Equipe médica impede Bolsonaro de reassumir e Mourão fica até o dia 15

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Barros, o porta-voz, disse uma coisa e depois disse outra

Bruno Ribeiro e Julia Lindner
Estadão

A previsão de que o presidente Jair Bolsonaro retomaria o cargo nesta sexta-feira, 13, foi adiada por pelo menos mais quatro dias por orientação médica. Em nota, o vice-presidente Hamilton Mourão permanecerá interinamente na Presidência até o dia 16 de setembro. Originalmente, o prazo se encerraria nesta quinta-feira, 12.

A extensão de prazo no afastamento de Bolsonaro se deu para dar mais “descanso” ao presidente, internado após nova cirurgia no aparelho digestivo. O presidente não tem previsão de alta, mas fez uma curta “live” nas redes, de 3 minutos e 9 segundos.

DIZ O PORTA-VOZ – “Foi avaliado que o presidente deve descansar por mais quatro dias, a contar de amanhã. Sexta, sábado, domingo e segunda. Esse descanso vai acelerar o processo de recuperação do presidente e, com toda naturalidade e normalidade, o general Mourão permanece como presidente em exercício até segunda-feira que vem”, afirmou o porta-voz Otávio Rêgo Barros.

“Ele está preparado, é uma pessoa mentalmente muito forte, e ele próprio participou desta decisão (de continuar afastado)”, afirmou o porta-voz, durante conversa com jornalistas na sala de imprensa do Hospital Vila Nova Star, na Vila Nova Conceição, zona sul de São Paulo, onde Bolsonaro está internado. “Mas a decisão final foi dos médicos”, destacou.

O porta-voz disse que Bolsonaro teria condições de retornar ao cargo na sexta-feira, 13, como era previsto, mas que a decisão foi no sentido de dar mais conforto ao paciente. “Ele poderia assumir amanhã, mas não nos parecia interessante, do ponto de vista médico, assumir com alguma limitação”, disse, ao dizer que a sonda era “incômoda”.

SONDA NASOGÁSTRICA – Bolsonaro caminhou duas vezes durante esta tarde, de acordo com o porta-voz. Questionado sobre a distância percorrida, preferiu brincar, dizendo que as pessoas chutam uma metragem. “Dava para ter feito a caminhada de Compostela”, citando rota de peregrinação na Espanha.

Até o fim desta tarde, Bolsonaro continuava com uma sonda nasogástrica e recebendo alimentação pela veia. Havia expectativa de que a sonda pudesse ser retirada nesta quinta-feira, dia 12.

O médico Antonio Macedo explicou ainda que após a retirada da sonda, Bolsonaro voltará a ter uma dieta líquida, por um ou dois dias, e depois passará para uma dieta cremosa. “Estamos esperando a retomada dos movimentos intestinais para ir para o pós operatório”, afirmou o médico.

VISITAS RESTRITAS – Nesta tarde, Bolsonaro recebeu o médico Luiz Henrique Borsato, que o atendeu em Minas Gerais quando o presidente foi esfaqueado, durante a campanha eleitoral.  Bolsonaro está acompanhado da mulher, Michelle, e do filho Carlos Bolsonaro, vereador no Rio de Janeiro. As visitas, no entanto, continuam restritas.

Rego Barros disse não ter informação se o presidente e o vice tiveram algum tipo de diálogo nesta quinta. Segundo o porta-voz, a viagem do presidente a Nova York, ainda neste mês, para a cerimônia de abertura da Assembleia Geral da ONU, está mantida.

LIVE SEMANAL – Na live, Bolsonaro dirigiu-se aos internautas do quarto do Hospital Vila Nova Star. O presidente apareceu ainda com a sonda nasogástrica e falou devagar e em tom baixo, parando para tomar fôlego em alguns momentos.

Bolsonaro tratou rapidamente de alguns assuntos da semana, como a medida provisória que desobriga alunos de pagar entidades de classe para a emissão da carteira estudantil e a que garante pensão vitalícia para vítimas de microcefalia por infecção do vírus zika.

O presidente ainda mencionou a visita que recebeu do médico Luiz Henrique Borsato. “É uma visita que não tinha como eu não me emocionar”, disse ele. Bolsonaro concluiu a transmissão dizendo: “Nós temos uma missão: ajudar a mudar o destino desse grande País chamado Brasil”.

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