Após obstrução, bolsonaristas aceleram para derrubar Delegado Waldir como líder do PSL na Câmara

Waldir negou manobra e brada “somos Bivar, somos Bolsonaro”

Camila Turtelli
Renato Onofre
Estadão

Após o deputado Delegado Waldir, líder do PSL na Câmara, se unir à oposição para tentar obstruir a medida provisória que trata sobre a reformulação da estrutura do Poder Executivo e mexe com pontos sensíveis como o antigo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), deputados bolsonaristas iniciaram um movimento para destituir o parlamentar da função.

A manobra de Waldir adiou a votação por duas horas, mas a obstrução caiu e voltou à pauta de votação. O texto-base foi aprovado nesta terça-feira, dia 15, na Câmara – os deputados precisam ainda analisar os destaques. Nesta quarta-feira, dia 16, a MP deve ser votada no Senado. Caso contrário, o texto caduca e as modificações propostas por Bolsonaro caem.

REAÇÃO IMEDIATA – O movimento do líder do PSL serviu de sinal para a deputada Bia Kicis (PSL-DF) e o deputado Filipe Barros (PSL-GO) acelerarem o movimento coletando assinatura da bancada para tirar Waldir do cargo. O líder tem papel fundamental na estrutura da Câmara. A pauta de votações da Casa é discutida na reunião de líderes.

Barros quer o cargo de Waldir e já anunciou internamente como candidato no ano que vem. O mandato do líder do PSL termina no final do ano. Para conseguir uma nova votação para mudar a liderança são necessários 27 deputados assinando a lista. Atualmente, o grupo tem 22 adesões.

O líder tem a prerrogativa de orientar o partido, participar dos trabalhos de qualquer comissão (mesmo daquelas em que não for integrante); indicar membros da bancada que irão integrar as comissões; registrar candidatos a cargos da Mesa e inscrever membros da bancada para comunicações parlamentares.

PANOS QUENTES – O líder do PSL tentou minimizar o movimento para a obstruir a votação. Ele negou retaliação do partido em relação ao governo do presidente Jair Bolsonaro. “Continuamos defendendo o governo, somos Bivar, somos Bolsonaro”, disse.

Waldir disse ainda que, apesar da crise, não há uma divisão no partido. “Foi criada uma tempestade que não foi criada por mim e nem pelo partido”, disse. “Nós somos todos bolsonaristas”, disse.

“JUSTIFICATIVA” – Ele reforçou que o partido sempre acompanha o governo. Questionado porque então havia orientado obstrução na votação de hoje da MP 886, ele disse que havia feito isso para que parlamentares não levassem faltas. “Os parlamentares em sua maioria estavam em reunião aqui na liderança e para que eles não levassem faltas eu tive de sair correndo aqui para obstruir, mas já vou lá e vou adequar essa orientação”, disse.

A tentativa de derrubar Waldir é mais um capítulo da crise interna do PSL que foi agravada nesta terça-feira após a Polícia Federal deflagrar uma operação contra o presidente do PSL, Luciano Bivar (PE)

“É muito estranho. Me parece que algumas pessoas já sabiam uma semana antes”, disse. Ele questionou também porque a polícia demorou tanto tempo para se fazer uma busca. “Você faz a busca logo no começo da investigação. Depois é circo”, disse o líder do PSL.

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