Ex libris

    Ex libris é uma expressão latina que significa literalmente “dos livros”, empregada para determinar a propriedade de um livro. Portanto, ex libris é um complemento circunstancial de origem (ex + caso ablativo) que indica que tal livro é “propriedade de” ou “da biblioteca de”.

A inscrição pode estar numa vinheta colada em geral na contra capa ou página de rosto de um livro para indicar quem é seu proprietário. A vinheta em geral contém um logotipo, brasão ou desenho e a expressão “Ex libris” seguida do nome do proprietário. É possível que contenha um lema, ou citação.

Inscrições de propriedade em livros não eram comuns na Europa até ao século XIII, quando outras formas de biblioteconomia se tornaram comuns. No Brasil, o “ex-líbris” da Biblioteca Nacional foi criado em 1903 pelo artista Eliseu Visconti, responsável pela introdução do art-nouveau nas artes gráficas do País.

A origem do ex libris é um pouco controversa: existem duas correntes. Uma diz que o primeiro a usar o ex libris foi Hildebrand Brandenburg de Biberach, com uma gravura em madeira representando um anjo a segurar um brasão de armas, por volta de 1480. Já a outra, afirma ser o mais antigo o do rei da Boemia, Georgis de Podebrady, falecido em 1471. No Brasil, no entanto, provavelmente o primeiro ex Libris pertenceu a Manuel de Abreu Guimaraens, que vivia na cidade de Sabará no século XVIII.

Os ex libris podem ser: etiquetas sem desenhos, apenas com o nome do proprietário e algum ornamento; armoriados ou heráldicos, quando o motivo principal do desenho consiste em brasões ou insígnias de indivíduos, cidades, associações etc.; simbólicos, quando trazem imagens que traduzem idéias, lemas de vida, ocupações etc.; paisagísticos, quando reproduzem cenas rurais, urbanas, marinhas etc. ligadas afetivamente ao possuidor dos livros ou, ainda, mistos, que podem ser enquadrados em mais de uma das categorias anteriores.

Existem registros que mostram um hábito curioso das bibliotecas monásticas do século XIV, em relação aos seus Ex libris:

“Até o século XIV, usavam-se armários fechados com portas, e as obras costumavam ter ex-libris com inscrições em que se ameaçava com a pena de excomunhão, não só aos que furtavam ou encobriam o furto, como àqueles que raspavam ou faziam desaparecer o ex-libris da obra roubada. Quanto mais preciosa a obra, mais rigorosa a punição. Um livro do século XII, da abadia parisiense de Santa Genoveva, trazia por baixo do título a seguinte etiqueta: ‘Este livro é de Santa Genoveva. Quem quer que o furte, ou acoite, ou esta marca apague, excomungado seja!’. Em certo código do mosteiro de Marbaque, Alsácia, a fórmula de excomunhão enchia meia página. O ladrão era votado, sucessivamente, a todos os tormentos do inferno, condenado a mergulhar em lagos ardentes de alcatrão e enxofre e a ter a sorte de Judas, o traidor, para dar mais peso à punição fulminada.”

Quando a marca de propriedade de um livro é gravada na encadernação, recebe o nome de super libris. Hoje em dia existem associações de colecionadores de Ex libris.

Confira abaixo alguns ex libris de famosos e perceba que eles falam muito de seu proprietário:

 

  • Ex libris de Charles Chaplin
  • Ex libris de Walt Disney
  • Ex libris de Einstein
  • Ex libris de Freud

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