações para a sigla.

O partido quer manter Bolsonaro ativo em Brasília para preservar o eleitor conservador de direita e o “legado” de 58 milhões de votos conquistados no segundo turno da eleição. O presidente vai integrar uma executiva partidária com 21 membros.

No comando do PL desde 2001, Valdemar Costa Neto seguirá como presidente do partido. O anúncio sobre o futuro de Bolsonaro e da sigla deverá ser feito pelo dirigente durante uma entrevista coletiva em Brasília na próxima terça-feira. Será a primeira entrevista do cacique do PL nos últimos dez anos. Ele não dá coletivas desde que foi condenado e preso no escândalo do mensalão.

NA OPOSIÇÃO? – Diante da aproximação de líderes do Centrão a Lula, o PL decidiu anunciar oficialmente sua posição oposicionista para afastar os rumores de que poderia dar uma guinada governista com a nova gestão do PT.

Com a decisão do PL de se posicionar na oposição ao governo federal, o partido pode ficar isolado no Congresso, mas ainda assim terá papel decisivo na disputa pela presidência das Casas.

O partido de Bolsonaro sinalizou ao PP que aceita fazer um acordo para apoiar a recondução de Arthur Lira (PP-AL) na presidência da Câmara, desde que o PP apoie o PL na presidência do Senado contra Rodrigo Pacheco (PSD-MG).