Que tipo de cidadão Dias Toffoli deseja proteger? (com vídeo).Por Josias de Souza

Por Josias de Souza

O presidente do Supremo se esforça para justificar a decisão que suspendeu processos e inquéritos recheados com dados do Coaf. Ele disse: “Só não quer controle do Judiciário quem quer Estado fascista e policialesco, que escolhe suas vítimas.” Ele acrescentou: “Não se faz Justiça por meio de perseguição e vingança sem o controle do Poder Judiciário”. Faltou definir “perseguição” e “vingança”.

Flávio Bolsonaro é investigado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro. Suspeita-se que beliscava pedaços dos contracheques de funcionários do seu gabinete. O filho de Jair Bolsonaro não está só. A investigação alcança 21 deputados estaduais e seis ex-deputados. Coisa multipartidária —do PT ao PSL. Estamos falando da Assembleia Legislativa do Rio. Ali, deputado toma posse na cadeia.

Pois bem, relatório do Coaf citado pela defesa de Flávio apontou operações bancárias suspeitas de 75 servidores e ex-servidores da Assembleia. Entre eles o faz-tudo da família Bolsonaro, Fabrício Queiroz, que já admitiu ter coletado nacos dos salários da equipe do gabinete do Zero Um. Os investigadores requisitaram e obtiveram autorização da Justiça para apalpar os sigilos bancários dos suspeitos após farejar indícios de crimes nos relatórios do Coaf. Relatórios cujo compartilhamento já foi validado pelo Supremo em decisões colegiadas.

Cabe perguntar: Onde foi que Toffoli enxergou “perseguição e “vingança”? Por que usou o recurso de Flavio como pretexto para suspender investigações a granel? Por que desfez nas férias, em despacho liminar e solitário, o que o Supremo havia validado em decisões colegiadas? Toffoli disse ter agido “em defesa do cidadão”. O Coaf não lida com cidadão honesto. Se o órgão cometeu excessos, que sejam apontados, punidos e corrigidos. Fora disso, é mordaça. Algo que só interessa a malfeitores.

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