Equívoco do sangramento político

Por Antonio Magalhães*

Os doidos por sangue estão de volta. Não são vampiros transsilvânicos ou morcegões chineses. São, na verdade, oposicionistas que apostam equivocadamente que a melhor forma de voltar ao poder é impondo ao presidente Bolsonaro um desgaste contínuo e exagerado na mídia, no parlamento e no judiciário. Acreditam que o “sangramento político” do chefe do Executivo nesses anos pandêmicos e confusos vai conduzi-lo a um enfraquecimento eleitoral em 2022.

A movimentação por um impeachment do presidente é só de boca. Os líderes oposicionistas confabulam entre si que o melhor mesmo é bombardeá-lo com invencionices, mentiras e críticas descabidas a seu governo. Tudo de bom a oposição esconde e os erros ela sobrevaloriza. Uma tática já analisada em comentários anteriores neste BLOG DO MAGNO.

A oposição insiste numa prática antiga que já deu errado uma vez. Os “iluminados” tucanos do PSDB que entregaram o Governo ao PT em 2002 perceberam a fragilidade de Lula na crise do Mensalão em 2005. O então presidente negou sua participação na compra de deputados para aprovação de matérias de interesse do seu partido e não foi incluído no processo judicial do STF, que terminou por condenar toda a cúpula petista.

Diante dessa realidade, os tucanos viram que não tinham como tocar o impeachment de Lula e logo espalharam que iam deixá-lo “sangrando”, se esvaindo politicamente até a eleição de 2006. O escândalo esfriou – só foi a julgamento em 2012 -, o petista recebeu uma transfusão de ânimo de seus apoiadores, recuperou a popularidade e foi reeleito em 2006, em cima de Geraldo Alckmin, do PSDB, para desgosto dos “sangradores”.

Embora hoje só se discuta os “sangramentos” metafóricos na política, entre os séculos 19 e 20, o sangramento de adversários e inimigos era bem comum em todas regiões brasileiras. As histórias de Lampião e seus cangaceiros registram mortes provocadas por punhais no pescoço atingindo diretamente a veia Carótida, por onde transita grande fluxo sanguíneo. Se furada ou cortada é morte certa. Ações por conta própria ou encomendadas por coronéis da região.

No Recife, em 1930, João Dantas, assassino do então governador da Paraíba, João Pessoa, foi preso na Casa de Detenção – hoje Casa da Cultura – juntamente com seu cunhado, acusado de ser cúmplice no assassinato do político. Posteriormente os dois foram encontrados mortos dentro da cela. A versão de suicídio de ambos não colou. Os relatos de testemunhas apontam que o irmão de João Pessoa e um policial teriam sangrado João Dantas e seu cunhado no cárcere.

Esta prática também era comum nas lutas fratricidas e em disputas políticas radicais no Rio Grande Sul. São muitas as menções de sangramentos na literatura gaúcha, na época em que a honra só podia ser lavada com sangue.

Voltando ao presente, a oposição já vem enfraquecendo sua fé no “sangramento” de Bolsonaro. E na mesma pisada dos apoiadores do presidente, arriscaram-se nas ruas na semana passada para atacá-lo frontalmente pedindo o improvável impeachment e a pressa na vacinação, meros artifícios de quem não joga corretamente o jogo político.

Essa mesma oposição, entrincheirada na CPI da Covid, acha que da comissão sairá a caminhada até ao Palácio do Planalto. Pode chegar, mas não será fácil. O presidente e seu pessoal vem fechando as possíveis brechas para surpreender em 2022. Bolsonaro, distinto de 2018, terá agora um legado a ser visto no próximo ano eleitoral: a população brasileira toda vacinada e já entrando na normalidade, uma economia desabrochada e uma infraestrutura material e social bem visíveis.

Para a oposição só vai restar o sangramento de picanhas em churrascos de lamentação. É isso.

*Jornalista

fonte: BLOG DO MAGNO MARTINS