Calote de estados e de municípios cresceu 59,6%, em 2020, e bateu seu novo recorde

Tribuna da internet: "O esquema internacional das dívidas públicas  transforma os países em reféns", por M.L.Fattorelli - Auditoria Cidadã da  Dívida

Charge do Paixão (Gazeta do Povo)

Rosana Hessel
Correio Braziliense

Em 2020, o calote no pagamento de empréstimos de estados e municípios com garantias da União somou R$ 13,3 bilhões, o maior da série histórica do Tesouro Nacional, iniciada em 2016, conforme relatório divulgado nesta quinta-feira (07/01).  Segundo o órgão, o valor do volume de dívidas com garantias da União não pagas pelos entes federativos, no ano passado, é 59,6% superior aos R$ 8,35 bilhões honrados pelo governo federal em operações de crédito no ano anterior.

De acordo com o Tesouro, cinco estados foram responsáveis por 94,6% do valor pago pela União, que é o fiador dos entes federativos, no ano passado: Rio de Janeiro (R$ 8,25 bilhões, ou 61,9% do total), que está incluído no Regime de Recuperação Fiscal (RRF), Minas Gerais (3,18 bilhões, ou 23,8%), Goiás (R$ 553,18 milhões, ou 4,1%), Pernambuco (R$ 354,85 milhões, ou 2,7%) e Maranhão (R$ 280,16 milhões, ou 2,1%).

CALOTES EM ALTA – Apenas no mês de dezembro, a União saldou R$ 5,539 bilhões em dívidas dos entes subnacionais, “sendo R$ 4,942 bilhões relativos a inadimplências do Estado do Rio de Janeiro, R$ 557,85 milhões de Minas Gerais e R$ 39,12 milhões do Rio Grande do Norte”.

De acordo com o órgão, o valor honrado para o Estado do Rio de Janeiro inclui o pagamento de R$ 4,28 bilhões do contrato da Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae).

“Desde 2016, a União bancou R$ 32,95 bilhões em dívidas garantidas dos entes subnacionais”, informou o comunicado do Tesouro.

SEM GARANTIAS – O órgão destacou ainda que a União está impedida de recuperar as contragarantias dos estados que obtiveram liminares judiciais suspendendo o pagamento à União e também as relativas ao Estado do Rio de Janeiro, que está sob o Regime de Recuperação Fiscal, os valores honrados no ano aumentaram a necessidade de financiamento dívida pública federal e amplia o rombo das contas públicas, que, de janeiro a novembro, somou quase R$ 700 bilhões, o maior da história.

Com isso, o montante gasto pela União e que não foi recuperado, em 2020, somou R$ 12,4 bilhões, o que corresponde às dívidas dos estados do Amapá, do Rio de Janeiro, de Goiás, de Minas Gerais, do Rio Grande do Norte e do Maranhão.