Ditadura do Supremo em plena democracia indica que o Brasil é altamente criativo

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Charge do Bier (Arquivo Google)

Carlos Newton

Nenhum estrangeiro consegue entender o Brasil. Muitos já tentaram. Andaram por aqui aos bandos e passaram a ser chamados de “brazilianistas”. Produziram teses, escreveram artigos, publicaram livros, mas acabaram desistindo, porque não há como explicar o que acontece no Brasil. A esse respeito, o atual momento político é revelador. Tudo indica que houve um pacto tácito entre os Três Poderes, em acordo não assinado que visa a garantir a impunidade das elites dirigentes.

No exterior, quem poderá acreditar que exista algo assim num país importante como o Brasil, o quinto maior em população e território, que oscila entre a oitava e a nona economia do mundo, dependendo do humor da cotação do dólar.

É TUDO VERDADE – Como dizia o cineasta Orson Welles, que veio ao Brasil fazer o filme “It’s All True” (“É Tudo Verdade”) e constatou que “os brasileiros são o povo mais feliz do mundo”. Ele brincou o carnaval de 1942, com muito uísque, anfetamina e lança-perfume e concluiu: “Quatro dias de felicidade no ano é uma coisa que nem todos conseguem”. Logo depois, deu de encontro à realidade e acabou desistindo do filme, porque não conseguia entender nada.

Os brasileiros são assim mesmo, é tudo verdade. Nesse exato momento, vive-se sob a ditadura do Supremo, que praticamente desativou o Coaf, único órgão do país para identificar lavagem de dinheiro, sonegação e outros crimes financeiros. Em nossa matriz USA, existem 22 órgãos desse tipo, que funcionam a todo vapor e colocam na cadeia até sonegadores de impostos, como o famoso ator Wesley Snipes. Aqui na filial Brazil, isso é impensável. Os artistas pegam recursos públicas para custear suas produções, embolsam o dinheiro e fica tudo por isso mesmo, jamais se viu um ator na cadeia por esse tipo de crime.

UM NOVO WELLES – O jornalista americano Glenn Greenwald aproveitou a experiência negativa de Welles, mas está se dando bem. Levou 13 anos estudando o país, arranjou um marido, montou uma família e abriu um negócio de futuro – o The Intercept Brasil, órgão de imprensa legitimamente autorizado a publicar informações obtidas ilegalmente.

Esses dados obtidos mediante interceptação telefônica estão sendo usados em prol de um movimento simultâneo para destruir a maior operação contra o crime desfechada no mundo. O objetivo claro do complô é soltar bandidos como Lula, Dirceu, Cunha etc., além de evitar a prisão de outros enriquecidos ilicitamente às custas de recursos públicos, como Temer, Aécio, Padilha, Renan, Jucá, Moreira, Barbalho e tutti quanti, numa manobra confusa e com adesão de outros órgãos de imprensa que se dizem sérios, e não há analista estrangeiro que possa entender uma maluquice dessas.

SUPREMO VEXAME – Ao mesmo tempo, a Suprema Côrte brasileira desmonta tudo o que se conhece em Direito nos demais países, ao abrir um inquérito totalmente ilegal, sem participação do Ministério Público, em flagrante inconstitucionalidade, com os ministros mandando imobilizar o único órgão público que funcionava no país para coibir lavagem de dinheiro, corrupção e movimentação financeira de grandes facções criminosas.

O mais intrigante é que dois ministros do Supremo tenham sido apanhados na malha fina desse órgão público, junto com suas mulheres, e ao contrário do que ocorre nos outros países, ao invés de se defenderem das acusações de operações bancárias atípicas, eles simplesmente dão um jeito de paralisar as investigações, afastar os auditores e pedir a demissão do dirigente do órgão público, por excesso de zelo funcional, digamos assim, e quem é que vai entender um país como esse?

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